Palace Theatre

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Brigadeiro Luís Antonio, 1911.Assinalado, o prédio do Palace Theatre

O povaréu apinhava o pequeno largo da Misericórdia, durante as sessões do cinematógrafo Reclame. Ao ar livre, o Reclame começara a funcionar em 19 de junho de 1908, quando cel. Alberto Andrade, seu proprietário, deu início às exibições, com projetor (operado por ele mesmo) e tela instalados em cima do Café Java, na rua Direita, entre as ruas José Bonifácio e Quintino Bocaiúva.
O público, já corriqueiramente grande, cresceu mais ainda por ocasião da exibição do filme O naufrágio do navio Sírio, com 350 metros. No naufrágio daquele navio (tema do filme), ocorrido em 1904, à altura do cabo Palos, litoral da Espanha, faleceu dom José de Camargo Barros, 11o bispo de São Paulo.
Diante do sucesso das exibições no largo da Misericórdia, o cel. Andrade levou o cinematógrafo Reclame para outras praças. Cansado, porém, de perambular pelas ruas, ele resolveu fincar raízes, aproveitando um terreno que tinha na avenida Brigadeiro Luís Antonio para construir um cinema.
Inaugurada em 1911, e denominado inicialmente de Teatro Rink, Rink Theatre ou Avenida Rink, a casa do cel. Alberto Andrade, ou melhor da Empresa Alberto Andrade, dispunha também de um grande rinque de patinação. Amplia-se e o espaço e o cinema passam a chamar-se de Palace Theatre, com o ocupação do endereço ao lado (nº 69 A ,antigo) e administração do sr. Henrique Mayor.
A empresa Alberto Andrade, dirigida pelo sr.Ângelo Semenza inaugurou também, a 4 de novembro de 1914, a sua segunda casa, Follies Bergères, cinema e café-concerto, na ladeira Santa Efigênia (hoje, rua do Seminário). O Follies Bergères não revelou muito fôlego, mas o Palace Theatre conseguiu manter-se por largo tempo. Viveu um dos seus grandes momentos de glória quando, em 1920, exibiu o filme nacional O crime de Cravinhos. Acusava-se dona Sinhá Junqueira, poderosa fazendeira da região de Ribeirão Preto, de ter mandado matar o marido de uma de suas filhas. A moça casara-se na França, mas logo parece ter percebido que o marido não passava de um caça-dotes. Arrependida, voltou para o Brasil, com o francês no seu encalço, exigindo os seus pretendidos direitos de marido. Numa das fazendas de sua sogra,ele desapareceu.
O caso, de enorme repercussão, foi aproveitado para tema do filme, com exibição, de começo, proibida pela Justiça, a pedido da família Junqueira. Liberado, O crime de Cravinhos levou uma enxurrada de público às suas apresentações no Palace Theatre.
No final daquele década, o Palace Theatre cederia seu lugar para o Cine-Teatro Paramount.



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