Provavelmente, o último exemplo das construções residenciais que acolhiam as famílias paulistanas ricas no século XVIII desapareceu há pouco mais de 30 anos. Tratava-se do sobradão da família Rendon, cujo chefe, José Arouche Toledo Rendon, foi o primeiro diretor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
O sobradão ficava na rua Anchieta (no tempo de sua construção, Travessa do Palácio) no número correspondente ao 40 atual. "Oferecia aspectos solarengos, ostentando sacadas de ferro forjado e beirais salientes, com telhas vidradas de calhas, como ornamento", descreveu o historiador Aureliano Leite.
Na cidade — e sobretudo entre os estudantes da Faculdade de Direito — o sobradão era famoso, não porque lá moravam as irmãs do diretor da Faculdade, mas também porque eram sete e solteiras. A família dos Rendons tinha uma fazenda, além do Tietê, chamada de Casa Verde. O bairro que nasceu no lugar da fazenda chama-se Casa Verde e as sete moradoras do sobradão, também por causa da fazenda, eram conhecidas por "as moças da casas verde".
Envelheceram sempre juntas no casarão, sempre solteiras. Passaram a ser chamadas de "as velhas da casa verde".
As sete irmãs tinham os nomes de Pulquéria, Leocádia, Ana Thereza, Gertrudes Genebra, Maria Gertrudes, Joaquina Luiza e Rodezinda. Muito alegres e gentis gostavam de festa.
As janelas do sobradão estavam guarnecidas de rótulas pintadas de verde. "Teriam tido a mesma cor das demais peças de madeira da fachada", escreve Aureliano Leite.