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1922
PANORAMA
Quem olhar uma vista anorâmica de 1922 tirada de algum prédio mais alto da Rua Direita para os lados da Liberdade, ou Brigadeiro Luís Antônio; do Mosteiro de São Bento para os lados de Campos Elísios, Bom Retiro e Luz; dos fundos de algum prédio da Rua da Boa Vista sobre o Brás; da tôrre da Igreja da Boa Morte sôbre a Mooca, Ipiranga, Glória e Cambuci — verá uma cidade extensa, de casas térreas ou de sobrados, com jardim floridos de primaveras, hotênsias, bicos- de-papagaios e tibuxinas, e alamedas guarnecidas de plátanos, enfolhados de verde-claro na primavera, verde-escuro no verão cor de ferrugem no outono, e galhos nus no inverno. Bondes de distância a distância, um automóvel a cada três quarteirões, algumas carroças com burros debruçados num bebedouro, três ou quatro pessoas no ponto de bondes marcado pela lista branca no poste.
Do livro "São Paulo Nesse Tempo (1915-1935)", de Jorge Americano, Edições Melhoramentos
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