Debatia-se o Brasil, em 1831, com vários problemas políticos. Solução: mais policia nas ruas.
Quando, a 5 de julho daquele ano, o padre Diogo Antonio Feijó assumiu o Ministério da Justiça, havia de um lado os liberais que clamavam pela República já, e , de outro, os restauradores, partidários da volta do Brasil à coroa de Portugal.
Nos quartéis, campeavam motins. Diante da situação, o novo ministro resolveu criar a Guarda Municipal Permanente, uma polícia uniformizada e militarizada.
Na mesma ocasião, foi também dada autorização às províncias para que criassem corporações semelhantes. Em São Paulo, o presidente da província, Rafael Tobias de Aguiar, instituiu a Guarda Municipal Permanente a 15 de dezembro de 1831, do que surgiria a atual Polícia Militar.
Chamada posteriormente de Corpo Policial Permanente, a nova corporação compunha-se de duas companhias de infantaria e uma seção de cavalaria. Em 1848, um regulamento estende as atividades do Corpo Policial para outras cidades, com a sua presença, em 1864, já em 50 municípios, além da Capital.
Guerra dos Farrapos
Sete anos depois de sua fundação, o Corpo Policial Permanente participaria da denominada Guerra dos Farrapos. Naquela época, 1838, os limites da Província de São Paulo estendiam-se até o rio Negro. Curitiba, chamada então de Nossa Senhora dos Pinhais de Curitiba, era sede da 5a.Comarca de São Paulo.
Em 1835, eclodira no Rio Grande do Sul a Guerra dos Farrapos (1835-1845) com o objetivo de estabelecer naquela província uma república confederada, como modelo para outras. Os rebeldes gaúchos estacionaram suas tropas na vila de Lages, Santa Catarina, fazendo o presidente da Província de São Paulo, Venâncio José Lisboa, temer seu avanço para São Paulo. Num sentido preventivo, ele resolveu deslocar para a região, 54 homens do Corpo Policial Permanente, que chegaram a participar de batalhas.
Guerra do Paraguai
No início de 1865, 250 homens da corporação, entre praças e oficiais marcharam para Santos para dali, por via marítima, dirigirem-se ao sul com o objetivo de enfrentar o Exército do Paraguai, país contra o qual o Brasil declarara guerra.
Assim, para substituir aquele efetivo, foi criado na cidade o Corpo Policial Provisório, formado por 80 homens. Entretanto, a maior parte do próprio Corpo Provisório, já então, composto de 300 homens, foi mandada, em 1866, para a guerra. Com a volta do Corpo Policial Permanente, em 1868, o Corpo Provisório foi extinto, sendo seu efetivo absorvido pelo primeiro.
Força Pública
A 24 de novembro de 1891, extinguiram-se o Corpo Policial Permanente e a Companhia de Urbanos,policial municipal de São do qual fazia parte o Corpo de Bombeiros.Na lugar de ambas,surgiu a a Força Pública(primitiva denominação da Polícia Militar)com a anexação do Corpo de Bombeiros
Maestro Antão
Depois da proclamação da República, a banda da Força Pública, sob a batuta do maestro Antão, foi considerada a melhor do Estado de São Paulo, ganhando uma popularidade que chegaria aos primeiros anos do século XX, com concorridas apresentações no jardim do Pátio do Colégio e no Jardim da Luz.
O maestro Antão mereceu até citação nos versos de “Variações sobre o nome de Mário de Andrade”, escritos por Manoel Bandeira:
“(Lá dentro, eu desenhando a bico motivos arquitetônicos
do Renascimento
As minhas arquiteturas corruídas...)
A banda do Maestro Antão
( A primeira da América do Sul!)”
Missão francesa
Também no início do século XX, chegou a São Paulo uma missão francesa de militares para adestrar a Força Pública. A missão francesa tinha como chefe o coronel Paul Balazgny, muito competente, segundo os oficiais paulistas, mas igualmente enérgico e ríspido.
Da missão fazia parte o tenente coronel Raoul Negrel, instrutor de infantaria. Em 1906, Negrel, falando em francês, repreendeu um sargento que, julgando-se injuriado por uma palavra mal entendida, o matou a tiros, dentro do quartel.
Aviação
A Força Pública, nas primeiras décadas do Século XX, chegou a constituir-se num pequeno exército. Possuiu inclusive artilharia e aviação. Assim, equipada e adestrada, a corporação serviu de ponto de apoio para os movimentos revolucionários de 1924,1930 e 1932.
Herança da missão francesa, seus uniformes eram de calças vermelhas e jaquetas azuis. Depois, adotou-se um uniforme mais discreto, de uma cor só, cáqui.
Greves
Atual PM tinha tanque nos anos 20 (sec. XX)Nos anos posteriores a 1932, a legislação federal acabou por retirar várias atribuições da Força Pública levando-a adotar funções legalmente previstas para a polícia civil com crescente em setores de vigilância.
Desde o começo do século, porém, a Força Pública já vinha atuando em greves e manifestações populares. Durante a grande greve de 1953, nas concentrações da Praça da Sé, os manifestantes reagiam à cargas dos cavalarianos, chamando-os de “cangaceiros”, porque há algum tempos antes fôra lançado com sucesso o filme nacional “O Cangaceiro”, de Lima Barreto.
“Brucutu”
Nas ações contra as greves, a Força Pública usava jatos d'água e de areia, transportados pelos caminhões do Corpo de Bombeiro. Mais esporadicamente, empregavam-se os “brucutus”, veículos de aspecto assustador que lançam jatos d'água.
O golpe de 1o de abril de 1964 transformaria a Força Púbica praticamente num apêndice do Exército. Embora conservando sua autonomia para nomear o comandante da corporação, o governo estadual precisaria a anuência do ministro do Exército com relação à sua escolha.
Cães, máscaras, brucutu (ao fundo)
Em 1970, a fusão da Força Pública com a Guarda Civil (de que fazia parte a Polícia Feminina) resultou no surgimento da Polícia Militar com o monopólio exclusivo do policiamento ostensivo da cidade.
Como órgão auxiliar do Exército, a PM aprimorou suas técnicas de combate às manifestações populares. Suas atividades contra as ações chamadas de “atividades subversivas” receberam o reforço de cães adestrados, equipamentos como máscaras contra gases, bombas de gás, lança-bombas e capacetes a prova de pedradas .E de 1970, até os meados da década de oitenta, quando se criou a Polícia Metropolitana, a PM foi a única polícia uniformizada de São Paulo.