Policiamento


São Paulo, sec. XVIII. Grupos armados assustam
Desenho de Clóvis Graciano para o livro "História e Tradições da Cidade de São Paulo, de Ernani S Bruno

Nem cadeia havia. São Paulo só começou a preocupar- se realmente com segurança pública, por volta de 1624, quando se cogitou de formar um corpo policial improvisado, os quadrilheiros.
Tinham os quadrilheiros a incumbência de “fiscalizar pessoas de má fama ou estrangeiros, efetuar prisões e até capturar delinqüentes homiziados em residências de pessoas credenciadas”.
Bandos andavam armados pelas ruas. Negros e índios, munidos de arcos flechas, porretes, afrontavam a lei. Recomendavam as autoridades: escravos com espingardas, dentro ou fora do povoado, deviam ser presos. Apenas pessoas de bens “de seiscentos mil réis para cima” podiam ostentar publicamente uma espingarda. Para os forasteiros desordeiros, uma ordem: fora do povoado.
Dizia-se, em 1659, que muitos índios apareciam para vender couro. Como não tinham gado, nem outra propriedade, a conclusão lógica é que se tratava de ladrões.
Na falta de recursos policiais, cabia ao povo a prevenção, afirmavam as autoridades, não comprando do tal couro de boi, ou qualquer outra coisa de valor.
Facas também formavam o arsenal de negros e negras nas ruas, registrou uma ata da Câmara em 1718. Três anos depois, escrevia ao vice-rei, governador e capitão-geral de São Paulo Rodrigo César Menezes: ”...matar gente era vício muito antigo nos naturais da cidade e seus distritos” Como medida preventiva, o governador Menezes mandara reerguer a forca no seu mesmo lugar “para que a vista dela se pudessem abster do costume com semelhantes delitos”.
Onde hoje está a praça Roosevelt, existia o Tanque Reúno, alimentado pelas águas do ribeiro Anhangabaú. Solicitaram em 1831 o fechamento dos lugares por onde passava o Anhangabaú, para a parte do Bexiga. Na região, em torno do Tanque Reúno, agrupavam-se os escravos fugidos e todo o tipo de desordeiros. Em 1846, a Câmara pedia medidas contra escravos que perambulavam depois do toque de recolher. Anos mais tarde, um projeto pretendia proibir “os folguedos denominados caiapós e outros de reuniões de pretos”. Danças de negros também eram proibidas. Para os infratores, açoites.
Muito serviço para os quadrilheiros. A partir de 1831, começam a aparecer outras polícias na cidade. Naquele ano surgiu a Guarda Municipal Permanente, futura Polícia Militar

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