Antigo Largo do Carmo![]() Largo do Carmo, 1927
Bem antes da era dos automóveis, podia-se passear por São Paulo, em diligências sobre trilhos de ferro cuja linha partia de um larguinho desaparecido para dar lugar ao edifício da Secretaria da Fazenda, na avenida Rangel Pestana. Chamava-se largo do Carmo o lugar, e até 1940, quando começou ceder seu espaço ao atual prédio, tinha as mesmas feições do seu passado: uma grande esplanada guarnecida por um paredão, um muro de pedra, que conteve os perigosos deslizamentos de terra, comuns antes de sua construção. No pequeno largo, existiu também um chafariz, removido em 1893. Ao fundo, viam-se a igreja, e o convento do Carmo, cenário de um crime que abalou a cidade de São Paulo de então.
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Junto ao paredão, construído por volta de 1814, pelo engenheiro alemão Daniel Pedro Muller, teria sido rodado, em 1910, o misterioso filme Grito do Ipiranga, dirigido por um realizador, também enigmático, dado como italiano, Carlos Lambertini, e com os atores Cristiano Reis e Pepa Delgado. Ninguém ainda conseguiu comprovar, porém, a existência de tal filme, nem de tal diretor, embora os atores tenham sido ativos participantes da vida teatral da época.
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Vendedoras de peixes do bairro do Pari, “vestidas com suas saias curtas e cobertas com um pequeno xale ou com uma baeta azul, e descalças”, segundo registrou Antônio Egidio Martins, vendiam no largo do Carmo,
entre outras mercadorias, peixes a seis vinténs a cambada, preço que dobrava durante a quaresma.
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