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Centro Comercial
Ao terminar o século XIX, o número de residências em Pinheiros não ultrapassaria a 200. O bairro, porém, tinha as vantagens de suas terras propícias à instalação de olarias aliadas à sua condição de importante ponto de passagem. Foram fatores que atrairam a imigração e alavancaram as atividades comerciais, base do seu desenvolvimento.
Oportunidades
Os imigrantes vindos para Pinheiros, em seu maioria, diferentemente daqueles moradores nos bairros industrializados, não procuravam uma colocação como operário e sim as oportunidades para estabelecerem-se com negócios próprios. Muitos deles já tinham passado por outros bairros, principalmente pelo Bexiga e a Consolação, para onde se dirigiram principalmente os italianos originários da Calábria.
Alvo
Os que chegavam direto da Itália também já acalentavam o sonho do negócio próprio. Pinheiros representava um alvo diferente, uma segunda etapa da vida. Para eles agora abriam-se as possibilidades de uma propriedade, a olaria, a carvoaria, a loja.
Primeiros
Chamava-se Agostinho Felipelli o primeiro italiano a vir morar em Pinheiros. Era calabrês e fundou a primeira cavoaria do bairro, na rua do Comércio (atual Butantã). Pouco mais tarde, o casal Perroti montou outra carvoaria na esquina das atuais rua dos Pinheiros com avenida Faria Lima.
A primeira loja de calçados de Pinheiros pertenceu ao sr. Luiz Luciano e ficava onde depois existiu outra loja tradicional de Pinheiros, a Casa 3 Coelhos. Foi um alemão, o sr. Ghilherme Gehrt, o criador da primeira padaria. O italiano Austero Troiano, que antes fôra aprendiz de padeiro e vendedor ambulante na Consolação, criou a segunda localizada na atual rua Butantã.
Filhos de italianos, naturais da cidade paulista de Conchas, os irmãos Locchi (Péricles e Oswaldo) mantiveram por muitos anos a primeira farmácia a funcionar em Pinheiros, fundada pelo sr. Ezequiel, de quem eles a compraram. No primeiro açougue pinheirense, o sr. José Perillo trabalhava com as suas filhas.
Iasi-Funaro-Della Mana
Unidas por casamentos, as famílias Iasi, Funaro e Della Manna podem ser tomadas como exemplos da presença italiana nos primeiros anos no comércio de Pinheiros.
Domingos Funaro veio da Calábria e montou uma olaria na Raposo Tavares onde hoje é o Parque São Domingos, nome dado em sua homenagem. Seu filho Paschoal, nascido no Brasil, foi o pai de Dilson Funaro, o ex-ministro brasileiro da Fazenda que lançou o Plano Cruzado.
Armazém
Nos início da década de dez, quando o comércio de Pinheiros ainda engatinhava, o sr.Francisco Iasi, fundou nas confluências das ruas Cardeal Arcoverde e Teodoro Sampaio, o Armazém Iasi, grande estabelecimento de secos e molhados que se tornou famoso em Pinheiros. Seu filho, Alberto Iasi, jornalista, escritor e historiador, fundou o primeiro jornal do bairro, O Pinheirense.
Cunhado
No armazém do sr. Francisco Iasi, veio trabalhar o seu cunhado, Francisco Della Mana. Casado com Brasilina Funaro, o sr. Francisco Della Mana, associado a um cunhado, fundou depois, no largo dos Pinheiros, o Armazém Pinheirense, também histórico em Pinheiros.
Japoneses
Segundo contigente de imigrantes depois dos italianos, os japoneses também contribuíram muito para o comércio de Pinheiros, sobretudo depois da fundação da Cooperativa Agrícola de Cotia. Incialmente, os comerciantes japoneses voltaram-se para a sua própria comunidade, abrindo estabelecimentos especializados que deram um toque especial ao bairro.
Diversidade
Árabes, judeus, portugueses, comerciantes das mais variadas origens étnicas, abriram igualmente casas tradicionais de Pinheiros. Nuno Vaidegon, de ascendência judaica, abriu caminho para um ramo que iria caracterizar o bairro, as casas de móveis.
A rua Iguatemi, hoje Faria Lima, era só quase chácaras, na maioria pertencentes a portugueses que comerciavam com leite. Espanhóis especializaram-se no comércio atacadista junto ao mercado de Pinheiros.
Libaneses
Onde está hoje a praça João Nassar, a libanesa d. Helena, teve uma loja de fazendas e armarinhos. Na esquina da Cardeal Arcoverde com Teodoro Sampaio havia antigamente uma mangueira que recebia tropas de muares e boiadas. Os animais estacionavam ali para serem negociados ou simplesmente condenados ao sacrifício no matadouro existente em Vila Clementino. Também estacionavam junto à mangueira, com suas carrocinhas fechadas, os vendedores de carne e miúdos de suínos. Vinham, por sua vez, do matadouro de Vila Clementino e o povo os chamava de "tripeiros".
Tudo isso, porém, acabou quando o libanês Jubran resolveu erguer no local a Casa Chic, uma loja muito famosa em seu tempo. Hoje, no lugar da Casa Chic, está uma unidade das Casas Pernambucas.
Imagem
Quando o bairro consolidou sua imagem comercial, um outro tipo de "imigração" começou: a de filiais de casas famosas do centro da cidade.
A "invasão" começou já no final da década de 40, com a filial da então exuberante Mesbla. Para a nova loja, foi construído um prédio no mesmo lugar antes ocupado pelo Santa Luzia, o primeiro cinema do bairro, à rua Butantã, 68.
Famosas
Na década de 60, lojas já tradicionais de Pinheiros como a São Jorge, a Casa Pequena, o Bazar 13, sofriam a concorrência de casas então famosas no centro da cidade, agrupadas principalmente na Teodoro Sampaio, a rua comercial tradicional do bairro: Rivo (2248), Colorado (2257), Mitidieri Paiva (2255), Palaia,de sapatos(2324), Lyonfabril (2346), Ultralar (2379), Ao Preço Fixo (2409), Casas Brasileiras (2522), José Silva(2666) e outras. Quase todas também já fazem parte do passado.
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