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Depósito de carne verde que virou cinema
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No seu segundo endereço, o Niterói ocupou o prédio do antigo cine Liberdade |
LiberdadeLiberdade — Rua (atualmente avenida) da Liberdade, 38 (antigo). Da firma Lochino & Cia. conhecido também como Liberdade Theatre. Na sua edição de outubro de 1912, segundo relatou Vicente de Paula Araújo em seu livro Salões, Circos e Cinemas de S. Paulo, o jornal O Pirralho narrou que durante a exibição do filme Escrava Branca no Cine Elite da rua Barão de Iguape, também no bairro da Liberdade, retiraram-se indignados no meio da sessão, em protesto contra a pornografia projetada. Talvez porisso o Liberdade, primeiro cinema do bairro, inaugurado a 12 de maio de 1911, começasse a enfatizar em seus anúncios nos jornais "a maior seriedade e respeito". Muitos cinemas gostavam de alardear a sua condição de familiar e de seriedade numa defesa contra a pornografia que realmente campeava nas telas de muitas salas exibidoras. Entretanto, nem os filmes mais ousados do Elite, nem a autoassumida seriedade do Liberdade impediram que ambos logo desaparecessem.São Paulo — No Largo São Paulo, atual Praça Almeida Jr. No caminho do Ipiranga havia um austero casarão. Foi lá que Dom Pedro I e a Marquesa de Santos mantiveram os seus primeiros encontros. No final do século XIX, uma construção menos nobre e com finalidades mais prosaicas do que servir de ninho imperial de amores, substituiu o antigo casarão. Era um depósito de carne verde. O sr. Silvério Morais, em 1911, arrenda o barracão e nele passa a exibir filmes e números de palcos. Uma lei municipal daquele ano autorizou o arrendamento do prédio por 25 anos, a fim de ser transformado em teatro, mas o local funcionou ainda algum tempo precariamente sem quase nenhum melhoramento com relação à sua antiga função. Só três anos depois o prédio pode ser apropriadamente chamado de teatro quando ganhou o nome de São Paulo. Entretanto, durante grande parte de sua vida o Teatro São Paulo funcionou mais como cinema. Depois, voltou a ser esporadicamente só teatro e, ao ser demolido no década de 60 para a remodelação da praça, já estava há algum tempo desativado. Nesta carta, publicada numa edição da revista A Cigarra de 1918 e assinada pela "velha leitora Judex", são apresentados alguns velhos freqüentadores do Teatro São Paulo: "Não afirmaes, freqüentadores, que Hilda é um botão de Vênus? Alice, uma pérola inesquecível? Lina, um verdadeiro bebê? Por que Thereza se entristece tanto quando principia a tocar "Ilusões que passam"? Ernestina é tão constante? Edith é tão graciosa? Por que Décio é tão magro? Araújo tão carrancudo? Elpídio tão querido? Paulino tão assíduo? Agenor tão narigudo? Não é verdade que o Seabrinha e o Sant'anna com a convivência já parecem realmente irmãos? Por que será que o Zezinho desistiu das matinés (noivado?) Fausto é tão fiteiro? e por que eu sou tão indiscreta? Se o sr. redator julgar que estão de acordo as minhas perguntas, queira publicá-las, sim? Capitólio — Rua São Joaquim,119 (antigo), correspondente ao 557 atual. Com capacidade para 3.500 pessoas, foi inaugurado a 12 de junho de 1927. No ano seguinte, a 4 de outubro, realizou um concurso de beleza infantil composto de um júri de senhoras e senhoritas postadas à entrada. Propriedade de Antonio Albino de Oliveira, funcionou até o começo da década de 50. Niterói — Rua da Galvão Bueno, 88-102 e depois Avenida da Liberdade, 631. Na década de 40, filmes para a comunidade japonesa eram exibidos em algumas salas mais desconhecidas locadas por exibidores eventuais. Uma dessas salas pertencia aos Franciscanos e chamava-se Cine São Francisco. Nos dias programados para os filmes japoneses, em frente ao São Francisco, centenas de espectadores ansiosos, devidamente providos de "bentô"(lanche) faziam fila à frente do cinema, localizado na rua do Riachuelo atrás da Faculdade de Direito. Todo esse potencial de público foi canalizado depois para o Niterói do sr. Tanaka, inaugurado em julho de 1953. Com 1400 lugares, o Niterói tinha boas instalações. Nele se formou também um pequeno público fora da comunidade japonesa que apreciava os filmes japoneses, inclusive da produção média que, ao contrário de um ou outro filme mais famoso, não conseguia lançamento nos cinemas comuns. Em 1969, com a construção do Minhocão, o Niterói passou a funcionar onde antes existira um cinema seu contemporâneo, o Liberdade. Jóia — Praça Carlos Gomes, 82. Integrado ao circuito Serrador, logo após sua inauguração no começo da década de cinqüenta, passa depois a exibir filmes japoneses produzido pelo estúdio Toho. Tóquio — Rua São Joaquim, 129. O sucesso do Cine Niterói inspirou a criação de outras casas especializadas em filmes japoneses na Liberdade. A segunda delas foi o Cine Tóquio, em Tohoscope, a versão japonesa das telas gigantes que entraram em moda na época. Seu espaço posteriormente foi ocupado pelo Cine Nikkatsu. Nippon — Rua Santa Luzia, 84. Considerada a mais requintadas das salas especializadas em filmes japoneses da Liberdade. Apresentava filmes de "linha tradicional" e com isso atraia principalmente um público mais maduro. Cada uma daquelas salas tinha, de certa forma, uma especialidade, reflexo do estilo de filmes produzidos pelo estúdio japonês que representava. Álamo - Rua de São Joaquim. Último cinema do bairro a ser inaugurado.
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