Noites do Nick BarFreqüentemente, um ator, ainda vestido como sua personagem na peça, sentava-se à mesa para saborear seu almoço. No Nick Bar, todo o dia era sempre uma festa.Ficava o Nick Bar ao lado do Teatro Brasileiro de Comédia, na rua Major Diogo e os dois estabelecimentos se comunicavam por uma porta larga da sala de espera do teatro. Seu proprietário, Joe Kantor, ao fundá-lo em 1949, tinha mesmo mira, como clientela, atores, atrizes e técnicos do TBC, até então, carentes de um lugar próximo para fazer suas refeições durante os ensaios. Dera nome ao bar uma peça do escritor norte-americano William Saroyan. Nick Bar fôra encenada pouco antes pelo elenco do próprio TBC. No almoço, a maioria dos freqüentadores constituía-se de artistas do TBC. Como no horário dos ensaios, o intervalo para as refeições era curto, eles simplesmente iam à mesa com as roupas das peças que estavam ensaiando. Assim, podia-se encontrar, tranqüilamente degustando o seu prato, Cacilda Becker vestida de Maria Tudor, ou todo o elenco de A Dama das Camélias, trajado ao século XIX. À noite, o Nick se transformava no bar mais elegante da cidade. Grã-finos e intelectuais misturavam-se aos artistas para ouvir o jovem pianista Enrico Simonetti, recém-chegado da Europa. Cantores e músicos davam "canjas", isto é, apresentavam-se gratuitamente, de surpresa. Alguns consideravam o Nick Bar sua própria casa, adotando-a como endereço para correspondência, telefonemas e contatos. Além do TBC, funcionavam nos prédios conjuntos onde estava o Nick Bar, a Escola de Arte Dramática e os escritórios da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Franco Zampari, ligado àquelas instituições, ajudou financeiramente Joe Kantor a fundar o TBC, pagando os honorários da decoradora Fifi Assunção. Restaurante de dia, piano-bar à noite, o Nick compunha-se de uma sala pequena, quinze mesas, um piano e um contrabaixo. Era o que bastava para inspirar até músicas. "Foi neste bar pequenino, onde encontrei o meu amor", cantava Dick Farney, no samba-canção composto por José Vasconcelos. Cansado do trabalho, Joe Kantor desistiu do Nick-Bar em 1955, dando-o de presente ao barman Afonso. No ano seguinte, o Nick-Bar encerrou sua carreira.
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