Cinema e nacionalismo

O cinema carioca, que já no início da sua história revelou-se muito ativo na produção de filmes com atores, demonstrou especial predileção para contar as histórias de crimes reais. Alguns dos seus títulos dão boa prova disso: Noivado de Sangue, O Caso dos Caixotes, O Hediondo Crime de Paula Matos, A Quadrilha do Esqueleto... Entre 1915 e 1919, período que pode ser tomado como uma primeira fase do seu cinema , São Paulo, porém, inclina-se mais para as adaptações literárias e os filmes históricos. Em 1915, o italiano Vittorio Capellaro realiza Inocência, baseado no livro de Visconde de Taunay. No ano seguinte, ele adapta O Guarani de José de Alencar. Capellaro ainda levará às telas outras obras da literatura brasileira. Da escassa produção paulistana dessa época, o único filme inspirado em crime versa sobre a história de Dioguinho, um salteador do interior paulista cuja vida voltará ser contada no cinema sonoro. Em compensação, predomina uma exaltação nacionalista, embora as fichas técnicas revelem a esmagadora presença de nomes italianos. Outra vez, os títulos falam por si: Tiradentes, Pátria Brasileira, O Grito do Ipiranga, Os Heróis Brasileiros na Guerra do Paraguai... Quanto aos nomes italianos, não é uma característica só do período, mas de todo o cinema mudo paulistano. Curiosamente, apesar da nacionalidade e atividades comuns, esses grupos de italianos que alimentaram o início do cinema paulistano não tinham contatos entre si, atuando isoladamente. E, com exceção de Capellaro e um ou outro ator, as carreiras cinematográficas limitaram-se só a essa primeira fase. Além dos filmes de exaltação nacionalista e das adaptações literárias, os temas regionalistas também marcam presença no período, com duas realizações de um grupo ligado ao Liceu Coração de Jesus. Há referências ainda a filmes que não se sabe se realmente existiram. E nem só os italianos fizeram filmes.


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