| onononon
ononon
|
|
O transporte em jardineiras
Motoristas da praça tomaram então camionetes Ford e Chevrolet, puseram-lhe quatro bancos transversais, perfazendo cinco com o do motorista, e passaram a fazer uma espécie de ônibus-lotação, com dezoito passageiros, sendo dois ao lado do motorista e dezesseis nos quatro bancos. O molejo era duro, os motores ferviam, o barulho era intenso, mas ia-se para casa, a 500 réis por passageiro nas linhas curtas, e a 10 tostões nas extensas.
Assim foi até quando nasceram empresas concessionárias de ônibus para cada bairro. Pleitearam a cassação das licenças concedidas a título precário àqueles motoristas, e entraram com ônibus novos, ou aparentemente novos.
Isso foi mais ou menos ao tempo em ,que as instalações da Represa Billings começaram a funcionar.
Depois a Prefeitura afastou do tráfego os pequenos ônibus-lotação. Seus proprietários vendiam-nos a 3 ou 4 contos, para o interior, para servirem ao tráfego de passageiros entre cidades vizinhas, sob o nome de "jardineiras".
Com a primeira parcela recebida, pagavam a entrada de 2 contos de um Chevrolet novo, e mais doze prestações de 1 conto de réis por mês.
A féria do dia (entre 80 e 100 mil-réis) dava para cobrir o encargo mensal, mais a gasolina, a oficina, e as despesas da família. Talvez a mulher fôsse lavadeira ou costureira e ajudasse um pouco. E, para garantir a nota promissória do Chevrolet novo comprado (falta de pagamento, imissão na posse), havia a nota promissória da jardineira vendida (não pagamento, imissão na posse).
Trecho do livro São Paulo Nesse Tempo (1915-1935), de Jorge Americano
|