O Movimento dos Aposentados e Suas Lutas

Nova Etapa na Seguridade Social

No mesmo o movimento adversos que se apresentava impediu os aposentados e pensionistas organizados pudessem, afinal, dizer que conquistaram uma grande vitória com a aprovação da Câmara Federal e pelo senado das leis de organização da seguridade social, que, após sancionados pelo presidente da república, passaram a vigorar a partir de 24 de julho : leis de seguridade — plano de custeio e plano de benefícios.
Por incrível que pareça, essa grande vitória nada mais foi do que a aprovação de leis orçamento-jurídicas para levar prática aquilo que se havia conquistado na constituição de 1988, isso mesmo, direitos que já existiam, conquistados em 1960, na lei orgânica da previdência social, que o golpe militar de 1 de abril de 1964 aos poucos suprimiu.
É bem verdade que se conseguiram alguns avanços com a derrubada de alguns preconceitos e discriminações históricas, como libertar 12 milhões de trabalhadores da zona rural, que viviam marginalizados, passando a ter tratamento igual aos da zona urbana, como também, as mulheres, eternas dependentes do homem, passam a ter igualmente o homem como seu dependente, além da conquista da aposentadoria aos25 anos.
O movimento adverso, os aposentados e pensionistas enfrentaram já na época da elaboração da Carta Magna, que os obrigou a uma luta árdua. Nessa ocasião, foi montada, como agora, uma verdadeira guerra psicológica contra a Previdência Social, no sentido de desmoralizá-la, através de uma campanha orquestrada, em boa parte, pela Imprensa, dizendo que a previdência estava falida, que não havia dinheiro para pagar os benefícios, e a solução seria a sua privatização, com farta divulgação, escândalos etc. escondendo-se, porém, as sonegações, como agora, de responsabilidade de empresários, governos, Estados, Prefeituras e da própria União. Até setores, do movimento sindical, infelizmente, foram ganhos para esta onda orquestrada de dentro e fora do governo.
Mas, felizmente, o movimento dos aposentados continuou coeso, levando à prática as resoluções de congresso e encontros em nível nacional, em mobilização constante, com atos publico, telegramas, passeatas com paralisação de estradas, caravanas a Brasília. Essa mobilização constante, dos velhos em atividade, sensibilizou a opinião pública, obrigando até senadores e deputados de posições reconhecidamente retrógradas e anti-povo a se colocaram a favor das reivindicações dos aposentados.
Agora, cabe á sociedade defender essas conquistas, principalmente os trabalhadores, contra as investidas que virão pôr aí. Há pouco mais de um mês que as leis estão em vigor, nem sequer aplicadas em sua totalidade, já se fala em mudanças na previdência, usando como sempre a falsa premissa de ajudar o trabalhador de baixa renda. Se estivessem realmente dispostos a isso, tomariam medidas para melhor distribuição de renda nacional, para tirar da miséria os 2 milhões de trabalhadores que recebem de um salário mínimo para baixo, não tendo sequer registro em carteira.
O governo, para manter a previdência sob seu total controle, a fim de continuar manipulando a fabulosa arrecadação da mesma, usando-a para outras finalidades, violentando as leia em vigor, deixou de nomear os representantes aposentados para os conselhos nacionais da seguridade e da previdência social pela COBAP, conforme determina a lei. Por tudo isso, a palavra de ordem é não deixar-se enganar pelo canto da sereia, continuar mobilizados na aplicação, do que foi conquistado, principalmente os trabalhadores na ativa entendam que a seguridade social não é apenas pensão ou aposentadoria, e sim o atendimento da cobertura de atendimento a saúde, Previdência e assistência social, não só quando em atividade, mas, principalmente para si e sua família, no desemprego, na invalidez e na velhice, pois os convênios, de custos fora do alcance da maioria dos assalariados, não resolvem os problemas da grande massa pobre da população.