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Glorificação
Oliveira Ribeiro Neto (1932)
A vara impele a barca no rio de água verde.
Os músculos de bronze crescem, ritmados
Sob a aspereza crua do gibão de couro.
A quilha da canoa corta a água limosa,
rasga as redes toscas de cipós torcidos,
vara a mata imensa, vence a bruma espessa,
trilhando mil caminhos de mil rios perdidos,
trazendo atrás de si um grande sonho de ouro.
No matagal fechado, que esconde à vista humana
toda uma terra imensa, milagre de grandeza,
faminta, mal ferida, numa batalha aberta
contra feras e selvagens, contra a dura natureza,
a turma de titãs caminha, firmemente,
benzendo com o seu sangue a terra descoberta.
— Fernão Dias Paes Leme, símbolo de audácia,
deste ao Brasil nascido o destino da riqueza.
Raposo Tavares, herói aventureiro!
Povoaste o manto hermo do pampa brasileiro.
Borba Gato, em passos de gigante
Levaste aos quatro ventos a fama bandeirante.
Mas a tua glória nasceu, São Paulo das bandeiras,
quando teus filhos sob o facho do teu nome,
ofereceram ao Brasil que descobriste,
a liberdade de pensar e dirigir-se,
a liberdade total que ele não quis.
Sob a luz dourada e santa do Cruzeiro,
longe dos lares mas na terra amiga,
que não há quem vença e que não há quem dome,
dormem os teus heróis mortos o seu sono triunfal.
Deixa-os dormir, silêncio meu São Paulo!
O seu sangue alimenta a lâmpada votiva em
forma de coração, feita de sacrifícios
de esposas, de filhas e de mães, de noivas e de irmãs,
lembrando, para sempre, sua glória imortal.
Honra-lhe os corpos, alerta meu São Paulo!
Nem milagre real de heroísmo e de nobreza,
de santidade, de força e de valor,
faze-os florescer num dia alviçareiro
em flores de ouro e luz para adornar teu nome.
E tu hás de crescer sobre a tua grandeza,
SÃO PAULO DA LIBERDADE,
SÃO PAULO DO MEU AMOR!
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