"Madame Pommery"

Ela mereceu até uma biografia. Exemplo mais bem sucedido das argutas "madames" que elevaram o comércio da prostituição em São Paulo, até então marcado pelo improviso, à condição empresarial mais adequada à metrópole em fermentação, "Madame Sanches" mudou os costumes mundanos da cidade, segundo seu biógrafo.
No livro sobre ela, escrito por Hilário Tácito, "Madame Sanches" aparece com o nome de "Madame Pommery". Nem um, nem outro é real. "Madame Pommery", título também do livro, era como a cidade a chamava, por causa da champanha servida em sua casa. "Madame Sanches" foi de sua própria invenção. Chamava-se realmente, Ida Pomerikowski.
"Madame Pommery" é um livro delicioso. Crônica de costumes, atribui a ascensão de "Madame Pommery" a uma visão empresarial calcada num conceito de marketing. "Madame Pommery" antecipava-se aos desejos dos clientes, estudava sua psicologia, ouvia-os. Na época, faziam sucessos os espetáculos de lutas-livres. Em seu estabelecimento, "Madame Pommery' promoveu lutas livres entre mulheres. "Madame Pommery" usava de certas espertezas, mas que comerciante não o faz?
E assim, "Madame Pommery" enriqueceu, diz o romance. E mais não revela. Entretanto, os jornais insinuavam que no seu requintado estabelecimento, o "Palácio de Cristal", na rua Amador Bueno, um vistoso sobradão, próximo ao Largo do Paiçandu, coração notívago de São Paulo, "Madame Pommery" traficava drogas. Uma de suas pensionistas quase morreu de overdose. Fornecia-lhe a droga, um taxista italiano de apelido Romano. "Madame Pommery", segundo os jornais, protegia Romano.

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