Igreja N. Senhora do Carmo

"Extraído do livro São Paulo em Quatro Séculos,
de F. Nardy Filho

A título de missão religiosa, que devia ser exercida no Brasil- e pelo '' praz-me'' de 1580 do cardeal d. Henrique , rei de Portugal - frei Simão Coelho, comissário geral da província carmelita naquele reino, '' proveu'' em 28 de fevereiro de 1587 os quatros religiosos- frei Domingos Freire, frei Alberto, frei Bernardo Pimentel e frei Antônio de São Paulo Pinheiro, cometendo-lhes o encargo de fundar conventos nos lugares onde conviesse, ou fosse possível o estabelecimento e propagação da Ordem Carmelita. Esses carmelitas chegaram ao Brasil em companhia de Frutuoso Barbosa, que vinha da metrópole com ordem de fundar a capitania de Paraíba do Norte. Foram esses os primeiros carmelitas que vieram ao Brasil - assim nos conta o brigadeiro Machado de Oliveira.
Segundo se lê uma carta do venerável padre de Anchieta, citada pelo padre Rafael Galante em sua '' História do Brasil'', esses religiosos não se estabeleceram na Paraíba: ali estiveram exercendo, por um pouco tempo, o seu sagrado mistério, porém não fundaram convento algum.
Tornaram esses religiosos a Pernambuco, de onde logo partiram em demanda dos portos do sul, vindo desembarcar em Santos, onde se recolheram à capela de N. Senhora das Graças, fundada em 1562 e que seus fundadores, José Adôrno e sua mulher Catarina Monteiro, para esse fim lhes cederam. Em Santos, foram muito bem recebidos por Brás Cubas, que lhes doou terras para a fundação do convento. Foi, pois, na vila de Santos que se fundou o primeiro convento carmelita no Brasil.
Em junho de 1591, chega a São Paulo frei Antônio de São Paulo Pinheiro e, em sessão da Câmara de 20 de desse mesmo mês, comparece '' pedindo autoridade para sitiar um a casa na vila e seus limites'', o que '' pareceu bem aos oficiais'', que, contudo, não serão dar-lhe pronta resposta sem antes '' dar de tudo ao povo''.
Em 1594, vencidas as dificuldades que no começo surgiram, foi dado início à construção do convento e igreja, cujas obras ficaram concluídas em 1596, sendo Brás Cubas o doador do terreno em que foram construídos.
Tanto o convento como a igreja foram reconstruídos em 1766. Sant- Hilaire assim se refere à igreja: '' A igreja dos Carmelitas é muito linda, ornada com bom gosto e enriquecida de dourados. Além do altar- mor, tem de cada lado três outros, onde estão figurados os principais passos da Paixão. Esta igreja me pareceu muito superior à catedral''.
Era esse convento muito rico e possuía diversas fazendas. Segundo o relatório apresentado à Assembléia Provincial pelo vice- presidente Dr. Antônio Roberto de Almeida, possuía em 1855: uma fazenda denominada Caguaçu, na freguesia da Penha; uma, no lugar denominado Itaim, freguesia de Itaquaquecetuba; uma no Sorocamirim, freguesia de São Roque; uma, no distrito da cidade de Curitiba; uma, em Pontes, freguesia de Santa Isabel; uma chácara na freguesia de Santa Ifigênia; 23 casas térreas e 3 sobrados nesta capital, além dos terrenos ocupados com o convento, Possuía também 435 escravos. Com o correr dos anos, estando o convento em quase abandono, perdeu parte desses terrenos, dos quais terceiros se apoderaram . Serviu, durante anos, de quartel de batalhões da Força Pública.
A 19 de maio de 1905, frei Cirilo Theves, provincial da Ordem, toma posse do convento, que então se encontrava sob a administração de frei Antônio da Virgem Maria Moniz Barreto, residente no convento de Moji das Cruzes.
Desapropriado pelo governo do Estado o terreno onde se encontravam o convento e a igreja, foram ambos demolidos, sendo a 28 de abril de 1928 transladada a imagem de N. Senhora do Carmo para a capela provisória da rua Martiniano de Carvalho.


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