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Praça Clóvis Bevilaqua
Praça Clóvis Bevilaqua, 1976, com os prédios Tina e Ismãos Corsos (centro) implodidos posteriormente
A praça Clóvis Bevilaqua, hoje apenas um apêndice da praça da Sé, medrou num solo outrora rico do passado arquitetônico paulistano. Ali era o núcleo do antigo bairro do Carmo, reduto da aristocracia de então.
Pelas velhas ruas do antigo bairro do Carmo, enfileiravam-se os velhos casarões de taipa, com seus grandes beirais e suas rótulas, as janelas em treliça feitas para se olhar sem ser olhado. Atrás das rótulas, ocultavam-se românticas moças a observar sonhadoramente a passagem dos acadêmicos de direito, em direção ao Fórum, nas proximidades.
Tudo isso, porém, já fôra deixado para trás, quando uma série de pequenos negócios tomou o lugar das grandes famílias, nos vetustos casarões. Num deles, alojou-se o Posilipo, restaurante cuja fama decorria dos famosos camarões fritos que preparava.
Então, durante a gestão do prefeito Prestes Maia (1938-1945), São Paulo resolveu concretizar o seu sonho do Paço Municipal, o grande edifício que reuniria todas as repartições municipais, e mais a edilidade. Escolheu-se o núcleo do antigo bairro do Carmo como local da construção.
Iniciaram-se as desapropriações de todos os imóveis da área. A velha relíquia arquitetônica quase intacta veio abaixo.
Já antes , se destruíra o centenário Quartel de Linha para se erigir no seu lugar o Palácio da Justiça. Agora se arrasavam todos os imóveis contidos entre as ruas Santa Tereza e Anita Garibaldi confinadas, na parte de baixo com a rua do Carmo e, em cima, com o Palácio da Justiça.
O monumental edifício erguer-se-ia no centro da praça. Disso resultou, entretanto, só a praça Clóvis Bevilaqua, porque o projeto inicial foi abandonado, devido a problemas técnicos.
Movimentada tornou-se a praça Clóvis Bevilaqua. No seu canto, junto à atual rua Roberto Simonsen, tinham o seu ponto inicial os bondes Penha-7, Belém-24, Esquina São José-26, Vila Maria-34, Belém-41 e Alto da Vila Maria-67.
Ao centro, as várias linhas de ônibus: Estações-6, Irradição-8, Penha-29, Água Rasa-32, Quarta Parada-33, Vila Formosa-85, Praça da Alegria-255, Vila Maria-256, Alto do Pari-258, Alto da Vila Maria-259, Cachoeira-260, Cosmorama-263, Praça Vista Alegre-267, Vila Munhoz-279, Jardim Japão-281, Mooca-314, Praça da Indústria-315, Tuiuti-347, São José do Maranhão-348, Vila Bertioga (via Mooca)-372, Vila Bertioga (via Viaduto)-372A, Parque da Mooca-373, Oratório-374, José Higino-374, Alto do Belém-376, Marques de Abrantes-376A, Alto do Ipiranga-458, Vila S.José-461, Fábrica-466, Ipiranga-470, Ipiranga-471, Bairro das Pimentas, Guaiaúna, Jardim S.Adélia e Vila Bela.
Totalmente arrasado para a implantação da estação do metrô, o quarteirão entre as ruas Santa Tereza e Filipe de Oliveira sediava uma padaria que concentrava na madrugada os freqüentadores dos vários salões de baile da redondeza. Bigode, Baixinho e Guilherme, três folclóricos garçons conheciam de nome quase toda a freguesia. Do quarteirão em frente, o único a manter-se intacto, saiam os ônibus do Expresso Brasileiro, com destino a Santos.
Foram-se os bondes, os ônibus, a própria praça. Se as ruas falassem, a Clóvis Bevilaqua teria certamente ouvido em algum momento, a praga daquelas ruas de que roubou o espaço para se formar: ”Hoje é meu dia, amanhã será o teu”.
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