O largo do Piques

A baixada do Piques, que hoje constitui a praça da Bandeira, sempre constou de duas partes muito distintas: o largo do Bexiga (mais tarde, Riachuelo) e o largo do Piques a acalentar o pequenino largo da Memória.

Ao primeiro iam ter as ruas do Bexiga (Santo Antonio) e Santo Amaro, bem como a travessa desse nome (rua do Ouvidor), que levava à rua Nova de São José (Líbero Badaró), não estando ainda abertas as ruas do Riachuelo e Asdrubal do Nascimento.

Confluíam para o segundo as ladeiras de São Francisco e do Ouvidor (rua José Bonifácio), a rua de Santo Antonio (Dr. Falcão Filho), a rua Formosa, a ladeira da Memória e a ladeira do Piques (Quirino de Andrade). Este aranhol de ruas quase totalmente habitadas por italianos era um dos pontos mais movimentados da Capital e importante centro de comércio de fazendas, calçados e couros.

O casario que o cobria não diferia do comum dos outros pontos da cidade e a porção correspondente ao largo do bexiga só apresentava digno de nota os fundos do extinto cemitério do Convento de São Francisco, os derradeiros vestígios do Matadouro Municipal que existiu no morro de Santo Amaro e que havia sido trnsportado para a rua Humaitá, na Liberdade, devido ao mau cheiro que exalava, e a rua do Bexiga, por ser a única via de comunicação entre o bairro do Bexiga e o centro da cidade.

A meia distância dos extremos da rua do Bexiga, na altura da rua Major Quedinho no topo do morro coberto de "barba-de-bode", a Santa Cruz do Bexiga anualmente atraía milhares de pessoas com as suas festas regadas a bandas de música, jogos, quermesses e fogos de artifício.

O largo do Piques diferia imenso do seu vizinho. Atravessava-o a "céu aberto" o Anhangabaú, separando-o do largo da Memória. Nele faziam "piques", isto é, estacionavam as tropas de caipiras provenientes de Santo Amaro e de Pinheiros, quando demandavam a cidade para mercadejar. Preferiam-no por ficar muito próximo do centro; pela facilidade de dessedentarem os animais no tanque formado pelo riacho nos fundos da Padaria da Memória, ao pé do sobrado ocupado pela loja de fazendas do Bahia; pelos tragos de boa pinga que tomavam nos quiosques de dois bojudos portugueses de bigodes fartos e retorcidos.


VOLTA - MEMÓRIA DOS BAIRROS

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