De cães e porcosCães investiam contra os transeuntes nas passadas ruas paulistanas. Chamou a atenção para isso, em 1882, um vereador com a seguinte e candente manifestação na Câmara Municipal: "Vagando pelas cidades e subúrbios grande número de cães que assaltão aos indivíduos que passão proponho a continuação da matança e que se ative a cobrança de impostos".Mas, não eram só os cães. Porcos também infernizavam o pobre pedestre. Naquele 1882, o bacharel Miguel Antonio de Moraes e outros moradores do Brás encaminharam abaixo-assinado à Câmara "pedindo providencias sobre numerosa quantidade de porcos à rua do Gasometro que soltos vão prejudicar o suplicante e outros moradores daquela imediação". Porcos nas ruas da cidade não se constituíam em nenhuma novidade, apesar das sucessivas disposições da Câmara Municipal. Que os suínos fizessem ouvidos moucos para as tais disposições, vá lá, pois além de sua óbvia limitação ao entendimento da linguagem humana, as lamacentas ruas de São Paulo eram um irresistível convite ao seu refocilamento. Seus donos, porém, pareciam também insensíveis, pois segundo dizia uma manifestação dos vereadores, a 2 de fevereiro de 1756, um edital tornado público antes, não resultara em nenhuma providência por parte das pessoas "que têm porcos pelas ruas da cidade, que deviam ter presos em suas casas, ou seus sítios" E assim "por não ser conveniente à limpeza da ruas e causarem peste", os passeios citadinos das porcos deveriam ser reprimidos com uma atitude que certamente agradou aos presos da ocasião. Determinava-se "ao alcaide ou qualquer outro oficial de justiça os possam matar, ficando a metade para quem os matar e outra metade para os presos".
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