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mas pede cautela
Em 1963, Harold MacMillan, então primeiro-ministro da Inglaterra, passou por dificuldades para urinar e logo pensou num câncer da próstata. "Estou liquidado, vou morrer logo", disse ao renunciar ao cargo, num gesto do qual se arrependeria amargamente. Ele só viria a falecer mais de duas décadas depois, em 1986, com 93 anos.
Desde aquela época, o câncer na próstata perdeu muito do seu caráter assustador, devido aos progressos em sua detectação e em seu tratamento. Entretanto, MacMillan nem mesmo tinha câncer. Ele sofria de uma doença muito comum entre os homens, a chamada Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP), ou simplesmente aumento da próstata. O problema atinge metade dos homens com mais de 50 anos. Depois dos 70, aproximadamente três quartos são afetados.
Os tratamentos clínicos da HBP desenvolveram-se muito na última década e constituem-se na opção terapêutica para a maioria dos casos. Não obstante, algumas pessoas recusam-se a procurar ajuda médica por acharem que o problema se resolve por si só. Correm risco de piora nos sintomas.
Também a superestimação que existe entre os leigos sobre os perigos de uma eventual cirurgia — necessária apenas em cerca de 20% dos casos — afasta outros pacientes dos tratamentos. Entretanto, os procedimentos cirúrgicos hoje existentes são rápidos e seguros. O risco de impotência, um dos mais popularmente temidos, é muito pequeno. "Os casos de impotência pós-operatórios são, na maioria das vezes, ligados a fatores psicogênicos e não à cirurgia", fala o dr. Antonio Carlos Pompeo, professor livre docente do Departamento de Urologia do HC-SP (Hospital das Clínicas de S.Paulo), com mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo. "Por isso, é muito importante que antes da operação, os pacientes recebam explicações do médico", fala ele, que salienta: ""Mesmo sem sintomas, depois dos 50, um exame anual da próstata é aconselhável". Mais saúde