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Como nesses versos do poeta português Fernando Pessoa, também o hipocondríaco é visto por muita gente como um fingidor cujas queixas visam só a chamar a atenção sobre si mesmo. Sua realidade, entretanto, tem mais a ver com o último verso.
De maneira simplificada, a hipocondria pode ser definida como uma ansiedade doentia em relação à saúde, usualmente com sintomas não decorrentes de perturbações orgânicas. Se aqueles sintomas, porém, não têm origem orgânica, nem por isso deixam de existir, pois os órgãos do corpo traduzem as perturbações psicológicas para uma linguagem de sensações físicas (o mesmo processo, tecnicamente conhecido como somatização, também ocorre em sonhos).
"O hipocondríaco tem uma qualidade de vida sensivelmente prejudicada porque suas sensações e sintomas - para eles, claros sinais de uma doença - atingem todas as suas atividades", fala o dr. Marcel A C Pereira. "E nem a comprovação da inexistência de qualquer problema de saúde, é capaz de superar suas angústias".
Trata-se de um problema crônico em que as melhoras só podem aparecer pouco a pouco. "Se a pessoa, nesses períodos, fez exames médicos e foi informada que tudo está bem com sua saúde, chega a sentir-se melhor por alguns dias. Logo, porém, os sintomas voltam", frisa o dr. Marcel.
Nem todos os pacientes, porém, procuram ajuda médica. Alguns deles, apreensivos de ver os seus temores confirmados, resistem à busca de qualquer ajuda. O traço comum entre eles é a recusa de serem chamados de hipocondríacos, desde que a palavra tem o sentido pejorativo de fraqueza e aborrecimentos para outros. E, ao contrário de uma opinião muito difundida, a hipocondria pode aparecer cedo na vida. "É a falsa idéia de que as pessoas de faixas etárias mais altas são mais propensas a tornarem-se hipocondríacas", ressalta o dr. Marcel. Mais comumente, o problema se manifesta na casa dos 20 anos e idosos que se queixam exageradamente de sua saúde, na maior parte dos casos, já faziam isso na juventude".
A principal dificuldade para a cura da hipocondria, provavelmente está no fato de que o paciente nem sempre buaca ajuda com os psiquiatras, os especialistas mais indicados para os seus casos. No tratamento, atualmente empregam-se medicamentos desenvolvidos para o combate à depressão e à chamada neurose obssessiva-compulsiva.
Contuso, as recomendações dos especialistas é de que o uso de drogas deve ser cuidadosamente monitorado. Algumas terapias alternativas mostram-se muito eficientes e não embutem os riscos dos efeitos colaterais. Programas de exercícios físicos, inclusive, podem ser eficazes para pacientes pouco habituados a atividades físicas e, porisso, com reflexos advesos nos músculos e juntas. Mais saúde