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Nostalgia
"Deixo o carro no estacionamento, sigo a pé rumo à Rua Marconi. Na passagem pela Sete de Abril, mergulho na memória da trama urbana, puxo os fios e os flashes que iluminam o instante trazem outro espaço, outros rostos. Fim de tarde, década de 60. O Museu de Arte Moderna, no prédio dos Diários Associados, reúne em seu barzinho figuras da cultura paulista. Yolanda Penteado e Ciccillo Matarazzo estruturam as bases do MAM, que, anos mais tarde, implantaria seu marco no Ibirapuera. Na Marconi, entro na Livraria Teixeira, ponto de encontro em fim de tarde. José Geraldo Vieira lança Brasília Paralelo 16. Amigos do romancista vão chegando: Lygia Fagundes Telles, Julieta de Godoy Ladeira, Osman Lins. Sérgio Milliet e Luís Martins vêm do Paribar, na Praça Dom José Gaspar, nesse início de noite cuja próxima parada é o Clubinho. Rumamos para a Bento Freitas. No prédio do Instituto dos Arquitetos já nos esperam Mário Donato, Palma e Marcos Rey. Mas o Clubinho é breve interregno, pois que a noite, ainda uma criança, nos leva ao restaurante Freddy. As imagens se fragmentam, esfumam-se no decorrer do tempo. Retomo o passo rápido e o sentido de alerta, como convém a quem hoje caminha pelas ruas da cidade."
Texto de Anna Maria Martins, escritora, tirado da revista Veja São Paulo, edição comemorativa dos 449 anos de São Paulo |