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Gonçalves existe
Gonçalves, sul de MG, Serra da Mantiqueira, 192km de S.Paulo, nasce para o
turismo. Com muito verde
Aproxima-se a melhor época para viajar-se a Gonçalves. Com o frio, essa
cidadezinha localizada a 1.300 metros, na Serra da Mantiqueira , sem perder seu
ar bucólico, ganha um "que" de sofisticação européia. À noite, você pode optar
por um fondue frente à lareira ou por um não menos requintado prato de porco
conservada na banha.
Gonçalves? Pois é Gonçalves existe. E não só existe, como está se tornando um
ponto de turismo para aquelas pessoas cujo prazer consiste em viajar para ver
realmente a natureza, não para serem vistas. Aproveite enquanto é tempo, pois
essa fase está ameaçando terminar.
As moças e os rapazes faziam o footing.
Já numa subida da estrada, você abrange num só olhar o casario inteiro. Sim,
pelo menos em seu aspecto, ali parece conservar aquele tipo de cidadezinha
onde, nos tempos pré-novelas da Globo, as moças e os rapazes iam para a praça
usufruir do footing.
A população, segundo o gosto dos informantes, varia de mil a 3000 habitantes.
Não importa. Mesmo com o turismo crescendo, não há congestionamentos, nem
aglomeramentos ruidosos, nem carros com alto-falantes berrando alguma música
para danças barulhentas.
Montanhas e muito verde
Parece que Gonçalves não se aflige nem um pouquinho com os acontecimentos do
outro mundo lá embaixo. Mergulha-se num ambiente silencioso no qual já de
longe pode-se ouvir o som das águas deslizando pelas numerosas corredeiras.
A natureza é exuberante. O vale em que se situa Gonçalves está rodeado de
montanhas e muito verde. Tudo parece ainda intocado pelo turismo engatinhante.
Terrenos planos inexistem, a paisagem é toda montanhosa. E há as matas, os
rios, as cachoeiras...
As altitudes variam de 1200 a 2000 m. Subir montanhas, assim, é a tentação.
Entre as montanhas destacam-se a Pedra de São Domingos, com 2050 metros (pode
ser atingida de carro); Alto Campestre, 2078 metros e Juncal, 1900 metros.
Entretanto, nem por serem mais baixos, outros pontos deixam de ter interesse.
Entre eles: o Mirante do Cruzeiro, as Três Orelhas e o Rochedo do João
Prudêncio.
Somente no Capivari, o principal rio que banha Gonçalves, duas belas cachoeiras
despontam: a das Andorinhas e do Retiro. Outras cachoeiras e cascatas ornam os
demais rios e riachos.
A boa comida
As pousadas distribuem-se também pela grande mancha verde. São normalmente
chalés com lareiras e algumas consideram um luxo dispensar a televisão dos
quartos. Para a vista, já basta a natureza.
Os melhores restaurantes não primam pela decoração, detalhe dispensável diante
do objetivo maior do negócio, a boa comida. Também não ostentam luminosos na
porta e são conhecidos pelos nomes dos seus donos: do Zé Ovídio, do Antonio,
do Chiquinho...
A cidadezinha nasceu há pouco mais de cem anos, quando um fazendeiro, doou seis
alqueires de suas terras para a construção de um igreja. Morava lá uma família
chamada Gonçalves e o nome ficou sendo esse.
Duas coisas que não se pode deixar de comer em Gonçalves: os queijos da região
e a comidinha mineira. Quase sempre, as cozinheiras dos restaurantes são as
mulheres do seu dono e, portanto, você tem a comida caseira no seu real
significado. No restaurante do Zé Ovídio, ao pé da Pedra do Forno, uma das
atrações turísticas de Gonçalves, o sistema é self-service. Rodeando os fogão,
estão a couve, o tutu à mineira, a a carne de porco...
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