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Fluídos do comércio

Vendia-se de tudo nas ruas de S. Paulo oitocentista: desde peixes até milho verde, passando por capim. Vendas e quitandas tinham queijo, doces, erva-mate, fumo, aguardente, couro, lenha, vassouras de cipó. O atual largo do Tesouro chamava-se rua das Casinhas, porque sua extensão era ocupada por cubículos de vendeiros que negociavam com mantimentos produzidos pelos sítios ao redor de S.Paulo.

Cotovelo

A rua das Casinhas, entretanto, não dava conta do movimento. Pelas redondezas, rua do Cotovelo (Quitanda) rua do Comércio (Álvares Penteado), largo da Misericórdia e largo de S.Bento, transbordavam os quitandeiros e os vendeiros.

Em cima do cemitério

Onde está hoje a praça Antonio Prado havia a igreja de N.S. do Rosário dos Homens Pretos. Junto à igreja, esse era o hábito, enterravam-se os mortos. Em 1872, o terreno do cemitério contíguo à igreja foi desapropriado para a criação do Largo do Rosário, embrião da atual praça Antonio Prado. Sobre o antigo cemitério convertido em largo também se comerciava muito. Casais de africanos livres serviam-se de seus patrícios não livres para a exploração dos seus negócios.

Peixes

As calçadas da igreja do Carmo serviram muito tempo como mercado de peixes. Estacionavam ali negras, quase sempre do bairro do Pari, com "saias curtas, um xale pequeno ou baeta azul" descalças, para transacionar sua mercadoria aquática.

Misericórdia

Havia gente, e de muito bom nome, que vivia dos quitutes vendidos por seus escravos. Apresentados em pequenos tabuleiros de madeira — forrados com toalhas brancas e alumiados de noite por velas de sebo — aqueles quitutes eram de todas as espécies. Suas vendedoras estacionavam nas escadarias de pedras da Igreja da Misericórdia, mais tarde demolida.

Castigo e lucros

A demolição da igreja, disseram muitos paulistanos, foi um acinte a Deus. Por causa disso, afirmavam os mesmos paulistanos, uma famosa loja que se instalou num prédio construído no mesmo lugar da igreja, sofreu dois grandes incêndios. Deve ter sido o suficiente para aplacar a ira divina. Porque depois, num novo edifício veio parar a tradicional Casa Henrique, muito próspera em sua época. Quando de lá saiu a casa Henrique, entrou no seu lugar a Erontex, famosa nas décadas de 60 e 70 por causa dos seus carnês. Os fluídos do lugar tinham definitivamente se tornado benéficos. O dono da Erontex rumou para Brasília montou um luxuoso hotel e, parece, vai muito bem.



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