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Números famosos
Por pudor, diversão ou elegância, os boêmios paulistanos antigos costumavam referir-se às casas de prostituição mais requintadas como "pensões alegres". Por pudor, ou simplesmente, diversão, eles se referiam a algumas dessas "pensões" pelos seus números .
Famoso foi o "10"da Formosa, onde coruscou uma estrela dos céus pecaminosos de São Paulo, Perla Bianca. O "10" da Formosa tornou-se ainda cinema e sorveteria.
Tragédia
O 15 da São João era da Lola. O 30 da São João funcionava na ex-residência de um "quatrocentão", membro da família Sousa Queiroz, que um dia teve toda a rua S.Luís e muito mais. O sobradão do 30 da São João, no meio da quadra entre a Praça do Correio e o Largo Paiçandu, direita de quem sobe, foi palco de violenta tragédia passional, quando um homem, apaixonado por uma pensionista, matou outro por ciúmes.
Conselheiro
Na atual Conselheiro Crispianiano, ficava o "22", nome prosaico que substituía a denominação mais aristocrática: Palais Elegant. Possuía gabinetes particulares usados pelos coronéis e suas teúdas e manteúdas. O Palais Elegant mudou algumas vezes de direção e uma vez de endereço: atravessou a rua e veio parar bem nas costas do Municipal, onde é hoje a Casas Bahia.
Vila Tedesco
Residência do sr. J. Paulino Nogueira, construída por Ramos de Azevedo com a colaboração de Domiziano Rossi em 1896. Foi depois a famosa Vila Tedesco e nos seus últimos anos, sede da 2ª Região Militar.Ficava à altura do atual nº 316 da Conselheiro Crispiniano.Na mesma Conselheiro Crispiniano, estava a Vila Tedesco, dirigida por Madame Nina Della Paulera.O madame pode ter sido inventado, o nome é real. A Vila Tedesco fôra antes residência de uma família fina, depois passou às mãos das moças de fino trato. Numa outra mudança de mão, virou endreço militar, ali sediou-se por muito tempo o 2º Exército. Hoje não passa de um vazio querendo ser parquinho.
Preto Ignacio
Nos seus tempos de boêmia, a Vila Tedesco contava com os serviços de um parrudo guarda-costas, o preto Ignacio. A 21 de junho de 1900, o pessoal do jornal O Estado de S.Paulo, com redação na rua XV de Novembro esquina com João Brícola, ouviu os sons de um tiro vindo de um bar em frente, o Café do Ponto, do sr. José Caruso.
Lépido, um repórter do jornal atravessou a rua e no bar viu "entre duas cadeiras derribadas, um preto alto, de bigode e cavanhaque, olhos grandes e muito azulados, bem vestido, costume de casimira clara, camisa de cor, gravata vermelha". Era o Preto Ignácio, famoso na cidade por sua valentia, crimes e pela condição de porteiro do Palais Elegant. Em cores vivas, o repórter descreveu a cena do crime, sem esquecer nenhum detalhe. O Preto Ignacio era casado com mulher branca, fez questão de frisar. Aquele repórter estava destinado a uma brilhante carreira jornalística. Tratava-se do sr. Júlio de Mesquita, futuro diretor e proprietário do jornal.
VOLTA - PRÓXIMA
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