Assassinato do preto Ignácio

O quartel do 2º Exército sediava-se, até a década de setenta do século passado, num enorme casarão, então, já centenário, que décadas atrás era residência de uma respeitável e rica família. Depois que seus primeiros moradores mudaram, a residência foi transformada num luxuoso lupanar dirigido pela italiana Nina De La Paulera, ou melhor Madame Nina Della Paulera, como gostava de ser chamada, sendo a palavra madame muito comum também entre às empresárias contemporâneas do seu ramo.
A Vila Tedesco tinha como segurança o famigerado Preto Ignácio, com um extenso de passado de crimes .Na folha corrida do Preto Ignácio constavam vários casos de violência, inclusive como capanga a mando de dona Iria Junqueira, de Ribeirão Preto, outro nome de causar calafrios aos menos valentes.
A 21 de junho de 1900, o pessoal do jornal O Estado de S.Paulo, com redação na rua XV de Novembro esquina com João Brícola, ouviu os sons de um tiro vindo de um bar em frente, o Café do Ponto, do sr. José Caruso.
Lépido, um repórter do jornal atravessou a rua e no bar viu "entre duas cadeiras derribadas, um preto alto, de bigode e cavanhaque, olhos grandes e muito azulados, bem vestido, costume de casimira clara, camisa de cor, gravata vermelha". Era o Preto Ignácio, famoso na cidade por sua valentia, crimes e pela condição de porteiro do Palais Elegant. Em cores vivas, o repórter descreveu a cena do crime, sem esquecer nenhum detalhe. O Preto Ignacio era casado com mulher branca, fez questão de frisar. Aquele repórter estava destinado a uma brilhante carreira jornalística. Tratava-se do sr. Júlio de Mesquita, futuro diretor e proprietário do jornal.

CRIMES FAMOSOS - SÃO PAULO ANTIGO

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