A cidade de São Paulo em 1900

Alfredo Moreira Pinto

Aspecto da Cidade

S. PAULO fica aos 23º 33' de latitude e 3º 28' de longitude Oeste do Rio de Janeiro, a 759 metros de altura, à margem esquerda do rio Tieté e estendendo-se pelas encostas dos morros que medeiam entre este rio e seu afluente o Tamanduatehy. Mostra um relevo cheio de acidentes, bastante desigualdade de nível entre suas diferentes partes, e grandes extensões vazias dentro de um perímetro irregular e incerto. Propriamente o coração da cidade, a parte antiga, está assente sobre o espigão intermédio aos dois rios Tieté e Tamanduatehy. .Circunda - se pela parte de Leste extensa várzea, margeando o lado direitoo do Tamanduatehy, além começa o terreno a elevar-se a pouco, até que no fundo do quadro se avistam perfiladas no horizonte as cumiadas da canteiras.
Dista 496.000 kilometros do Rio de Janeiro pela Estrada de Ferro Central do Brasil, é ligada a Santos e a Jundiahy pela Estrada de Ferro Ingleza e a S. Roque, Sorocaba e as outras cidades do Estado pela Estrada de Ferro Sorocabana.
Para quem desembarca na estação do Norte, da Estrada de Ferro Central do Brasil, o aspecto da cidade não impressiona bem. Com efeito, o viajante depara logo com o Braz, arrabalde muito populoso, mas que não prima pelo asseio, nem pela beleza de seus prédios particulares; depois passa pôr uma extensa várzea, muito maltratada, da qual avista a cidade em um alto com os fundos das casas voltadas para o viajante.
Depois de atravessar uma ponte que há sobre o Tamanduatehy, o viajante penetra na rua Florêncio de Abreu, que liga o bairro da Luz ao centro da cidade.
Na cidade velha há maior desigualdade nas edificações e nos arruamentos . As casas são umas altas e outras baixas, não obedecendo a um plano estético, as ruas sinuosas, estreitas e quase todas em ladeira, os largos muitos estreitos e irregulares. Entretanto o aspecto da cidade não é feito, sente-se nela a vida e a animação das grandes cidades européias .
A rua Quinze de Novembro, a de S .Bento, a Direita ou Marechal Floriano e o largo do Rosário recomendam-se pela sumptuosidade de seus prédios, pela febril circulação de milhares de indivíduos e pela infinidade de importantes casas commerciais de que dispõem . Todas elas são atravessadas por numerosos bondes, que transportam passageiros aos bairros mais próximos e mais afastados, percorridos por faustosos trens particulares, pôr muitos carros de aluguel e pôr centenas de outros veículos, que ocupam-se em vários ministérios .
Da rua Direita parte um belo viaduto (do Chá) até a rua Barão de Itapetininga, com 240 metros de extensão e largura de 14 metros, percorrido pôr bondes e oferecendo dos dois lados esplendidos panoramas.
Para além dos quatros pontos cardeais estendem-se lindíssimos bairros com ricos palacetes, avenidas e alamedas largas e extensas como a Paulista, a Glette, a Nothman, dos Bambús, do Triumpho, Barão de Piracicaba, Tiradentes, Rangel Pestana esta ultima no Bráz, bonitos boulevards, como o Burchard, praças e largos vastos e arborisados como a da República, com a Escola Normal, o do Paysandú, o dos Guayanazes e o do Arouche; nas ruas, umas largas e planas, outras estreitas e ladeiradas, todas caprichosamente calçadas, como a do Barão de Itapetininga, Conselheiro Nebias, Aurora, S . João, Visconde do Rio Branco, Guaynazes, além de muitas outras.
A cidade e arrabaldes são iluminadas à gás e à luz elétrica, abastecidos de excelente água derivada da serra Cantareira, possuindo também um bom serviço de esgotos. Seus principais edifícios são: o Palácio do Governo, Secretaria do Interior e o Archivo, em seguimento ao Palácio do Governo, a Secretaria da Justiça e Polícia, Secretaria da Agricultura, inaugurada a 13 de abril de 1896, o Thesouro do Estado, o Paço da Intendência, o Tribunal do Juyi e o Diário Official, o Correio, defronte do Palácio do Governo, a Praça do Comércio e a Bolsa, o grandioso e bello edifício da Escola Normal, as duas Escolas Modelos da Luz e do Braz, o Paço da Assembléia, o Quartel da Luz, o Quartel Federal, no alto de Santa Ana, o Monumento do Ipiranga, o Hospital de Isolamento, a Biblioteca Pública, Faculdade de Direito, o Gimnásio, a Escola Politécnica, a Santa casa da Misericórdia, a Hospedaria de Imigrantes, as estações das estradas de ferro Central do Brasil e Inglesa, o Gazometro, o Laboratório Farmacêutico e Diretoria do Serviço Sanitário, o Instituto Vaccinico no Cambucy, as egrejas da Sé, S. Pedro, S. Gonçalo Garcia, dos Remédios, de Santo Antônio, da Ordem Terceira do Carmo, de S. Francisco, S. Benedito, de N.Sª. da Conceição, no Seminário Episcopal, da Boa Morte, da Ordem Terceira da Carmo, com o túmulo do Dr. Gabriel Rodrigues dos Santos, da Consolação, da Santa Ephigênia, de Santa Cecília, da Imaculada Conceição de Maria, do Braz da Penha, de N.Sª. da Glória, no Cambucy, o Santuário do Sagrado Coração de Jesus, na alameda Glette, a capela da Imaculada Conceição de Maria, no bairro de Santa Cecília e à cargo das irmãs de S .José, o Recolhimento de Santa Thereza, o Mosteiro de S. Bento, o Convento da Luz, o Palácio Episcopal, a Igreja Presbiteriana, na rua Visconde do Bom Retiro, o Seminário Episcopal, no bairro da Luz, o Hospital da Beneficência Portuguesa, a Maternidade a Polyclínica, etc.
Tem importantes instituições e sociedades literárias, de beneficência e recreativas, sobretudo entre as primeiras o Instituto Histórico Geográfico, e entre as segundas o Asilo para mulheres indigentes sob a direção das freiras de Santa Thereza e do Orfanato de N. Sª. da Luz e fundado pôr monsenhor Ezequias Galvão da Fonseca; importantes livrarias como a Garraux e a Laemmert; importantes estabelecimentos bancários, tais como o Banco Alemão, o Banco União de S. Paulo, o London and Brazilian Bank, o Banco Comércio e Indústria,o Banco Construtor e Agrícola de S. Paulo, o Banco de Santos, o Banco dos Lavradores, o Banco de S. Paulo e o Banque Française du Brèzil; importantes palacetes particulares, entre os quaes os dos doutores Antônio Prado e Elias Chaves, Barão de Tatuhy, Marques de Itú e de D. Veridiana Prado; os importantes edifícios das fábricas de cerveja Bavária e Antárctica, das fábricas de tecidos da cidade, do Braz e do Bom Retiro, da Companhia Mecânica e Importadora, da fábrica de móveis Santa Maria, da de chocolate e confeitos na Villa Prudente ; magníficos hotéis, entre os quaes o Grande Hotel Paulista, o de França, o do Oeste, o da Boa Vista e o Rostisserie. Possui ainda S. Paulo importantes jornais diários, tais como: o Correio Paulistano, o mais antigo, o Estado de S. Paulo, o Commércio de S. Paulo, o Diário Popular, a Platéia, a Fanfulla, a Tribuna Italiana além de outros; importantes estabelecimentos de ensino, públicos e particulares, tais como e Escola de Pharmacia, inaugurada em 2 de fevereiro de 1899, o Asilo de Orfãs de N. S.ª Auxiliadora, o Orfanato Christovão Colombo, o Instituto D. Ana Rosa, o Liceu de Artes e Ofícios, o Seminário das Educandas, o Ginásio, a Escola Modelo Ceatano de Campos anexa à Escola Normal, a Prudente de Morais, na Luz, a Maria José no bairro da Bela Vista (Bexiga), uma no Braz e outra na rua do Carmo; Grupos Escolares no Braz, um do norte, e outro do Sul, um em Santa Efigênia e um do Sul da Sé ; belo Jardim Público, criado pôr Aviso Régio de 19 de novembro de 1790, mas concluído somente em 1825 a esforços do primeiro presidente da província Lucas Antônio Monteiro de Barros, visconde de Congonhas do Campo, que o facultou ao receio público ; os cemitérios da Consolação, do Araçá e do Braz; o Matadouro; os Mercados do Braz ; na praça da Concórdia e a Várzea do Carmo; o Hippodromo, diversos frontões, o teatro Sant'Anna, a estátua de José Bonifácio, na frente da rua de S. Bento e uma coluna de granito, mandada construir pelo paulistas à memória dos soldados do 1º Batalhão mortos nos sertões de Canudos . De S. Paulo partem as estradas de ferro Central do Brasil, Ingleza, Sorocabana, Cantareira, e de S. Paulo a Santo Amaro.
O município compreende os seguintes bairros: Campos Elisios, Consolação, Luz, Santa Ephigenia, Bela Vista, Cambucy, Ipiranga, Vila Buarque, Liberdade, Glória, Braz, Mooca , Pary, Belemzinho, Água Fria, Lageado, Cachoeira, Carandirú, Juquerymirim, Barra Funda, Palmeiras, S. João Climaco, Guanabara, Imigração, Marco de Meia Légua, Maranhão, Duas Barras, Água Branca, com uma importante fábrica de vidros, Vila Marianna, Perdizes, Vila Prudente, Penha e muitos outros.
Todo município tem 250 .000 habitantes.
Na cidade de S. Paulo nasceram Diogo Antônio Feijó, o poeta Alvares de Azevedo, o Dr. Gabriel José Rodrigues dos Santos e o Dr. João Chrispiano Soares.
Começarei a descrição da cidade pelo templos que ela possui.

Igrejas

É a segunda egreja que foi edificada no mesmo local da primeira matriz. Foi começada a construção à custa de esmolas dos fiéis, a 5 de abril de 1745, sobre a direção do ultimo vigário colado da paróquia, Matheus Lourenço de Carvalho, em cuja administração, já como arcediago da diocese, no ano de 1754, foi construído o frontispício. Substituído na administração das obras o cônego Domingos João Vilarianho, mas passaram-se alguns anos sem que fossem concluídas até que pôr Alvará de 20 de fevereiro de 1756 foi concedida a quantia de trinta mil cruzados dos cofres reais para a reedificada com as atuais proporções.
Ao finado bispo D. Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade deve-se a construção da casa do cabido e outros melhoramentos realizados no começo do presente século.
Fica no largo da Sé ao lado da egreja de S. Pedro.
A frente apresenta um aspecto sombrio e triste; é baixa e sem arquitetura.
Tem quatro janelas, uma torre do lado direito e abaixo desta um relógio. Seu interior é modesto.
Na capela tem seis tribunas, dois camarins e um altar com um quadro representando N . Sª. da Conceição e aos lados S. Pedro e S. Paulo. Ali ficam 18 cadeiras para os cônegos do cabido e 14 para os capelões.
No corpo da egreja, cujo teto é ricamente pintado pôr Almeida Junior, existem cinco tribunas, dois púlpitos e cinco altares de N. S. das Dores, S. João Nepomuceno, S. Miguel, Coração de Jesus e da Sagrada família.
Adiante deste ultimo altar fica a rica capela do Santíssimo Sacramento com um altar e sobre este um painel representando a Augusta Trindade Divina e seis tribunas.
A um dos lados da egreja fica a sacristia com um altar e nele a imagem de Santa Ana.

S. Pedro

Começaram a sua edificação os padres Ângelo de Siqueira e Francisco Alves Calheiros, naturais de S. Paulo, com provisão do bispo D. Fr. Antônio de Guadalupe, datada de 7 de novembro de 1740, e escritura de dote em bens de raiz, datada de 8 de maio de 1745 pelo dito padre Ângelo de Siqueira. Antigamente a irmandade deste santo esteve na Matriz, hoje Sé. Está situada no largo da Sé e ao lado da Catedral. Suas paredes enegrecidas dão-lhe um aspecto lúgubre.
Tem duas torres, cinco janelas e três portas.
O interior é paupérrimo.
Tem a capela-mór com quatro tribunas e um altar com S. Pedro e S. Paulo. No corpo da igreja ficam quatro tribunas, dois púlpitos e dois altares com Santo Antonio e São Francisco.

S.Francisco

Foi autorizada a fundação deste convento pôr alvará de 29 de novembro de 1624, porém só começou a edificação em 1639, depois de examinados pelo custódio Fr. Manoel de Santa Maria o local e os recursos que os moradores ofereciam.
De volta à Bahia, o custódio Fr. Santa Maria reuniu o cabido a 6 de agosto do mesmo ano e nele resolveu-se a fundação do convento, nomeado pôr essa ocasião para prelado fundador Fr. Francisco dos Santos, que chegou a Santos a 25 de janeiro de 1640, acompanhado de Fr. Manoel dos Mártires, Fr. Salvador do Nascimento, Fr. Pedro da Piedade, Fr. João da Luz, sacerdotes, e os irmãos leigos, Simão de Salvador e José de Santo Antônio. Estes recolheram-se à ermida de Santo Antônio da então Vila de S. Paulo e nela praticaram os ofícios divinos, até que a 17 de abril passaram-se para a casa, que junto à ermida estavam edificando com auxílio de moradores, distinguindo-se entre eles o vigário Manoel Nunes, que já tinha promovido sua finta para as despesas de viajem dos frades, paramentos, sinos, livros, panos para burel, etc.
Em 1643, vindo de S. Paulo o 2º custódio Fr. Francisco das Neves e não julgando conveniente o local (que parece ter sido nas imediações da atual egreja de Santo Antônio), determinou a mudança para o que hoje existe.
A segunda construção, porém, parece que só começou em 1644 porque a expulsão dos jesuítas (em julho de 1640) dando lugar às controvérsias e à perturbação do sossego público, envolveram nelas o prelado Fr. Francisco dos Santos, que foi acusado pelo jesuíta de haver feito causa commum com a Câmara e povo de S. Paulo . Esta querella determinou a paralysação da obra até 1644.
Este edifício foi evacuado pelos religiosos, pôr exigência do Governo, desde 1828, tempo em que foi instalada a Faculdade de Direito, que até hoje ali funciona.

S. Gonçalo Garcia

Os devotos da imagem deste santo, que existia em um altar da egreja de Santo Antônio, obtiveram do bispo D. Fr. Antônio da Madre de Deus Galvão provisão datada de 20 de setembro de 1756 para erigir uma capela separada.
Foi assim que começou no antigo largo da Cadeia, pelo ano de 1757, a edificação da atual egreja à expensas dos devotos (memória inédita pelo cônego Leão José de Senne )
Está situada no largo municipal, ao lado da Assembléia.
Tem cinco janelas de frente, a porta central e duas laterais; não tem torres. Seu interior é bem ordenado, os altares, os púlpitos e as tribunas são dourados. No presbyterio, abaixo da cúpula, fica o altar-mór com a imagem da Conceição no centro e aos lados S. Gonçalo e Santo Inácio de Loyola .
No corpo da egreja tem seis tribunas, dois púlpitos e dois altares com S. José e o Sagrado Coração de Jesus.
Na friza do tecto, ao lado da epístola, lê-se: "Signum magnum apparavit coelo mulier amicta sole et luna" e do lado do evangelho, "Sub pedibus ejus et in capite ejus corona stellarum dudodecim.
Na sachristia há um altar com as imagens da Conceição, Senhora da Boa Morte e Senhora do Parto.
À esquerda da egreja fica a capela da Senhora das Dores.

Remédios

Foi fundada como capela, sob a invocação de S. Vicente, em 1724, pelo coronel Sebastião Fernandes do Rego, quando se achava preso na cadeia pôr crimes em que esteve envolvido, e por cujo livramento fez voto de erigir a capela.
Caindo porém, em decadência, posteriormente encarregou-se dela a Irmandade da Misericórdia em 1747, com aprovação do bispo D. Bernardo Rodrigues Nogueira.
Anos depois foi reedificada, ampliando-se as proporções que ora tem e com a invocação de N. Sª. dos Remédios, ficando desde então à cargo da respectiva irmandade.
Nela está instituída a confraria da mesma Senhora, cujo compromisso foi aprovado pôr lei provincial de 9 de fevereiro de 1836.
Fica no largo Municipal, defronte do paço da Assembléia.
Tem na frente três sinos, em meio dos quais fica um mostrador, cinco janelas, a porta central e duas laterais.
O interior é muito pobre.
Tem a capela-mór com cinco tribunas, um camarim e um altar com a Senhora dos Remédios.
No corpo da egreja há seis tribunas e dois altares com S. José e o Senhor Bom Jesus.
Na sacristia há um altar com outra imagem da Senhora dos Remédios e no corredor, em frente a ela, também um altar com o Senhor Crucificado.

Rosário

Foi começada com o capital de 10.000 cruzados granjeados pôr esmolas pedidas nas Minas Gerais pelo ermitão Domingos de Melo Tavares, o qual foi nomeado perpétuo administrador das obras da egreja pôr provisão do bispo D. Fr. Antônio de Guadalupe datada de 5 de novembro de 1745.
Cerca de 10 anos antes já existia uma pequena e pobre capela, sustentada pelo devotos e nela foi criada a irmandade de N. Sª. do Rosário dos homens pretos.
Fica situada no largo do seu nome, formando um ângulo. A frente fica voltada para a rua Quinze de Novembro. Tem quatro janelas, uma torre do lado esquerdo, abaixo da qual há uma janela, e duas portas.
Na face voltada para o largo do Rosário há uma porta, que dá entrada para a sacristia, e acima dela uma janela.
O seu interior é feio e muito enegrecido.
Tem a capela-mor com seis tribunas e um altar com um painel de N. Sª. do Rosário e aos lados S. Roque e Santo Antônio.
No corpo da egreja há quatro tribunas, dois púlpitos e dois altares :em um ficam o Bom Jesus da Prisão, Santa Efigênia e Santo Elesbão; em outro o Sagrado Coração de Jesus.
A' esquerda da egreja fica a capela do Bom Jesus da Pedra Fria e à direita a sacristia com um altar de N. S. das Dores.

Santo Antônio

Foi edificada em 171. No mesmo lugar existiu, pôr longos anos antes, uma capela que serviu de Matriz durante os concertos da que então existia, mas que com o tempo caiu em ruínas.
E a tradição que a origem dessa capela foi o fato de haverem os frades franciscanos dado ai começo ao convento de sua ordem, sob a invocação de santo Antônio, abandonado logo para construir o que hoje existe sob a invocação de S. Francisco; porém esta tradição fica destruída pelo testamento de Afonso Sardinha, que é anterior ao estabelecimento da Ordem Franciscana em S. Paulo.
As obras da atual egreja, depois de começadas, caíram também em decadência até que à esforços do bispo D. Bernardo Rodrigues Nogueira tiveram novo impulso. A irmandade de N. Sª. do Rosário dos Homens Brancos foi nela crida, em1724, pôr Fr, Antônio de Padua, missionário apostólico.
Fica este templo na rua Direita.
Está sendo reconstruída a sus fachada, que é bonita, tendo três janelas e três portas. A torre fica no centro. Deve-se a sua reconstrução à Baronesa de Tatuhy.
Na capela-mor tem quatro tribunas e um altar com Santo Antônio. No corpo da egreja ficam dois púlpitos e dois altares, um com a Senhora da Piedade, S. João e Santa Maria Madalena, e outro com a Senhora do Rosário, S. Domingos e Santa Catarina.
À esquerda fica a capela funda de Santa Rita.

Ordem Terceira de S. Francisco

No largo de S. Francisco, do lado direito da egreja de S. Benedito.
Seu interior é nobre, tem muitas obras de talha, ricos altares e bonitas imagens. No presbyterio fica o altar mor com S. Francisco, seis tribunas e quatro retábulos representando duas visões de S. Francisco: a vestição, quando S. Francisco toma o hábito, e S. Francisco morto.
Pôr debaixo do zimborio ficam dois altares, de N. S. das Dores, do lado do Evangelho, e S. Luiz do lado da Epistola. À esquerda existe a rica capela da Conceição com quatro retábulos.
No corpo da egreja ficam seis altares: à direita Santo Antônio, Santa Margarida e Santa Isabel e à esquerda Santo Antonio do Noto, Santo Ivo, padroeiro dos advogados, e a Divina Justiça. Tem seis tribunas.
Na entrada da egreja há quatro retábulos de Santa Isabel, rainha da Hungria, B. Humiliana, viuva, S. Roque e B. Gualther, bispo de Treveri .

S. Benedito

Antigamente de S. Francisco . Fica no largo deste nome, entre a Faculdade de Direito e a Ordem Terceira e em frente à estátua de José Bonifácio.
E' menos rica que a de Ordem Terceira, porém maior.
Tem a capela-mor com seis tribunas e um altar com S. Benedito e S. Francisco. No corpo da egreja ficam seis tribunas, um púlpito e dois altares, de N. Sª. da Conceição e Santo Antônio.
Na sacristia há um altar com a Senhora das Dores e um S. Benedito. No alto da adro lê-se a data de 1789.

N. Sª. da Conceição

No seminário Episcopal, no arrabalde da Luz e largo do Jardim.
A egreja é um templo que não se recomenda pelo sei exterior. Tem cinco janelas de frente, não possuindo torres.
A capela-mor, que repousa sob cúpula sustentada pôr quatro arcos, tem um altar com a Senhora da Conceição e S. Francisco de Sales . Em uma urna que fica nesse altar existem a relíquia e insígnias de Santa Felicidade, oferta de Pio IX.
No corpo da egreja ficam cinco tribunas de cada lado, um púlpito e dois bonitos altares gothycos, um de N. S. das Dores e outro de S. José.

Boa Morte

Na rua do seu nome, canto da do Tabatinguera.
Tem cinco janelas de frente, a torre à direita, a porta principal e duas laterais. O seu interior não tem ornamentação digna de menção.
Possui a capela-mor com seis tribunas, e um altar com a senhora da Piedade e N. S. da Conceição.

Ordem Terceira do Carmo

Fica no largo do seu nome, ao lado do Convento.
Tem cinco janelas e um adro com três portões de ferro e duas portas laterais . Seu interior é bem ornado.
Tem a capela-mor com seis tribunas e um altar com a rica imagem de N. Sª. do Carmo e dos lados Santa Tereza e S. João da Cruz.
No corpo da egreja ficam seis tribunas, dois púlpitos, seis altares dos Passos com o Sagrado Coração de Jesus e S. José, quatorze quadros da Via Sacra e oitenta para o estudo do Catecismo.
No teto há uma pintura, tendo no centro a Virgem e dos lados os principais santos da Ordem.
Possui um coro com um magnifico órgão alemão.
A sacristia tem uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, um retábulo de Santa Teresa e um altar com três, de Nossa Senhora das Dores, S. Francisco e S. Vicente de Paula.
Orna-lhe o teto uma pintura representando Santa Verônica.
Ao lado da sacristia e pôr baixo do consistório fica a sala dos jazigos com um altar do Senhor da Coluna. No teto existe um quadro representando a ressurreição de Lázaro.
Entre os jazigos que ali existem nota-se o do Dr. José Rodrigues dos Santos.
No consistório há um altar com uma bela imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo Crucificado. No alto de uma de suas portas lê-se a data de 1804.
Na capela do Noviciado há um altar com a Senhora do Carmo, Santa Teresa e S. João da Cruz.
É a egreja iluminada a gás. Segundo se lê nos anos da Ordem, foi passada a patente autorizando a criação das Ordens Terceiras do Carmo no Brasil em 26 de janeiro de 1587. Devido, porém, a diversas causas, a instalação da primeira Ordem Terceira só pode efetuar-se no Rio de Janeiro em 1648, sendo provável que mais ou menos dessa época date também a de S. Paulo.

Santuário do Sagrado Coração de Jesus

Está situado na alameda Glette, nos Campos Elysios.
E' um vasto templo de estilo da Renascença com três portas de entrada e três janelas, tendo em cima a torre, atualmente com 56 metros de altura, mas que deverá ficar com uns 64 metros, quando se colocar no ápice a estátua do Coração de Jesus.
Na torre ficam quatro anjos embocando quatro trombetas, representando o juízo final, abaixo cinco sinos e abaixo destes um relógio de mecanismo duplo. Aos lados estão as estátuas de Santo Agostinho e de São Francisco de Sales.
O interior é de uma magnifica e extraordinária, de uma imponência grandiosa e de uma riqueza excepcional : tem o aspecto de uma Catedral.
Possui belas e ricas pinturas no teto do corpo da egreja e na cúpula do presbítero, naquele há uma aparição do Salvador à bem-aventurada Maria Alakoc e nesta Nosso Senhor Jesus Cristo Crucificado.
O altar-mor está assentado acima de uma cripta subterrânea com um altar de mármore, da maior riqueza e do maior gosto artístico.
No corpo da egreja há três naves, uma central e duas laterais separadas daquela pôr oito colunas de cada lado, fingindo mármore.
Tem atualmente sete altares de mármore.
E um templo grandioso, pouco inferior à matriz de Campinas e pouco superior à matriz de Lorena, com a qual se assemelha em seu interior. É maior, porém não tem a graça da egreja de S. Benedito desta ultima cidade.
Não sofre confronto com muitos outros templos de S. Paulo.

Consolação

Na rua do seu nome . Tem duas torres, cinco janelas de frente a porta principal e duas laterais.
O interior é singelo.
Tem a capela-mor com seis tribunas e um altar com as imagens de N. Sª. da Consolação, Sagrado Coração de Jesus e S. João e aos lados S. José, S. Francisco, o salvador e S, Paulo.
No corpo da egreja há quatros tribunas, dois púlpitos e dois altares com Bom Jesus de Pirapora e Santa Ana. Acima destes altares ficam uns enfeites bastantes ridículos.
Ao lado da capela-mor e a esquerda fica a capela das Dores e na frente desta a sacristia com um belo quadro representando o casamento de Maria com José, cópia de Raphael . Ao lado direito da capela-mor fica uma outra sacristia com uma imagem da Conceição.
Na pia batismal há um altar com três pequenas e grosseiras imagens, entre as quais a de Santa Apolônia, advogada dos dentes.
Na entrada da egreja e em frente à pia batismal há um nicho com Santa Luzia, advogada dos olhos.
A egreja e fica situada numa pequena elevação e desviada da rua.

Santa Iphigenia

Situada no largo do seu nome . tem cinco janelas de frente e a torre do lado esquerdo.
Seu interior é de uma simplicidade que agrada ; os altares são de gosto.
Tem a capela-mor com um altar de N. S. da Conceição, padroeira, e as imagens de S . Vicente de Paula e Santo Antônio. Ficam ali três tribunas do lado direito e três vidraças em forma de tribunas do lado esquerdo.
No corpo da egreja há quatro tribunas, dois púlpitos e dois altares, sendo o do lado do Evangelho dedicado ao Sagrado Coração de Jesus e do lado da Epistola a N. S. das Dores, havendo também neste altar as imagens da Sagrada Família e do Senhor do Bom Fim.
A esquerda da capela-mor fica uma capela com S. José, no centro, e S. Luiz Gonzaga e o Sagrado Coração dos lados, e a direita a sacristia.
A atual egreja foi construída em 1794 e nela celebrou-se a primeira missa em janeiro de 1795. Seis anos depois que foi celebrada a missa na capela, o príncipe Regente autorizou a irmandade de Santa Iphigenia e Santo Elesbão, erecta em 4 de novembro de 1758 pôr Provisão de Fr. Antônio Galvão e que funcionava na egreja de N. S. do Rosário dos Homens Pretos, a transferir-se para a respectiva capela pôr uma Provisão de 13 de fevereiro de 1801.
A criação da freguesia teve lugar oito anos depois que a irmandade se instalou na capela de Santa Iphigenia, nome que depois se estendeu a todo bairro.

Santa Cecília

No meio do largo do seu nome, tendo em frente a pobre capelinha de Santa Cruz . É um templo modestíssimo, com um só altar.
Está em construção na frente a nova Matriz, que promete depois de concluída, ser um dos melhores templos da cidade.

Capela da Imaculada Conceição de Maria

No bairro de Santa Cecília, aos fundos da egreja da Imaculada Conceição de Maria, a cargo das irmãs de S. José e pertence à Pia União das Filhas de Maria.
Tem 32 metros de comprimento e 11 de largura, um sino no meio, uma porta e duas janelas.
Seu interior é bem decorado.

Egreja do Imaculado Coração de Maria

Anexa à casa do Imaculado Coração, à qual é unida pôr uma ala de 10 janelas nos dois pavimentos com dois salões de 20 metros de comprimento sobre sete de largura, onda destinam os missionários fundar um externato.
No canto da rua fica o corpo principal com três andares, tendo no primeiro quatro janelas e uma porta e em cada um dos outros seis janelas; ao lado onze janelas no primeiro e segundo andares e dez janelas e uma porta no primeiro.
Foi fundada pôr D. Joaquim Arco Verde, quando Bispo de S. Paulo, tendo sido lançada a primeira pedra a 1 de junho de 1895.
Está situada no planalto da rua Dr. Jaguaribe, no bairro de Santa Cecília.
Os missionários chegaram ao brasil em novembro de 1895 e foram alojados provisoriamente na egreja da Ordem Terceira de S. Francisco, até que no mês de janeiro de 1897 passaram a ocupar a sua nova residência.
São seis padres e quatro irmãos coadjutores.
Tem eles pôr fim principal curar dos enfermos da Santa Casa e fazer missões no interior do Estado.
A egreja tem 48 metros de comprimento sobre 22 de largura. É do estilo composito.
Na fachada tem duas torres, no centro da imagem do anjo do Brasil e aos lados S. Pedro e S. Paulo.
No semi-circulo a Glória representando o Coração de Maria adornado pôr anjos e abaixo a inscripção — Refúgio dos Pecadores. Na entrada um adro amparo de quatro colunas.
No seu interior possui, no cruzeiro, um cúpula de 40 metros de altura, acima da qual está colocada a imagem do Coração de Maria, com quatro metros de altura. Tem, além do altar-mor, mais oito altares.
Nela devem ser conservados os restos encontrados nas sepulturas da antiga egreja do Colégio.
Está ainda em construção

Braz

É uma egreja velha, situada na Avenida Rangel Pestana em frente à Escola Modelo . Tem cinco janelas de frente, três portas e a torre do lado esquerdo.
Seu interior é feio.
Tem a capela-mor com quatro tribunas e um altar do Senhor Bom Jesus de Matosinhos.
No corpo da egreja há quatro tribunas, dois púlpitos e dois altares, um de S. Joaquim e outro do Sagrado Coração de Jesus.
Foi erecta em freguesia pôr Alvará de 8 de junho de 1818, o qual é o seguinte: "Eu El-Rei como governador e perpétuo administrador que sou do mestrado, Cavalaria, e Ordem de N. S. Jesus Cristo, faço saber que atendo ao que pôr consulta da mesa Consciência e Ordens subiu à minha real Presença. Hei de bem erigir em freguesia colada a Capela do senhor Bom Jesus dos Matosinhos, filial da freguesia da Penha de França do Bispado de S. Paulo, desmembrando desta freguesia, e da de Sé o território que lhe há de ficar pertencendo. Pelo que mando ao Reverendo Bispo de S. Paulo do meu conselho que designe a esta nova freguesia os limites, que forem mais convenientes.
Este se cumprirá nele se contém, sendo registrado nos livros da Câmara do Bispado de S. Paulo da nova freguesia e das que com ela ficam confinando, e passado pela Chancelaria das Ordens.
Rio de Janeiro, 8 de junho de 1818.
Rey" Os limites da nova freguesia foram marcados em 27 de agosto de1 819 e irão os seguintes: Fica dividida com a freguesia da Sé pelo ribeirão Tamandatehy, principiando onde ele faz barra no rio Tietê e seguindo o mesmo ribeirão acima até divisar com a freguesia de S. Bernardo ficando pertencente aos moradores da parte daquém do dito ribeirão à freguesia da Sé e os da parte de além da nova freguesia do Senhor Bom Jesus; e com a freguesia de Nossa Senhora da Penha de França ficam divididos pelo ribeirão Aricanduva, principiando onde ele faz barra no rio Tietê e seguindo o mesmo ribeirão por ele acima até a sua vertente onde principia a verter, e daí por diante seguindo o mesmo direito a leste, ficando em conseqüência compreendido todo o bairro de Pilar para a dita nova freguesia do Senhor Bom Jesus.
Foi primeiro vigário desta freguesia Joaquim José Rodrigues de 1819 a 1865.O primeiro inocente batizado foi Nana, filha de Margarida, aos 29 de agosto de 1819 Estão construindo uma nova matriz, contígua à velha, a qual deve ter 50 metros de comprido sobre 27 de largo. Na fachada terá uma só torre com 43 metros de altura. Internamente será em forma de cruz latina e, além do corpo central deverá ter duas naves laterais, formada pôr arcos. No centro será levantada uma cúpula.
A egreja será executada no estilo da Renascença.

Recolhimento de Santa Teresa

Foi fundado pelo bispo D. José de Barros de Alarcão, quando achou-se de visita em S. Paulo. Para esta fundação concorreram com grandes donativos o capitão-mor Pedro Taques de Almeida e seu irmão Lourenço Castanho Taques de Almeida, Manoel Vieira de Barros e outros, em 1685 e 1686.
Em 1718 chegou a tal estado de decadência que contava com uma recolhida, pelo que a Câmara propôs ao governo a sua extinção, que foi denegada por esforços do bispo do Rio de Janeiro logo depois começou a florescer de novo por meio de donativos e legados com os quais foi o edifício aumentado e decorado, de modo que, fazendo-se em 1798 o recenseamento dos bens dos conventos da capitania de S. Paulo, apareceu nele o recolhimento de Santa Tereza possuindo nesse ano duas chácaras nos subúrbios da cidade, 27 moradas de casas, 30 escravos e um pequeno capital a juros.
Ao primeiro bispo de S. Paulo D. Bernardo Rodrigues Nogueira devem-se os estatutos dados a 2 de julho de 1748, os quais até hoje, com pequenas modificações regem este estabelecimento.
Ocupa o espaço compreendido, na rua do Carmo, entre a travessa da Sé e a rua de Santa Tereza, em cuja esquina fica a torre.
A igreja é um templo bonito em seu interior.
Tem a capela-mór com seis tribunas, sendo três fingidas, um púlpito, o portão da entrada, dois altares com as imagens do Bom Jesus e N .Sª. das Dores.
Na nave há oito retábulos de cada lado e seis no meio, e nas paredes mais sete, todos representando a vida de Santa Tereza até a morte.
Ao lado direito da igreja fica a sacristia com um nicho engastado na parede. O recolhimento é inacessível a quem quer que o procure visitar.
Falei do locutório, e através de uma grade com uma recolhida, que ministrou-me com a maior gentileza todos os esclarecimentos que lhe pedi, pondo à minha disposição o livro do tombo do recolhimento em manuscrito.
Quando penetrei na igreja entoavam as recolhidas um cântico sagrado, que causou-me a mais profunda emoção.
Pobres e desventuradas virgens, privadas das alegrias do lar e dos doces carinhos da famílias, enclausuradas nas celas de um convento e sepultadas em vida!

Mosteiro de São Bento

Teve origem por uma ermida dedicada à Senhora do Montserrate, e que em 1598 foi entrar por devoção do governador D. Francisco de Souza e por Fr. Mauro Teixeira, que da Bahia veio mandado pelo Provincial para fundar o mosteiro, e para o qual foram concedidas pelo capitão-mor Jorge Correa, a 4 de julho de 1598, duas sesmarias, como se vê no livro 2º de registro delas, existente na Tesouraria de Fazenda, mas só em 1600 foi realizada a fundação por Fr. Mateus da Ascenção, como se vê na carta de data que se segue:
"Os oficiais da Câmara da vila de S Paulo da capitania de S. Vicente do Brasil Baltazar de Godoy e João Maciel, vereadores, Gaspar Vaz ,juiz ordinário e João Fernandes, procurador do conselho etc.
"Aos que esta carta de chãos de sesmaria para sítio de convento virem e o conhecimento dela com direito pertencer, fazemos saber que, por sua petição nos enviou dizer Fr. Mateus da Ascenção, prior da casa de S. Bento, novamente fundada, nesta vila, que ele fora enviado de seu maior a esta Capitania de S. Vicente, para nela edificar mosteiro, aonde mais decente e melhor lhe parecesse, e por quanto nela vila lhe pareceu bem e achou já feita uma ermida em certo sítio e chão que lhe gora assinando pelo oficiais nossos ante passados, fora desta vila, partindo Gonçalo Madeira de uma banda, e da outra com Jorge e João, e com rio Grande que vai para baixo desta vila e um ribeiro chamado Anhangavay naquele alto, por cima, pedindo-nos que dos ditos lhe mandássemos passar carta e dar deles posse, segundo o que na dita petição era declarado, para nós vista com a informação que do escrivão Belchior da Costa tomamos, por nos constar ser como o dito padre alega, por serviço de Deus Nosso Senhor e do seu bem aventurado S .Bento, lhe damos e havemos por dados os ditos chãos para convento, mosteiro ou casa do dito Santo etc."
"Dada hoje 15 de abril 1600 etc..."
O que consta da carta que fica transcrita, mais se corrobora com certidão infra:
Certificamos nós os oficiais da Câmara desta Vila de S. Paulo, abaixo assinados, e damos nossa fé em como o sítio e a egreja que nesta vila está, de S. Bento, e pôr outro nome, N. S. de Montserrate, é dos religiosos do patriarca S. Bento que de muitos anos possuem; o qual sítio foi dado com terras de sesmaria para seus mantimentos e nele fundarem mosteiro. O primeiro religioso que aqui veio, com nome Fr. Mauro, natural da ilha de S. Vicente, foi que fundou a dita igreja, que hoje nele se vê . E ali viveu pôr alguns anos, até que D. Francisco de Souza, governador geral, que foi deste Estado, nesta Capitania veio em descobrimento de ouro e trouxe religiosos da mesma ordem, que foram padres Fr. Mateus, o primeiro prior desta casa, o padre Fr. Antônio da Assunção, o padre Fr. Bento da Purificação, pregador, e o dito governador mudou o nome da egreja e mosteiro em o de Santíssima Virgem do Montserrate .
E ali viveram estes religiosos alguns anos, e em diferentes tempos vieram a esta terra outros como o padre Fr. Gregório, que na dita egreja dizia missa, e pregava, o padre Bernardo dos Azevedo, o padre Fr. Pedro dos Santos, o padre Fr . Maximo Pereira, e ultimamente o padre Fr . João Pimentel com seu companheiro, que nela dizem missa sem contradição alguma, renovando o recolhimento que ali tinha favorecidos devotos e amigos . E assim nos consta mandaram os oficiais da Câmara mudar naquele tempo o caminho de Guarepe (bairro da Luz), que pelo sítio passava pôr não devassar os religiosos, de modo que hoje não fazem mais do que renovar o caído erguendo casa para o seu recolhimento. E pôr terem posse tão antiga os prelados, ausentes, pôr terem a Manoel Preto, que pôr sua ordem tinha cuidado dela, nem de novo fazem mosteiro, por onde não encontrarem a dita obra, por ser do serviço do Senhor e entendemos que, ao fazer, íamos de encontro ás nossas consciências, que nos ditam ser tudo isto uma verdade, como é público e notório. E pôr nos ser pedida, lhe mandamos passar esta em câmara, debaixo de juramento dos nossos cargos. Eu Ambrózio Pereira, escrivão da câmara, a fiz escrever hoje 9 de julho de 1630 .- João Fernandes de Saavedra, Pedro Madeira, Francisco de Ogaya, Mathias Lopes, João Raposo.
Cerca de 30 anos depois, desejando os frades edificar uma nova igreja, celebraram com o distinto e generoso paulista Fernão Dias Paes o contrato de que trata a escritura abaixo e mais tarde, ao que parece, construíram o novo convento, pois o que hoje existe não é o primitivo, sendo que este acha-se unido àquele pelo interior, e é conhecido até hoje por convento velho.
"Saibam quantos este publico instrumento de contrato e composição deste dia para todo o sempre, virem, que no ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1650, aos 17 dias do mês de Janeiro, nesta vila de S. Paulo, da Capitania de S .Vicente, Estado do Brasil, etc .., nesta dita vila, no convento do patriarca S. Bento, onde eu tabelião fui chamado, aí estavam presentes o reavendo padre provincial da dita ordem, o Dr. Fr. Gregorio de Magalhães, e o padre presidente F .Feliciano de S. Thiago, o padre prior Fr .Jeronymo do Rosario, e os mais religiosos do dito convento ao diante assinados, todos chamados ao som da campa tangida, e bem assim estava presente o capitão Fernão Dias Paes morador nesta dita vila, e logo pelo dito padre provincial e mais padres do dito convento foi dito a mim tabelião, perante as testemunhas ao diante nomeadas e assinadas, que eles estavam concertados e compostos de mão comum e boa conformidade com ele dito capitão Fernão Dias Paes, que eles lhes faria a egreja nova, que ora pretendiam fazer da invocação de Nossa Senhora de Monteserrate, acabada de todo o necessário, por cujo benefício que lhes assim faziam eles ditos padres provincial e mais religiosos, lhe davam a capela-mór da dita egreja para elle e todos os seus herdeiros e descendente que apóz ele vierem e descenderem, naquela capela-mór se faria um carneiro para ele e todos os seus herdeiros legítimos serem sepultados, e assim mais duas sepulturas nas ilhargas do dito carneiro para outras pessoas tudo na forma abaixo declarada, pelo que algo por virtude desta pública escritura, disse elle capitão Fernão Dias Paes, em seu nome e dos ditos herdeiros e descendentes, que se obrigavam, como de fato logo se obrigou, a fazer a dita egreja e acabar de todas as cousas a ella necessárias, a saber: a dita capela-mór ornada com seu retábulo, ornamentos, castiçais, lampadário e tudo o mais necessário ao ministério do dito altar, e o corpo da dita egreja, com seu coro alto, torre e púlpito, grades da dita egreja e bancos para assento dela, e eles ditos padre provincial e mais religiosos, em seu nome e em nome dos mais que ao diante vierem, se obrigam, como de fato logo se obrigaram, a lhe darem a dita capela-mór da dita egreja para elle e todos os seus herdeiros ascendentes e descendentes para que possam lograr como cousa sua própria, na qual capela-mór se há de fazer um carneiro no seio dela e na duas ilhargas, duas sepulturas, para que sejam enterrados tais sepulturas, a saber: os herdeiros ascendentes dele capitão Fernão Dias Paes, legítimos, e assim os filhos e filhas naturais, que o dito capitão tiver, somente nas ditas sepulturas e poderão enterrar sua mãe, irmãos, irmãs, cunhados e descendentes legítimos por linha direta; e sendo caso que alguma pessoa da obrigação do dito Fernão Dias se queira enterrar nas ditas sepulturas com sua licença o poderão fazer ,e na dita cappela-mór se não enterrará mais pessoa alguma senão as atrás declaradas, nem eles ditos padres presentes e que ao diante vierem não enterrarão nela pessoa alguma, e se obrigam mais eles ditos padres a em seu nome e dos mais que lhe sucederem, que tanto que dito Fernão Dias Paes falecer e sua mulher, tendo-a os irão buscar à porta da egreja do dito convento para serem sepultados em sua sepultura, e todos os mais atras declarados, vindo amortalhados no habito da dita ordem do patriarca S. Bento, serão obrigados os ditos religiosos a os virem buscar à porta da dita egreja, e não vindo no dito habito o não farão. E sendo caso, que Deus não permita, que ele dito Fernão Dias Paes falleça antes da dita egreja ser acabada, seus herdeiros e sucessores acabarão toda, da maneira que atras fica declarado, do melhor parado de sua fazenda, e assim se obriga a fazer bom da dita fazenda o melhor parado dela, por si e seus sucessores que lhe vierem, lhe dêem 8$ de renda para cada anno, para fabrica da dita capela-mor, os quais 8$ para a dita fabrica não haverão lugar em sua vida, porque isso se obriga a fabrica de todo o necessário, e somente se entenderá depois de sua morte.
" E para cumprimento desta escritura e todo o nela declarado, disseram elles ditos padres provincial e mais padres assim presentes em seu nome e como dos mais adiante vieram, e elle dito Fernão Dias Paes Leme em seu nome e dos demais seus herdeiros e descendentes, que obrigavam a todos os seus bens moveis e de raiz, havidos e por haver, e querem e são contentes, que indo qualquer deles partes contra o cumprimento desta escritura, em parte ou em todo, não querem ser ouvidos nem admitidos em juizo, nem fora dele, e para isso renunciam o juizo de seu foro, privilégios e liberdades, e quaesquer outras causas que em seu favor alegar possam, porque de nada queriam usar senão em tudo cumprir e guardar esta escriptura pelo modo nella declarado, e movendo-se algum duvida a façam diante dos juizos ordinários desta villa, onde somente poderão ser ouvidos. E pelo dito padre provincial foi dito que elle como cabeça de toda a província dos conventos do patriarca S.Bento do Estado do Brazil, dava o seu consentimento em todo o conteúdo nesta escriptura e era contente que se cumprisse. E em fé de testemunho de verdade assim o outorgaram e mandaram as partes se feita esta escriptura neste meu livro de notas, e que della se dessem os traslados necessarios que pedirem e aceitavam, e aceito em nome dos ausentes a quem tocar possa como pessoa pública aceitante e estipulante, sendo testemunhas presentes Antonio de Madureira Magalhães, Pedro Varejão, Ignacio Dias e Sebastião Preto, todos moradores nesta villa, pessoas de mim tabelião conhecidas. E eu João Dias de Moura, tabellião do publico, escrevi- D .Dr.Gregorio de Magalhães, D.abbade provincial de São Bento; Fr.Feliciano Santiago, presidente; Fr.Jeronymo do Rosario,prior; Fr.Gaspar da Graça; Fr.Manoel Baptista; Fr.Roberto; Fr.Basílio da Ascenção; Fr.Manoel d'Assumpção; Fr.Roberto; Fernão Dias Paes Leme. Antonio de Madureira Magalhães; Pedro Varejão; Sebastião Preto Leme; Ignácio Dias. O qual, traslado da escritura eu André Barros de Miranda trasladei no 1º Livro de Notas, vai na verdade sem coisa que duvida faça, o que me reporto em tudo e por tudo.
E me assigno de meu signal público e raso, que tais são como se segue. E eu André Barros de Miranda, tabelião do público judicial e nota s nesta vila de S. Paulo, o escrevi.- André de Barros de Miranda . Fica situado no largo de seu nome, fazendo esquina com a rua Florêncio de Abreu e defrente da rua de S. Bento.
A egreja tem três janelas de frente e a porta da entrada; ao lado esquerdo fica a torre, um relógio, uma janela e outra porta. Abaixo desta ultima janela lê-se a data de 1860, que foi quando construiu-se a torre. Do lado da rua Florêncio de Abreu tem nove janelas e uma porta.
À direita de egreja fica o convento, com dez janelas no segundo pavimento, oito no primeiro e duas portas, sendo principal a contígua à egreja.
Tem a capela-mor com seis tribunas e um alatr com S. Bento, N. Sª da Assunção e Sant Escolástica. No espaço que medeia entyre as tribunas há quatro retábulos representando o batismo de Nosso Senhor Jesus Cristo, S. Jerônimo morrendo no deserto, Maria Madalena em penitência e S. Pedro com as chaves do céu. No corpo da egreja existem dois púlpitos, oito tribunais
NO CORPO DA IGREJA EXISTEM DOIS PULPITOS, OITO TRIBUNAS, SEIS ALTARES COM SANTO AMARO, N.S. DAS DORES, SANTA GERTRUDES ,N. S. DA CONCEIÇÃO, SANTA ANA . N. S. DOS REMÉDIOS, E QUATRO RETÁBULOS REPRESENTANDO O NOSSO SENHOR JESUS CRISTO NO HORTO, NOSSA SENHORA PASTORA, A FUGA DE S. JOSÉ DO EGITO E S, JOÃO EVANGELISTA PREGANDO NO DESERTO.
NO TETO DA CAPELA-MOR HÀ UMA PINTURA DE S . BENTO MONGE E NO TETO DO CORPO DA IGREJA UMA OUTRA DA CONCEIÇÃO.
NA SACRISTIA FICA UM ALTAR COM A SENHORA DA CONCEIÇÃO.
NA PORTARIA DO, CONVENTO EXISTEM DOIS GRANDES RETÁBULOS DE S. JORGE E S. BENTO E NO CLAUSTRO DIVERSAS SEPULTURAS COM AS INSCRIÇÕES COMPLETAMENTE APAGADAS, SENDO MAIS RECENTE A DE FR. ANTÔNIO DE S. BRAZ MACIEL, MORTO A 26 DE DEZEMBRO DE 1890.
NO SEGUNDO PAVIMENTO FICAM CELAS, UMA CAPELA E AS DEMAIS DEPENDÊNCIAS DO CONVENTO.

Convento do Carmo

Foi fundado em 1594 por Fr. Antônio de S. Paulo em terras doadas por Braz Cubas.
Fica situado no largo do Carmo ao lado da Ordem Terceira do Carmo.
A egreja tem três janelas na frente, uma torre à esquerda com duas janelas, uma em cima e outra em baixo, e um adro com três portas de ferro.
Seu interior é singelo ; além das duas capelas fundas e do altar mor onde se notam obras de talha de valor e uma bonita ornamentação,os outros altares são por demais modestos,não apresentando cousa alguma que os recomende, a não serem as imagens.
Tem a capela-mór no qual se vê N.S.do Carmo no centro,Santo Elais à direita e Santo Elizeu à esquerda.Aí ficam seis tribunas,sendo três fingidas,tendo duas no dorso os retábulods de Santa Teresa e S.Joãop da Cruz.Possui ainda dos dois lados 40 cadeiras de espaldar.
Por baixo do arco-cruzeiro ficam dois púlpitos com estantes e destinados a certas práticas religiosas.
No corpo da igreja há seis tribunas,dois púpitos,duas ricas capelas fundas do Santíossimo Sacramento e do Senhor dos Passos e mais cinco altares com S.José,Santa Bábara,S.João Evangelista,Santo Angelo,Sant'Anna e S.Joaquim reunidos.
A sacrsitia é baixa, muito danificada e com um altar de N.Sª.da Viagem. O convento achava-se ociupado com o Instituto D. Ana Rosa.

Nossa Senhora da Gloria

Esta igreja, cujo estilo afirmaram-me ser gótico, acha-se situada no Cambuci,em uma elevação onde se descortina a cifdade por intaeiro. Dos templos da cidade de S.Paulo é o mais bem localizado.
Sobe-se por ela poir uma rua larga, tendo aos lados muitas magnolias plantadas. Finaliza em um vasto adro completamente murado.
O interior e o exterior da igreja são de muito gosto.
Tem a capela-mor,sob uma lindíssima cupola, com um rico altar de N.S.da Gloria e duas finíssimas pinturas a óleo representrando N.S. da Natividade e N.S. da Anunciação.
No corpo da igreja há dois pequenos altares, um com a Sagrada Família e outro com S. Joaquim, Sant'Ana e Nossa Senhora.
No lado ca pela-mor fica a capela do Sacramento, com o Santíssimo, N.S. das Dores e o Senhor Morto.
Na entrada da igreja há uma lapide de mármore engastada na parede com os seguintes dizeres:
"Domini Nostra Fortitudo
Joachim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti
Sancti `Pauli Sacer Antistes Quo Civium Religioni Sativs Consvalatur Et Nova Paroecia Inb Hon Divi Patriarchae Joachim Hing Initivem Ducat Mariae Virgini In Coelvm Assumpiae Templum Instauranratvm Ope Et Munificentia Doms Pientissimas Vidvae Dnae Evlalaliae d'Assumpção E.Silva Cujs Liberi Cavram Religionis Erecto Anima Tventur Ac Provevnt Solemnibus Kal Caeremoniis Dicavit VIII April A.D.MDCCXCV."
Em uma capela separada fica a gruta de Lourdes, sob um céu bem pintado, com um altar com São José e N.S. de Lourdes e dois nichos com o Sagrado Coração de Maria.
Na sacristia há um altar com Santa Eulália.
Na entrada dessa capela fica o túmulo de Dona Eulália d'Assumpção, fundadora da capela e da igreja de N.S.da Gloria.

Convento da Luz

Fica situado no bairro da Luz, no largo do Jardim e defronte à escola Politécnica.
Tem a igreja com uma única torre no centro, um nicho com a imagaem de N. Senhora da Conceição, três janelas e um curto adro com três arcadas e a porta principal.Dos lados ficam duas alas do convento, uma com três janelas e outra com cinco.
Seu interior é bonito e bem ornado.
Tem a capela-mór com três tribunas fechadas, três abertas, medeando entre elas quatro retábulos com os Evangelistas, e um altar com as imagens de N.S.da Conceição,no centro, e S.José e Sant'Ana aos lados. À direita do altar mór fica um nicho com o Sagrado Coração de Jesus. No chão desta capela existe uma sepultura com a seguinte inscrição: "Hic jacet Fr.Antonivs San t'Anna Galvão hujvs almae domuvs inclytvs fundator et director,Qui animam svam in manibus semper tenens placide obdorminit im Domino die 23 Decembruis anno 1822."
No corpo da igreja ficam dois pulpitos, o coro todo gradeado, um grande retábulo da Assum,pção ,oferecido pelo doutores da igreja ao Dr. Josino do Nascimento Silva ,presidente da província, e dois altares com S . Francisco de Assis e Santo Antonio de Lisboa.
Abaixo desse retábulo existe uma reliquia com a bela imagem de Santa Faustina ,marir, oferta de Pio IX.
Na sacristia ficam um calvário e um presépio.
Em uma sala, ao lado do capela mópr e por cima da sacristia, pendem das paredes dois retratos; em um lê-se: " ºP. M. Fr .Antonio de Sant 'Ana Galvão, nascido em Guaratingutá, Estado de São Paulo, Religioso Franciscano do Rio de Janeiro, digno fundador deste Santo Recolhimento em cuja capela-mor foi sepultado em 23 de dezembro de 1822"; em outro lê-se:" O P. Pregador Fr. Lucas José da Purificação, digno conterrâneo do P.M. Galvão, seu fervoroso auxiliar na fundação deste Santo Recolhimento e seu imediato sucessor na administração do mesmo. Foi sepultado no respectivo jazigo anos 29 de abril de 1848 com 80 anos de idade.
Tem o convento atualmente 35 freiras.
Foi fundado em 1774.

Paço do Bispo

Fica na rua do Carmo, na casa outr'ora conhecida por Palácio da Marquesa de Santos.
No pavimento térreo funcionam a chancelaria, a secretaria e a vigararia geral. Em um compartimento anexo está o arquivo da diocese.
No pavimento superior há o salão de visitas, o salão do docel com os retratos dos bispos da diocese, diversos dormitórios e a capela, com um altar, e nele as imagens do Sagrado Coração de Jesus de N. S. da Graça e de S. José.
Nos fundos da capela fica a sacristia.

Igreja Anglicana

Está situada na rua do Bom Retiro.
É de estilo inglês .O seu interior é imponente pela simplicidade . O teto é todo de madeira ; tem 24 bancos, uma pia batismal, um pulpito, duas estas para "prayer desk" e para "lectery, um órgão americano e ao fundo um quadro representando o Cristo no meio de 10 virgens.
Ao lado esquerdo da entrada há uma placa de mármore engastada na parede, com a inscrição seguinte:
In Memory of:
The Revd. John Irwin Lee,B. ª


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