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Feminista, antes do feminismo
De tradicional família paulistana, d. Veridiana Prado sofreu ameaças de morte por sua independência

"Uma mulher já é bastante instruída, quando lê correntemente suas orações e sabe escrever a receita da goiabada", dizia-se na época. Nascida em 1826, numa tradicional família paulistana, dona Veridiana Prado fez questão de ignorar o preceito, escandalizando seus conterrâneos com uma vida plena de atividades intelectuais e atitudes que a lançaram na história como uma das pioneiras do feminismo no Brasil.
Dona Veridiana era filha de Antonio da Silva Prado, o Barão de Iguape, um dos paulistanos mais ricos do seu tempo. O barão aproveitou uma pequena herança deixada pela mãe para, aos 17 anos, montar um negócio de vendas de burros. Viajou a trabalho, durante dez anos, pelos sertões da Bahia e de Goiás e quando voltou a São Paulo multiplicara por várias vezes a pequena fortuna familiar herdada.
O Barão ficara órfão de pai logo cedo, mas sua mãe não demorou a casar-se novamente com um cunhado e teve vários outros filhos. Ele ganhou assim, ao mesmo tempo, vários meios irmãos, que eram também seus primos.
Chocando a cidade
Quando sua filha Veridiana completou 13 anos, o Barão resolveu arrumar-lhe um marido. E a escolha recaiu sobre um daqueles meio-irmãos-primos, Martinho Prado, quatorze anos mais velho que a futura esposa. A união tornou assim o Barão de Iguape, sogro do seu primo meio-irmão e avô materno e tio paterno dos futuros filhos do casal.
Não se sabe se a jovem Veridiana concordou ou não com o arranjo, mas a sua opinião evidentemente nada poderia influenciar, naquele momento, o desenrolar dos fatos. Quando, porém, os seus filhos chegaram à idade adulta, ela chocou a cidade com uma escandalosa decisão: resolvera separar-se.
Assumiu a chefia da família
E, para a boca do povo, o pior ainda estava por vir. Invertendo o rígido sistema patriarcal vigente, ela resolveu encarregar-se da educação dos filhos, ao assumir a chefia da família. Sua nova residência, um casarão ainda hoje existente na rua paulistana que tem o seu nome, virou também um ponto de encontro para reuniões sociais e intelectuais.
Diante de tantas ousadias, alguns passaram do falatório para as ameaças de morte. Dona Veridiana não se intimidou. Continuou com as suas atitudes de desafios, como a de andar sozinha pelas ruas quase até sua morte em 1909, aos 83 anos.
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