Escravos e ordens religiosas

Opondo-se freqüentemente à escravização dos indígenas, as ordens religiosas de São Paulo, entretanto, não só deixaram de combater a escravização dos africanos, como elas próprias tinham escravos negros. A prática estendia-se a todas as ordens religiosas do Brasil.
O Convento do Carmo, na atual avenida Rangel Pestana, em 1802, abrigava 40 escravos e, numa fazenda que possuía, mais 52. Também padres seculares (não pertencentes às ordens) eram proprietários de escravos.
Nas suas duas fazendas, São Caetano e São Bernardo — núcleos das futuras cidades dos mesmos nomes — os beneditinos incentivavam a procriação entre os seus escravos visando a aumentar o seu acervo. Os monges contavam ainda com os escravos que moravam no mosteiro de São Bento.
Entre os trabalhos dos escravos, estava o de carregar os monges em cadeirinhas, durante viagens curtas. Eles também aprendiam ofícios vários, como de barbeiros, alfaiates, costureiras e carpinteiros.
Escravas jovens eram coagidas às relações sexuais com certos monges e, às vezes, tornavam-se suas concubinas. Dessas relações nasciam crianças que, nem por isso, na maioria das vezes, escapavam à escravidão.
A atração que jovem escravas atraiam sobre grande parte do clero (regular ou secular) não se constituía em nenhum mistério para os leigos.
Digam-no estes versos de Trajano Galvão (1830-1864)

Na quaresma meu seio é só redes,
Quando vou-me a fazer confissão.
E o vigário vê coisas nas fendas,
Que quisera antes vê-las nas mãos

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