Caso Longaretti - Questão do protocolo

Vários incidentes entre brasileiros e italianos marcaram São Paulo nos fins do século XIX, inícios do XX. O "caso Longaretti" foi um deles. A 8 de outubro de 1900, o imigrante italiano Angelo Longaretti, matou um irmão do presidente Campos Salles, cel.Diogo Salles, proprietário da Fazenda Nova Nova América, em Araraquara. O fazendeiro ameaçara a irmã de Longaretti com um pedaço de pau. O assassino fugiu para o mato e, julgado à revelia, foi condenado à pena máxima. Preso um ano depois, recebeu absolvição, sob a alegação de legítima defesa, em três julgamentos. Houve forte campanha na imprensa e polêmicas entre brasileiros e italianos. Longaretti voltou para a Itália, onde morreu em 1960.
Em 1893,ocorreram os conflitos mais sérios entre italianos e brasileiros. Tudo se iniciou com a prisão de um súdito italiano, dentro de um navio italiano. O caso ficou conhecido como o "Protocolo". Eis como Jacob Penteado o narra, no seu livro "Belenzinho 1910". O fato foi envenenado pelo jornal da colônia "Roma", que os nossos estudantes acabaram empastelando. Houve comícios, espancamentos, mortes e feridos, a seguir, principalmente nos bairros do Brás e do Bexiga. O chefe de Polícia, Xavier de Toledo, confiou a manutenção da ordem ao delegado Fausto Ferraz, que prendeu o conde Brichanteau, cônsul da Itália. Este, furibundo, foi tomar satisfação do então presidente do Estado Campos Sales, que o enfrentou com altivez, pondo-o para fora do Palácio. A questão arrastou-se até 1896,quando Prudente de Moraes, presidente da República, assinou o chamado Protocolo, reduzindo a indenização reclamada pelo rei Humberto I. Em 1895, em missão de paz, aqui aportou o contra-torpedeiro "Lombardia", que teve sua tripulação dizimada pela "patriótica" febre amarela. Esses fatos estremeceram bastante as relações entre os dois países, ora tão amigos."



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