ProcissõesVinham os animais enfeitados com fitas de muitas cores. Durante o trajeto, os rapazes os assustavam com os estrondos de poderosos buscapés, fazendo-os corcovar e atropelar e povo. Não, não se tratava de algum desfile carnavalesco, mas da passeata que antecedia a procissão do Corpo de Deus, ou de Corpus Cristhi, ou de São Jorge, a mais suntuosa das suntuosíssimas procissões de São Paulo antigo.Na falta de outras alternativas, o velho São Paulo divertia-se com as procissões religiosas. Já em 1585, viu um viajante português uma espécie de préstito porfano-religioso. "Fomos em procissão — escreveu ele — até a igreja, com uma dança de homens de espada, outra de meninos de escola: todos iam dizendo seu dito às santas relíquias." Para a passagem das procissões, ordenava a Câmara que os moradores mandassem seus escravos limpar as ruas. Estar na rota das procissões, por sinal, era argumento usado para valorizar as residências. E, na ocasião dos préstitos, realizavam-se também as "mascaradas", divertimento comum em todo o Brasil. No século XVII, três eram as procissões oficiais de São Paulo, segundo um documento de 1675,redigido nos seguintes termos. "Três procissoins, uma do Corpo de Deus, outra a de dois de julho a honra da visitação de Nossa Senhora e outra no terceiro Domingo do mês de julho por comemoração do Anjo da Guarda". Uma Quarta procissão, a de São Sebastião entraria no século seguinte para o calendário oficial. Entretanto, havia outras extra-oficiais, mas, cujo brilho superava às oficializadas, com exceção daquela consagrada ao Corpo de Deus. Os anos finais do século XIX começaram a exaurir o esplendor das velhas procissões. Uma delas, a da Irmandade de S.Benedito, já em 1869, encerrou seu ciclo de vida. Outras foram paulatinamente definhando e se algumas sobreviveram deixaram de ser o grande acontecimento do passado. É que o ritmo da cidade crescia e um dos fatores da atração das procissão, o de servir de entretenimento à população, perdia o sentido com a chegada de vários tipos de diversões. O acadêmico norte-americano observou: "O mundo dos bilhares, teatros e corridas de cavalos oferecia agora séria competição, especialmente porque as procissões atendiam mais a uma necessidade social do que espiritual".
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