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Outros cinemas de São Paulo

Apolo — Rua Cons. Nébias, 211. Cinema de arte, o primeiro de São Paulo, foi construído num lugar onde antes existia uma habitação coletiva, propriedade da sra.Catarina Inês Viggiani. Inaugurado em 1960, com uma versão russa do D.Quixote.

Áurea — Aurora, 522. Surgiu no começo da década de 60, exibindo filmes de arte, como Diário de uma camareira, de Buñuel.

Barão — Na Galeria Barão, rua Barão de Itapetininga, 255. Começou a funcionar nos finais da década de 60, propriedade da Haway.

Bandeirantes — Paissandu, 138. Surgido nos finais da década de 40, propriedade imobiliária da sra.Ana Rathsan. Em 1966, o antigo Bandeirantes remodelado virou o Cine Ouro, com inauguração pelo filme "O Colecionador”. Depois, na rua Capitão Salomão, 55, começou a funcionar um outro Cine Bandeirantes.

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Largo do Paissandu, 1918. O prédio assinalado
cedeu seu espaço
para a construção do Cine Bandeirantes

Bijou — Praça Roosevelt. Cinema de arte inaugurado no início da década de 60.

Cairo — Formosa, 401. Inaugurado por volta de 1950, assinalava o ponto inicial do território da Cinelândia. Resultou da remodelação de um prédio, propriedade da Casa Bancária A . E.Carvalho, onde funcionava um velho mercado de frutas. Sua decoração em estilo mourisco, certamente, inspirou-se no seu nome (ou vice-versa), mas também estava dentro da moda que os cinemas adotavam na época.

Comodoro — São João, 1462. Lançou na sua inauguração, em 1959, o cinerama. Propriedade da Empresa Sul-Paulista, de Paulo de Sá Pinto, foi inaugurado com o filme Isto é Cinerama.

Copan — No edifício Copan, onde hoje funciona uma igreja da Renascer. Inaugurado no final da década de 60.

Coral — 7 de Abril, 331. Inaugurado no final da década de 50, construído no lugar de um prédio, propriedade de Maria Lopes Sacramento, onde,até os meados daquela década, funcionava o jornal A Noite. Viveu momentos brilhantes, lançando filmes como A Doce Vida, de Felinni, e, na mesma época, A Aventura, de Antonioni.

Éden — Avenida São João, 1640. Especializado em filmes europeus, começou na década de 60 Jussara — Dom José de Barros, 288. No lugar onde antes funcionava a sede central do Clube Pinheiros. Inaugurado no começo da década de 50, era conhecido como “o cinema dos taradinhos”, por causa da especialização em filmes franceses mais ousados. Entretanto, lançou também a nouvelle vague, em São Paulo, com Nas Garras do Vício, de Claude Chabrol.

Líder — Cons.Nébias, 199. Inaugurado na década de 50, teve seus momentos de bons filmes.

Metro — São João, 801. Inaugurado pela MGM, nos meados da década de 40. Construído num trecho em que, nos finais do século XIX, um muro assinalava os fundos da chácara do dr.Vieira de Carvalho, fundador da Faculdade de Medicina de São Paulo.

Metrópole — Galeria Metrópole, Praça Dom José Gaspar. Aberto em 1964, com o filme O que há ,gatinha que apresentou Woody Allen às platéias paulistanas.

Mônaco — Avenida Rio Branco, 62, onde antes d.Amélia Salerno Correia tinha algumas casas. Começou a funcionar, por volta do final da década de 50, com tempo ainda para exibir, em 1959, o polêmico (na época), Os Amantes, de Louis Malle. Passou depois para a rua do Triunfo, 134, deixando seu antigo endereço para o cine Premier.

Normandie — Avenida Rio Branco, 425. Inaugurado nos começos da década de 50, numa área de propriedade do sr. Antonio Amirable.

Oásis — Júlio Mesquita, 117. Inaugurado no começo da década de 50 num prédio de propriedade do sr. Domingos Alonso Fernandes, proprietário de outras casas exibidoras em São Paulo e Santos. De início, com programação caracterizada por filmes europeus e muito freqüentado pela comunidade francesa de São Paulo

Ópera — Rua Dom José de Barros, 305. A atual galeria entre as ruas D.José de Barros e 24 de Maio herdou um espaço que, no passado, teve longa tradição de servir como centro de divertimentos. Na última década do século XIX, quando a rua D. José de Barros se chamava Onze de Junho, o seu nº 8 dava acesso ao Frontão Paulista, da Cia. de Diversões e Sports. Jogos de péla, com quinelas simples, duplas e tríplices.
O Frontão Paulista, em 1904, dá lugar ao Colúmbia Elite Roller Skating Rink que, sob a gerência do sr.Haris, convidava cavalheiros, famílias e senhoritas para o novo esporte de patinação. A partir do dia 3 de abril do ano seguinte, o convite era “todos à Palestina”. Não por patins, mas por intermédio do Ferro Carril Asiático do pe. Francisco Martins Dias. Percorria-se 8 mil léguas em 30 minutos. Havia passagem de 1a. e 2a. classes. ”Um prodígio! Verdadeiro triunfo da arte moderna! Perigrinação pelos Santos lugares da Palestina em estrada de ferro. Parece sonho, mas é realidade! Ide ver e admirar!” Agora com duas entradas, rua 24 Maio, 40 (corresponde hoje ao nº188) e rua Onze de Junho, (Dom José de Barros ), a 25 de setembro de 1908, o Teatro Cassino começa a ocupar o espaço do antigo Frontão Paulista.Administrado pelo sr. José Thomaz Saldanha da Gama, a nova casa ficava localizado dentro de um jardim particular arborizado. Sua inauguração deu-se com exibições de fitas. O Cassino tem atividades intensas. No dia 3 de janeiro de 1910, o teatro apresenta luta romana entre Cícero Marques e J. Floriano Peixoto, respectivamente, campeões paulista e carioca da categoria. Há empate na primeira. Dois dias depois, é marcada outra luta e, desta vez, vence o carioca. Paralítico, após um acidente aviatório, Cícero Marques, mais tarde, tornar-se-ia escritor, com trabalhos sobre a memória de São Paulo. J.Floriano Peixoto, filho do ex-presidente Floriano Peixoto, montará seu próprio circo na cidade.
A 1o de setembro daquele mesmo ano, a Cia.de Diversões, proprietária do Cassino, presta no teatro uma homenagem aos jogadores do Corinthians da Inglaterra que visitavam São Paulo. A presença do time inglês vai inspirar a fundação do Corinthians paulistano.
Transferido para outro administrador, Afonso Segreto, o Cassino apresentou em agosto de 1912, o faquir Olalfa, “o homem que come fogo e bebe querosene”. Outras atrações, entretanto, não pareciam tão inocentes. As letras e gestos do cantor Chocolate (João Cândido Ferreira, quando se apresentava, chegava “a ponto de corar uma estátua de mármore”, observou a revista O Pirralho .
Por coincidência, talvez, Afonso Segreto resolveu mudar as características, extinguindo o gênero de espetáculos de café-concerto. Com isso, a 4 de agosto de 1913, o Cassino passou a chamar-se Teatro Apolo, com o slogan “Estabelecimento próprio para o ponto de reunião das exmas. famílias paulistas”.
Entretanto, o Teatro Apolo conhecerá fases posteriores que, a rigor, não podem ser chamadas de familiares. Houve época em que uma de suas partes, com saída para a rua D.José Barros, arrendada pela famosa cortesã Perla Bianca, passa a chamar-se Imperial Danças. Outro cognome lhe dado, Cassino dos Médicos, é bem indicativo das fases turbulentas por que passou o Teatro Apolo.
Completamente reformado, a 2 de setembro de 1934, o Teatro Apolo foi reinaugurado. Dirige-o Oduvaldo Viana, coadjuvado pelo prestígio de Dulcina de Moraes. A casa, porém, logo chega ao fim. Em 1943, na sua parte com saída pela D.José de Barros, surge o Cinema Ópera que dura até o fim da década de 50, quando o prédio do velho teatro é demolido.


Antigo Beco ou Travassa do Paissandu, 1915, hoje rua Abelardo Pinto. Após a demolição da casa à direita, aí funcionou o circo do palhaço Piolim (Abelardo Pinto). Depois no local foi construído o cine Paissandu

Paissandu — Com 2.150 lugares, inaugurado em 1957, no mesmo lugar onde por vários anos funcionou um circo do palhaço Piolim. O Cine Paissandu segundo a revista Acrópole de junho de 1958: ”No pórtico estão situadas as duas bilheterias, seguindo-se o átrio também completamente revestido de travertino e onde está localizado o painel com 15 m. de extensão, representando danças típicas nacionais como “Bumba meu Boi”,”Candomblé” e “Fandangos”.

Paratodos — No Largo Sta.Efigênia, esquina da rua Antonio de Godói, tinha entrada da platéia pelo largo, e entrada para os balcões na última rua; Prédio construído por d.Zenóbia Alvarenga Monteiro Soares. Poucas semanas após a sua inauguração, na terça-feira,12 de setembro de 1930, com o filme No, No, Nanette, o cine Paratodos realizou uma semana do cinema nacional. Entre os filmes exibidos estava O mistério do Dominó Negro, primeiro filme brasileiro dirigido por uma mulher, Cléo de Verberena. O Paratodos, em seu início, caracterizou-se por apresentar artistas e pessoas famosas, como a audição musical composta pela pianista Antonieta Rudge, Villa Lobos (cello) e a cantora Anita Gonçalves. Também apresentou a Miss EUA de 1930, dançando músicas típicas norte-americana. Casa da Empresa Cine Brasil (Serrador), o Paratodos fechou no final da década de 50. Sua seção de balcões, com entrada pela rua Antonio de Godói,113, deu lugar ao Cine Boulevard, que viveria até a década de 80.

Regina — Avenida São João, 1140. Da empresa exibidora Haway, inaugurado em 1959 com o filme Intriga Internacional de Alfred Hitchcock, estrelado por Cary Grant e Doris Day. No dia da inauguração, Marino Filho, médico e radialista que tinha um programa sobre cinema na Rádio São Paulo, esteve presente. Durante a cobertura do evento, Marino resolveu fazer entrevistas com alguns convidados à festa de inauguração. Formou-se, então, uma fila monumental de pessoas que queriam ser entrevistadas, ficando o radialista horas segurando o microfone.

Rio Branco — Avenida Rio Branco,500. Surgiu no final na década de 50, garagem sr. Samuel Barimboim

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Cine Rio Branco, em desativação. Foto Abrão Berman

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Scala — Aurora, 720. Inaugurado na década de 60, teve bons momentos com o lançamento de filmes europeus.


Rua XV de Novembro, 1924. Trecho onde funcionou o cinema Triângulo

Triângulo —Rua XV de Novembro, 17, à altura, aproximadamente, do nº 105 atual (Fundado na década de 20 por Antonio Gadotti, o primeiro sócio de Serrador em São Paulo, no ramo do entretenimento). Com a crise que se abateu sobre o mercado cinematográfico paulistano, em 1930, por causa da falta de filmes novos para exibição, o cinema fechou definitivamente. Sobre o Cine Triângulo, escreve Jorge Americano, no seu livro São Paulo nesse tempo (1915-1935). “Mas o Cinema Triângulo, à rua Quinze de Novembro, inaugurou os matinês nos dias úteis. Freqüentavam-nas senhoras tão emotivas que se enterneciam à vista de uma nota de cinqüenta mil réis e homens ansiosos por enternecê-las.
Quando clareava, no primeiro intervalo, ainda estava desocupada uma cadeira ao lado de cada senhora, e os homens sentados ao sabor da sorte. Mas ao escurecer de novo, quase todos tinham mudado de lugar para ver melhor a fita, e coincidia que as cadeiras de melhor visibilidade eram justamente ai lado das senhoras. Daí a oportunidade de travarem conhecimento e aprenderem endereços, justificando visitas de cortesia logo ao cair da noite.”

Windsor — Avenida Ipiranga, esquina com Avenida Rio Branco. Construído no mesmo lugar, onde, num velho casarão, funcionou até o começo da década de 50, o famoso Cabaré OK.


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