Pires vs. CamargoDurou quase um século e meio a sangrenta rivalidade entre os Pires e os Camargos, cujas origens datavam dos primeiros povoadores de São Paulo. A família Pires começara, no Brasil, com o capitão português Salvador Pires, casado primeiro com Maria Rodrigues e, após enviuvar, com Messia-Ussu, bisneta de Piquerobi, chefe indígena na época da fundação de São Paulo.A família Pires tinha tronco em Giuseppe Camargo, chegado ao Brasil muito depois de Salvador Pires, e casado com Leonor Domingues, descendente de João Ramalho e sua esposa índia, Bartira. Em 1641, Fernando Camargo, aparentemente pôr questões de terras, assassinou Pedro Taques, um Pires. Seguiram-se outras mortes de ambas as partes até o assassinato praticado por Jerônimo de Camargo, por volta de 1650. Ele fugiu para a região de Atibaia — é considerado um dos fundadores daquela cidade — e começou um período de aparente trégua entre as duas famílias. Três anos depois, porém, Alberto Pires, que se casara com uma Camargo, Leonor de Camargo Cabral, sobrinha de Fernando Camargo, matou-a. Após o uxoricídio, Alberto emboscou Antônio Pedro Barros, concunhado de Leonor de Cabral e o assassinou com um tiro de bacamarte, para alegar que apanhara ambos em flagrante adultério. Após o duplo homicídio, Alberto refugiou-se na fazenda de sua mãe, Inês Monteiro, viúva de Salvador Pires de Monteiro e nora de Messia-Ussu. No encalço dos criminosos, os Camargos foram à fazenda exigindo sua entrega. Com um crucifixo na mão, Inês implorou que seu filho fosse entregue à Justiça regular. Os Camargos não atenderam ao apelo, seqüestraram Alberto para levá-lo a Baia, segundo afirmaram. Dona Inês foi esperá-los no Rio de Janeiro, com capangas, para retomar o filho. Durante a viagem, porém, os Camargos o haviam matado, atirando o cadáver ao mar, com uma pedra amarrada no pescoço. Desesperada, a mãe voltou para São Paulo e instigou o recomeço da matança que se desenrolaria pelas décadas afora. O casamento, em 1783, de uma Camargo com um Pires, selou o fim da terrível inimizade entre as duas famílias. Naquele ano, Maria Franco, bisneta materna de Francisco Camargo uniu-se com João Pires Pimentel, neto de dona Sebastiana Pires.
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