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Noites da Ipiranga


Ipiranga, já avenida

O distinto cavalheiro aproximava-se da prendada senhorita, inclinava-se e gentilmente a convidava a dançar. Imediatamente, o apontador tomava o cartão e se aprestava para o seu trabalho. Cada minuto de dança executado pelo par virava um furinho no cartão.

O Maravilhoso

Na Avenida Ipiranga, quase esquina da São João, o Maravilhoso constituía-se num dos mais apreciados taxi-dancings de São Paulo. Dentro, um grupo de moças sentadas à espera do convite para a dança. Pagava-se para entrar, escolhia-se uma moça e fazia-se o pedido sem medo de recusa. Ao final dos passos, pagava-se pelo minuto dançado. Porisso, as moças chamavam-se taxi-girls.

Cabarés


Ipiranga e Praça da República

Outros estabelecimentos de lazer davam vida à noite da Ipiranga. Vivia-se a era dos cabarés e na avenida brilhavam os neons desse tipo de casas. Frente ao Maravilhoso vicejou um restaurante famoso chamado Spadoni. Em frente ao Spadoni, inaugurou-se o Brahma, que fechou, abriu, fechou, abriu.

Redondo

No extremo da Ipiranga próximo à Consolação, construiu-se um prédio. Embaixo, abriram o bar Cipão. Virou ponto de artistas, jornalistas e boêmios. Falava-se na juventude beatnik norte-americana e o Cipão tornou-se ponto dos beatnick paulistanos. Só que ninguém chamava de Cipão e sim de Redondo, alusão ao formato do bar. Em 1972, Plínio Marcos fundou a Banda Bandalha, integrada pelos freqüentadores do Redondo. A Banda Bandalha mudou de nome para Banda Redonda e persiste até hoje. Só que não mais formada pelo turma do Redondo, porque o Redondo não existe mais. No seu lugar está uma lanchonete de comida árabe.

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