Os projecionistas primitivos suavam torcendo para que a palavra fim aparecesse. No começo do cinema, acionava-se o projetor a mão.
Bem, a expressão fim é meramente força de expressão porque os primeiros filmes terminavam tão abruptamente quão começavam, sem advertir o espectador sobre as duas pontas.
Partes
Os programas incluíam vários filmes, todos eles curtíssimos, não passando, na maior parte das vezes, de cinco minutos.
Dividiam-se em duas partes. Na verdade, os primeiros filmes compunham-se de uma só parte e seu comprimento era designado por pés (O Engraxate, 40 pés, O Príncipe Encantado,100 pés, O Filho Pródigo, 50 pés).
Vistas
No início eram chamados de vistas ou fotografias animadas. Mais tarde, os pequenos documentários passar a ser designados de naturais, em contrapartida aos filmes de enredo, utilizando atores, chamados de posados.
Temores
O prazer de ver as exibições, entretanto, era por vezes empanado por alguns temores. Muita gente achava que filmes queimavam os olhos, procurava manter-se distante da tela. A precaução originava-se do fato de que a tela tinha que ser molhada para manter a luminosidade. Para isso, antes da projeção eram jogados balde de água.
Estoque
Também molhavam a tela por intermédio de uma mangueira ou ainda, usando um instrumento ainda mais primitivo, o estoque, uma vareta com uma bucha na ponta,enfiada num cano de bambu.Contudo, o temor de incêndio não era infundado, porque os filmes realmente eram altamente inflamáveis.
Incêndios
Freqüentemente, ocorriam incêndios nas cabinas de projeções, já que não havia maiores medidas de segurança. Conforme se fazia a projeção, o filme ia descendo para um saco onde formava os grandes anéis. Só mais tarde, recorreu-se a cilindros de metais que giravam simultaneamente ao movimento do projetor, voltando a enrolar o filme.
Números
Sejam porque eram curtos, sejam porque sozinhos não constituíam atração suficiente para o público, os filmes, na realidade, eram sempre complementos dos programas apresentados. Os espetáculos mistos incluíam número com ilusionistas, cantores, artistas circenseses , há muito em moda, exibições de aberrações da natureza, como animais de duas cabeças etc... Demorou ainda muito tempo para que as sessões cinematográficas se reduzissem, afinal, só aos filmes.
Orquestras
Mesmo depois da construção de cinemas mais requintados e dos filmes mais longos e sofisticados, algumas orquestras, muitas vezes, constituíam-se na principal atração das casas. Eram muito comuns as chamadas cortinas, em que artistas de variedades apresentavam números entre as partes dos filmes.
Lutas livres
As lutas livres também se constituíram durante bom tempo numa grande atração, ao lado dos filmes (a polícia, contudo, negou licença, em 1915, para que um empresário apresentasse luta de boxe no seu cinema). Certa ocasião, um famoso lutador, filho de um ex-presidente da República, enfrentou e venceu o não menos famoso leão Marusko, do sr.Cyriaco Machiaverni, sócio em espetáculos de Victor de Maio, um dos pioneiros da exibição cinematográfica em São Paulo. Cyriaco apresentava, em adição às exibições de filmes, cobras e outros animais.
Produção
A maior parte da produção vinha da Itália ou da França, que mandou as primeiras fitas coloridas à mão produzidas pela Patheé Frères, Gaumont, Lê Film D'Art, Lumière. A maioria dessa produção a cores versava sobre temas sacros e eram exibidos durante a semana santa.
Dinamarquesa
Não tarda, porém, o mercado a diversificar-se com a entrada de empresa dinamarquesa Nordisk, que quase afasta totalmente as concorrentes, popularizando o galã Valdemar Psilaender e a estrela Asta Nielsen. Antes deles, celebrizaram-se os franceses Max Linder, que acabou se suicidando e Rigadim, chamado pela garotada de Bigodinho. Os italianos contribuíram com Tontolini e Cretinetti.
Norte-americanos
Com as chegadas da Witagraph e a Biograph, popularizaram-se os cômicos do cinema norte-americano: Carlitos, Chico Bóia (envolvido num comentadíssimo escândalo, que resultou na morte de uma jovem) , Bem Turpin, Buster Keaton (jamais ria), Harold Lloyd (O quatro-olhos).
Italianas
As primeiras divas eram italianas, vindas de filmes feitos pelas casas Ambrosio, de Milão e Pasquali, de Turim: Pina Minachelli, Francesca Bertini, Bella Herperia, Leda Gys. Os galãs: Gustavo Serena, Mario Bonnard, Túlio Carminatti, Alberto Capozzi, que féz uma longa viagem ao Brasil, apresentando-se em várias cidades do interior, e Emílio Ghuone (Za-la Mort, Vilão).
Sucesso faziam os trabalhos da Cines, de Roma, especializada em produções históricas. Três delas: Quo vadis, Atílio Regolo e Cabíria, verdadeira superprodução para a época.
Perfume
O público aglomerava-se nos barracões improvisados em salas de exibição. Nessas condições, não se podia evidentemente exigir grandes confortos. Quando fazia muito calor, alguns exibidores mais corteses costumavam aspergir perfume sobre a platéia.