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A cidade dos mestre de obras
Depois de formar-se pela Faculdade de Direito do largo S.Francisco Alfredo Moreira Pinto ausentou-se de S.Paulo por trinta anos, de 1870 a 1900. Na sua volta, ele escreveu estupefato, num livro que publicou: "Era então S.Paulo uma cidade puramente paulista, hoje é uma cidade italiana"
Beirais
R. da Boa Morte, 1860 Durante a ausência de Moreira Pinto, São Paulo se transformara como resultado da imigração italiana, que modificara radicalmente as suas feições arquitetônicas. O que ele chamava de "cidade puramente paulista" era ainda um burgo marcada por casinhas baixas com telhados prolongando-se além dos prumados das paredes, os pitorescos beirais entremeados por sobradões mais raros. O que ele chamava de "cidade italiana" era já um ensaio de metrópole, com as casinhas de beirais substituídas pelas construções geminadas dos mestres de obras italianos.
Os mestres de obras
Muitos dos imigrantes, premidos pela necessidade, construíam eles próprios a sua moradia. Alguns, porém, já tinham certa experiência em construção e se tornaram autênticos mestres de obras dirigindo pedreiros e outros operários em obras encomendadas. Para os que alcançaram maior renome, havia encomenda inclusive de construções mais importantes.
Formação
R. Brigadeiro Tobias, 1862
Vieram mestres de obras com formação mais elaborada. Sobre eles, estendia-se a duradoura influência de Jacopo Barozzi Vignola, arquiteto e teórico italiano que a partir do século XVI tornara-se a base dos estudos acadêmicos na Europa. Os mestres de obras substituíram os acolhedores beirais das casinhas paulistanas pelos frontões clássicos e de platibanda (moldura larga, não muito saliente).
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