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Rede hoteleira
Com o aumento de viajantes estrangeiros — muito raros nos três primeiros séculos — multiplicam-se os hotéis em São Paulo. Aí por volta de 1854, tais estabelecimentos deixam de exigir carta de apresentação para aceitar hóspedes, uma medida que até então, não raro, obrigara muito forasteiro a dormir ao relento.
"Antros de perdição"
Quase só mesmo forasteiros podiam freqüentar hotéis. Aos elementos nacionais era vedado tal luxo, sob pena de cair na boca do povo. Os paulistanos viam os hotéis como antros de perdição e ai do patrício que ousasse adentrar suas portas. Se fosse mulher, então, nem se fala. Ou melhor, se falava muito.
Bilhares
Contribuía para a má fama dos hotéis o fato de que, em sua maioria, dispusessem de jogos de bilhar. Em 1857, o Hotel Recreio Paulista, de Antonio Joaquim de Lima, na rua Direita, o Hotel Paulistano de Adolfo Dusser (r.São Bento), e o Universal, de J. Lefebre, no largo do Colégio alardeavam os seus bilhares e, curiosamente anunciavam também que "dá hospedagem". No Universal, segundo um testemunho da época, aristocratas começaram a fazer ceias alegres.
Da Paz
Hotel da Paz
A chegada das vias férreas, em 1886, com a Companhia Inglesa — Estrada Santos-Jundiaí — incrementou o ramo hoteleiro na cidade. Casas mais refinadas foram abertas, como o Hotel da Paz na rua de S.Bento. No final do século, enquanto alguns hotéis tradicionais continuavam a funcionar em casarões de taipa, outros já ocupavam edifícios mais imponentes construídos especialmente para as suas atividades.
Grand Hotel
Grande Hotel
A primeiro de julho de 1878, inaugurou-se o luxuosíssimo Grande Hotel cuja instalação mudou até o mesmo o nome da rua onde se localizou: Beco da Lapa para rua do Grande Hotel (atualmente rua Miguel Couto). Demolido em 1964, o prédio do Grande Hotel foi construído pelos alemães Glete e Nothman e constituiu-se num dos marcos da renovação arquitetônica de São Paulo.
Sara
Tinha o Grande Hotel uma enorme sala com numerosos bicos de gás, candelabros, jarros com flores, espelhos. Dado o número de hóspedes atraídos, o estabelecimento logo criou um anexo localizado muito próximo, no largo do Café. Na sua viagem a São Paulo em 1886, foi no Grande Hotel que se hospedou Sara Bernhardt. Ocupou três aposentos do primeiro pavimento superior, escreveram os jornais.
D'Oeste
Hotel D'Oeste (indicado pela seta)
Se o Grande Hotel era o preferido das celebridades, na mesma época, tornou-se célebre o Hotel D'Oeste por ser pouso predileto da gente simples do interior. Tratava-se de um sobradinho no largo de São Bento cuja cozinha, marcada pelo "trivial paulista", deitou fama na cidade. O Hotel D'Oeste agüentou a concorrência de muitos hotéis bem mais luxuosos, resistiu firme a algumas décadas do século XX.
Rebechino
Hotel Rebechino (na foto, à direita)
Ainda no largo de São Bento, o Hotel Rebechino também consta com algumas estrelas na crônica hoteleira paulistana. Seguindo uma tendência de várias outros hotéis da época, que se instalaram perto das estações ferroviárias, o Rebechino depois mudou para a rua Mauá, na Luz.
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