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Hotéis "suspeitos"
Paulistanos, já em pleno século XX, ainda viam os hotéis mais famosos com fascínio, mistérios e suspeitas. Alguns fatos forneciam combustível a essa visão.
Crimes
Hotel Términus Alguns crimes que abalaram a cidade, pelas suas circunstâncias ou por envolver pessoas famosas, ocorreram dentro de hotéis prestigiados como o Términus, na rua Brigadeiro Tobias, em cujo saguão, um conhecido milionário assassinou outro ricaço. Das ocorrências policiais registradas em hotéis, o chamado "Crime da Galeria de Cristal", porém, foi dos que mais excitou a imaginação popular.
Anexo
Na rua XV de Novembro, perto da atual praça Antonio Prado, desde o início do século até os anos vinte, existiu a Galeria de Cristal, uma edificação toda coberta de vidro, com três andares e vários estabelecimentos comerciais. Na Galeria de Cristal, o afamado Hotel Boa Vista, com sede na rua do mesmo nome, instalou um anexo.
Policial
Hotel Bela Vista, assinalado
Naquela noite de 1909, o policial pensou numa ocorrência comum, quando calmamente na rua, um homem pediu que o acompanhasse até o anexo do Hotel Bela Vista. Diante da atitude tranqüila do homem, o policial nem sequer estranhou ainda o seu pedido de segui-lo até o quarto. Ao abrir a porta, o seu espanto. Também tranqüila e friamente, uma mulher olhava o corpo de um jovem degolado.
História
Veio então a história. O homem que chamara o policial e a mulher do quarto haviam se casado na manhã daquele dia. Ao chegarem ao hotel para a lua de mel, a mulher revelara ao marido já não ser mais virgem. Fôra seduzida anos antes por um estudante de Direito, morador numa pensão, onde ela vivia com sua mãe. Revelou ainda a mulher que o seu sedutor acabara de formar-se.
Vingança
Arquitetou-se a vingança. Um fotógrafo da rua Direita expunha anualmente um quadro com as fotos dos formandos da Faculdade de Direito. No quadro, a mulher identificou para o marido o rapaz que a seduzira.
Filme
À época, os acadêmicos de Direito costumavam reunir-se em poucos pontos determinados da cidade. Não foi assim difícil para o marido localizar o rapaz e, com algum subterfúgio, atraí-lo para o quarto do hotel, onde os dois o mataram. "O Crime da Galeria de Cristal" virou inclusive um filme com o mesmo nome, produzido no Rio de Janeiro.
Palácios do prazer
O pretenso luxo de certos hotéis dava cordas à imaginação popular. Não seriam eles versões ainda mais fabulosas daqueles "palácios dos prazeres", tão falados em que homens endinheirados tinham à sua disposição mulheres deslumbrantes. O certo é que, para muita gente, hotel e prostituição sempre estava ligado — e aqui nem sempre tudo era simplesmente fantasia.
Suiço
Hotel Suiço
Relatórios policiais da época dão conta de fortes suspeitas relacionadas ao imponente Hotel Suíço do Largo do Paissandu que seria um ponto de encontro entre prostitutas e seus clientes. E houve outro grande hotel, na rua Líbero Badaró, talvez ainda mais refinado, todo ele, convertido na imensa sede de uma empresária do gênero. Suas pupilas, ocupando as dezenas de apartamentos, tornavam-se hóspedes permanentes para receber os hóspedes de curta permanência.
Sportsman
Hotel de la Rotiesserie Sportsman
Entretanto, aquele luxo que levava muitos paulistanos a generalizarem sua desconfiança a todos os hotéis, parecia insuficiente aos forasteiros. Em notas sobre São Paulo, viajantes estrangeiros deixaram patente seu descontentamento com o parque hoteleiro da cidade. Segundo eles, hotéis mais requintados eram exceções. No começo do século XX, o Hotel de la Rotiesserie Sportsman era uma dessas exceções.
Rotisserie
O francês Daniel Souquies fundou primeiro o Salão da Rotisserie Sporstman na rua de São Bento, antigo número 59. Um ano depois, em 1909, seu salão mudou-se para um novo endereço bem próximo, rua Direita, esquina com São Bento, lugar chamado na época de 4 cantos e atualmente englobado pela Praça do Patriarca. Tratava-se de um antigo casarão, até pouco antes ocupado pelo antigo Hotel de France.
Viaduto
Daniel resolveu também ampliar os negócios do seu salão para um hotel que veio a ocupar um prédio recém construído junto ao Viaduto do Chá. O Hotel de la Rotisserie Sportsman pegou renome e acolheu os grandes banquetes políticos da época. Teve hóspedes famosos como Rui Barbosa em sua campanha para presidência. Sobreviveu alguns anos ao seu fundador, falecido em 1914. Quando desapareceu, seu prédio foi ocupado pela redação do jornal Diário da Noite, primeiro encrave paulista do império de imprensa de Assis Chateaubriend. Demolido, aquele prédio deu lugar ao edifício Matarazzo, hoje do Banespa.
Esplanada

Abalou o prestígio do Hotel de la Rotisserie Sportman, a inauguração do Hotel Esplanada. Instalado na mesma construção onde hoje estão os escritórios da Votorantim, o Esplanada viveu mais de três décadas de fastígio. Já próximo ao seu fim, em 1954, durante o 1o. Festival Internacional de São Paulo, hospedou personalidades presentes ao evento. Por uma passarela coberta, os convidados do festival iam diretamente do hotel ao luxuoso Cine Marrocos, onde os filmes eram exibidos.
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