Marquesa de Santos

Na elevação do terreno, erguia-se o casarão "residência solarenga de teto acachapado", nas lembranças de infância do memorialista Afonso A. de Freitas. Foi ali que o olhos de D. Pedro I teriam visto, pela primeira vez, em 1822, a figura da futura Marquesa de Santos e foi só vê-la para apaixonar-se, segundo confessou ele numa carta a ela, três anos depois no lugar, hoje, pça Almeida Jr., bairro da Liberdade, São Paulo, passa o "minhocão).
Domitila de Castro Canto e Melo (o nome civil da Marquesa de Santos) nasceu a 27 de dezembro de 1797, em São Paulo, de uma tradicional família de militares, filha do brigadeiro João de Castro Canto Melo, oficial português. No inicio do Século XIX, a família mudou-se para a Chácara dos Ingleses, na então Estrada São Paulo-Santos, quase no final do caminho percorrido por D. Pedro após o grito da Independência.
O casarão da chácara estava de frente para a estrada. Atras, corriam os limites de outra grande propriedade, a Chácara da Tabatinguera, formada por um ex-governador da Capitania de São Paulo, o Conde de Sarzedas e, naquele tempo, em mãos do seu filho, Francisco de Assis Lorena.
À época de sua mudança para a Chácara dos Ingleses, Domitíla estava casada com o Alferes Felício Coelho de Mendnça, recém-chegado de Minas Gerais. O casal teve um filho, mas logo se separou ,por incompatibilidade de gênios, segundo o registro oficial. A crônica popular, todavia, legou outra versão. De acordo com a história, então, corrente na cidade, é que o Alferes Felício tentara matar a jovem esposa, esfaqueando-a nos músculos da coxa e baixo ventre, pois tomara conhecimento de ligações amorosas entre ela e o dono da chácara vizinha.
Não se sabe como Domitíla e D.Pedro se conheceram. Ainda segundo a história, na sua viagem a São Paulo, da qual decorreu a proclamação da Independência, ele primeiro passou a noite no bairro da Penha a e só na manhã seguinte chegou oficialmente à cidade, encontrando à sua espera uma recepção junto à Ladeira do Carmo (hoje, início da av.Rangel Pestana).
Contudo, neste caso também a memória popular registrou outra versão. Não teria havido o pernoite na Penha e a cerimônia daquele dia fora apenas uma encenação para ocultar o fato de que D. Pedro passara ocultamente a noite anterior na cidade, guiado pelo alferes Francisco de Castro Canto e Melo, irmão da futura Marquesa de Santos.
O alferes Francisco participou dos acontecimentos de 7 de setembro de 1822, como ajudante de ordens de D.Pedro. Logo depois, ele e sua família mudaram-se para Rio de Janeiro, em companhia de Domitília, transformada em favorita da Corte. Em 1823, Domitíla recebeu o título de condessa de Santos, no ano seguinte, a da Marquesa de Santos.
Após a morte de sua primeira mulher, D. Pedro I contratou casamento com D. Amélia Luchtenber e, por decreto de 10 de dezembro de 1828, a Marquesa de Santos e todos os membros de sua família foram intimados a deixar a corte em 24 horas.Com o Imperador, ela teve duas filhas: Maria de Alcântara Bourbon e Isabel Maria, respectivamente as futuras Condessa de Iguaçu e Duquesa de Goiás.
Mesmo depois da expulsão da Corte, ela não perdeu as graças oficiais. A12 de outubro de 1826, seus pais e irmãos tornaram-se gentis-homens da Imperial Câmara. O decreto, comemorativo do aniversário de D. Pedro, atribuiu também a Boaventura Delfim Pereira, avô da marquesa, o título de barão de Sorocaba. Outro homenageado na mesma data, com a sua promoção de tenente-coronel a coronel, foi Francisco de Assis Lorena, o mesmo antigo vizinho que causara o fim do primeiro casamento de Domitíla.
Após a sua volta a São Paulo, a Marquesa de Santos dedicou-se a obras de caridade e já vivia maritalmente com o seu segundo marido, Brigadeiro Tobias de Aguiar, quando com ele se casou em 1841. Depois da morte do brigadeiro, em 1857, ela o substituiu à frente do Partido Liberal da Província, dirigindo com mão pesada os mais disputados pleitos eleitorais. O casal teve quatro filhos. Falecida a 3 de dezembro de 1867, a Marquesa deixou como herança ao filho do seu primeiro casamento, Felício, a última casa em que morara, ainda existente no Pátio do Colégio, em São Paulo. Dois anos depois, Felício também morreu e o prédio foi a leilão, quando a Cúria Metropolitana arrematou-o para a sua sede. Hoje o prédio é uma repartição pública municipal.


BECO DA QUERELA - SÃO PAULO ANTIGO

Esta página foi produzida por Maturidade Vídeo e Editora