A Casa do Barão de Iguape

Pedro Luis Pereira de Souza

Está sendo demolida a Segunda casa — Barão de Iguape — de grande e sólida construção, com frente para a Praça do Patriarca e pelo lados com as ruas Direita e Quitanda.
Era um prédio imponente que durante muitos anos alegrou e enfeitou a Praça do Patriarca . Residindo em Paris a sua proprietária, a Condensa Pereira Pinto, enviou a planta do novo prédio a ser construído, a seu procurador Dr. Ernesto Rudge da Silva Ramos, para que este entrasse em entendimentos com os construtores —Ramos Azevedo, Severo & Comp. — hoje — Severo & Vilares S/A.
Essa construção foi iniciada pela importante e tradicional firma construtora, e 1909, segundo noticiário da ''Gazeta'', 15 de outubro de 1956. Foi esse o primeiro prédio construído em São Paulo com estrutura metálica.
Com esta demolição desaparece, como ficou dito, a segunda Casa Barão de Iguape. Vamos agora contar uma pequena história da primeira casa dos quatros cantos.
Quando vim para São Paulo, no ano de 1889 (ano da proclamação da República), existiam 3 grandes sobradões aqui no centro da cidade, todos localizados na rua de São Bento.
O do Barão de Iguape, como já contei, ficava na rua São Bento, esquina da rua Direita. O segundo ocupava a esquina da rua Direita de São Bento, também nos quatros cantos. O terceiro, na rua São Bento, esquina da rua Ouvidor, hoje José Bonifácio.
O prédio do Barão de Iguape foi comprado por esse titular, em 28 de abril de 1825, com dinheiro que o Brigadeiro Jordão emprestou para essa compra (três contos e quinhentos mil réis), Rs 3:500$000, constando tudo isso do livro de contas correntes do Barão de Iguape.
Ai, nesse grande casarão da parte térrea e mais um andar, tendo, em toda a sua volta, grande quantidade de janelas com escadas, todas guarnecidas de grade de ferro, e na parte térrea existiam muitas janelas com vidraças do sistema ''guilhotina'', com fechos de madeira. Na parte da rua Direita , havia um enorme portão que dava entrada para um grande pátio. Ai entravam carros de bois carregando lenha, gêneros, e também se escolhiam tropas e animais de sela.
Lembro-me ter ouvido contar, pelo Conselheiro Antônio Prado, uma passagem de sua mocidade. Quando cursava a Academia de Direito, aqui em São Paulo, na largo de São Francisco, morava com seu avô, Barão de Iguape, nesse sobrado, isso lá por 1860.
Nesse tempo a população da nossa cidade era muito pequena e seu avô recolhia-se muito cedo, o que, aliás, era hábito dos moradores da cidade . Recomendava-lhe ele: ''Antonico, esteja cedo em casa porque às 8 horas da noite fecho a porta.'' De fato, a grande porta de entrada na rua São Bento, era fechada com enorme chave de ferro, igual as que se usavam nas tulhas das fazendas, havendo ainda, para maior segurança, uma pesada tranca de madeira.
Não contrariando as ordens recebidas, recolhia-se o estudante cedo. Depois de tomar o clássico chá das 9, muito em uso nesses bons tempos, beijava a mão do seu venerando avô, recolhendo-se ao seu quarto no andar térreo. Contava ainda o Conselheiro: ''pensam que ia deitar-me logo? Nada disso. Erguia a vidraça da janela, que era muito baixa, pulava para a rua e colocava um pequeno calço na vidraça para suspendê-la na minha volta, e assim, livre, ia reunir aos meus colegas para alguma estudantada em repúblicas de companheiros alegres''.
Contava-se também um fato interessante: tinha o Barão de Iguape um velho amigo, que morava no interior do Estado, vindo de vez em quando passar uma temporada aqui em São Paulo, hospedando-se sempre no velho e acolhedor ''Hotel de França'', também nos quatro cantos, na rua Direita e fronteiro a casa do Barão. Pela manhã, chegava a janela do hotel para ver o movimento da rua, e quase sempre na sacada fronteira o seu velho amigo, com um cobertor vermelho ao redor do pescoço, pois as manhãs eram bem frias nessa época. Cumprimentavam-se e davam uma prosa, dizendo-lhe o Barão: ''porque você não vem conversar aqui em casa?'' Respondia-lhe o amigo: ''não posso atravessar a rua que está muito enlameada !'' Retorquia-lhe o Barão: ''mando botar umas tábuas e você poderá passar!!!'' Isso na rua Direita !!.
O Barão de Iguape legou esse solar a sua neta e afilhada D. Anna Brandina da Silva Prado, filha do Dr. Martiniano da Silva Prado e D. Verediana V. da Silva Prado, dando o valor de Rs. 6: 000$000 . Legou também ao seu neto e afilhado Antônio Prado, por escritura pública, a ''Chácara do Carvalho'' no bairro da Barra funda, no valor de Rs. 5:000$000.
A primitiva Casa Barão de Iguape foi transformada em lojas na parte térrea e os altos alugados para o Hotel de França, que ai instalou o seu anexo, cuja matriz funcionava no prédio fronteiro, solar do Brigadeiro Jordão.
Os aluguéis das lojas desse prédio eram recebidos pela Companhia Prado Chaves, com a qual a Condensa Pereira Pinto, sua proprietária, mantinha suas transações.
A Condensa Pereira Pinto, residindo em Paris, tinha como seu procurador o Dr. Ernesto Rudge da Silva Ramos, casado com sua sobrinha D. Marieta Chaves da Silva Ramos, filha do Dr. Elias Pacheco e Chaves, casado com D. Anesia Prado Pacheco e Chaves .
Lembro-me que, nos quatro cantos, era estabelecida a tradicional firma Peixoto & Stella, dois negociantes portugueses já com sólidas raízes em São Paulo, onde constituíram família . Essa firma negociava com ferragens a varejo e era uma casa muito conhecida e considerada pelo comércio e pelo público em geral. Um dia, correu uma notícia sensacional aqui no centro. Dizia-se ter aparecido uma cobra ! Nesta loja! Talvez fosse alguma pilhéria de mau gosto, porém houve quem afirmasse ser verídica a notícia, sendo de fato encontrada a tal cobra em um amontado de ferragens velhas.
Hoje em dia é o hábito andar-se sem chapéu, pois saibam que esses dois negociantes, tanto Peixoto como Stella, naquele tempo, andavam sem chapéu e muitas vezes em mangas de camisa.
O mesmo fazia o velho e respeitado negociante de fazendas por atacado, Francisco Sampaio Moreira. Andavam eles pelo centro da cidade, iam aos Bancos e outras casas de negócios, sem chapéu e em mangas de camisa! Hoje nota-se muito pouca gente de chapéu e até senhoras, que eram tão rigorosas no trajar . Só as velhas é que andam de chapéu.
A ''Casa Henrique '', do saudoso e adiantado negociante Henrique Sadocco, hoje instalado em vistoso e imponente arranha céu, na rua Direita, esquina com o Largo da Misericórdia, começou e esteve com a sua modesta loja na Casa Barão de Iguape, na rua São Bento, até a sua demolição . Também existia ai uma loja de luva, leques e miudezas, do Scaramella, sempre muito preferida pelas senhoras. Junto ao portão na rua Direita havia um velho gravador que também fazia carimbos. Ouvi contar que o velho relojoeiro Fox, grande especialista em consertos de relógios (é quem dava corda e acertava o grande relógio na torre da Estação da Luz), também ai esteve estabelecido na rua Direita, com pequenina loja.
Finalmente foram os negociantes intimados a desocupar o velho prédio em virtude da sua demolição.
Acontece que, por ocasião em que a firma Peixoto & Stella veio pagar o aluguel e fazer entrega da chave, houve uma grande surpresa; o tamanho da chave! Era uma chave de tulha de café!
A tal chave ficou exposta em cima da minha mesa, causando espanto a todos e pouco se acreditou que a mesma pertencesse a uma loja aqui no centro da cidade!!! Como lembrança do solar do Barão de Iguape, solicitei pessoalmente ao Dr. Ramos de Azevedo, que mandasse retirar com o máximo cuidado a preciosa fechadura, que se achava perfeita e era colossal. Hoje acha-se a mesma no Museu do Ipiranga, sendo entregue ao seu diretor o historiador patrício Affonso Taunay, que a aguardou carinhosamente. Haviam também outras pequenas lojas estabelecidas na rua São Bento e Direita, nesse prédio. Concluída a edificação da nova '' Casa Barão de Iguape'', imponente e belo prédio de 3 andares e bonitas lojas na parte térrea, tratou a sua proprietária, a Condessa Pereira Pinto, de proceder ao respectivo arredamento.
Os altos foram locados a Daniel Souquiéres, conhecido e reputado hoteleiro, que transferiu o seu excelente restaurante - Rotisserie Sportsman- que se achava localizada na rua de São Bento, onde hoje são pagos os impostos da Prefeitura. Montou Daniel seu novo hotel nesse prédio, instalando bons apartamentos e mantendo com o mesmo esmero e capricho o seu ótimo restaurante - Rotisserie Sportsman -, senpre muito procurado e frequentado pelos inúmeros gastrônomos da nossa cidade, pois era onde melhor se comia em São Paulo.
Ao declinar o ano de 1913, a 19 de novembro, abria-se em São Paulo em grande prédio à rua 15 de Novembro uma pequena loja britânica denominada ''Mappin Stores'' que ocupou uma parte ocupada por ''Mappin & Weeb'' famosos e reputados joalheiros com seção de jóias finas e pratarias, sendo que esta última manteve ainda uma filial no rio de Janeiro.
De 1919 a 1939 - Mappin Stores - veio ocupar todo o novo prédio ''Barão de Iguape'' transferindo sua grande loja para esse imponente prédio, abrindo na andar térreo moderna loja com vistosas e largas vitrines em volta de todo o edifício e com a facilidade de dois bons elevadores, instalou nos dois primeiros andores, variadas seções e finalmente montou e manteve , todo o tempo em que lá esteve, um ótimo restaurante, onde sua freguesia, assim como o público, que frequentava o centro da cidade, ia fazer suas refeições.
Todas as lojas foram locadas e ocupadas por vários ramos de negócios, dando vida e alegrando bastante os quatro cantos. Lembro-me que justamente na esquina, onde esteve Peixoto & Stella, foi instalada uma moderna e vistosa loja de tapeçaria e móveis de luxo, pela firma Claussener & Comp., cujo chefe foi por muitos anos funcionário da ''Casa Alemã''.
Falemos agora do velho solar do Brigadeiro Jordão. Como já foi dito, ficava fronteiro ao do Barão de Iguape, esquina da rua São Bento com a rua Direita. Era sobrado com lojas em baixo, tendo também grande pátio onde também entravam carros de bois, com lenha e gêneros de consumo.
Conta-se que o velho Martim Francisco, muito amigo do Brigadeiro Jordão, e residindo em sua chácara em Sant'Ana, costumava visitar muito a meúdo o Brigadeiro, no sobradão dos quatros cantos. Vinha esse político e grande parlamentar, montado a cavalo, aliás a condução mais usada na época. As senhoras eram transportadas em cadeirinhas luxuosas e carregadas nos ombros de possantes negros, em geral escravos. Martim Francisco entrava diretamente no pátio do sobrado, onde apeava-se, deixando aí a sua montaria.
Aí nesse velho solar do Brigadeiro Jordão, funcionou por muitos anos o Hotel de França, dirigido por Guilherme Lebeis, que residia também nesse local. Com referência a hotéis, vale a pena transcrever o que nos conta o curioso escritor patrício - Hernani da Silva Bruno - no seu interesse livro ''História e Tradições da Cidade de São Paulo'' volume 2, "Apareceram estabelecimentos maiores e melhores, como o Hotel da Europa e o do Globo, além de uma porção de pensões''. Em 1865, hospedando-se no Hotel de França - dirigido pelo francês Planet - o Visconde de Taunay, nesse tempo tenente do nosso exército, achou que as refeições eram ótimas, e o serviço excelente e a limpeza perfeita. "Era um centro frequentado" - escreveu ele ''por tudo quanto São Paulo de melhor no pessoal masculino''. Esta última anotação foi extraída pelo autor das ''memórias do Visconde de Taunay''.
Depois de ter reproduzido o tópico referente ao hotel de França, do escritor Silva Bueno, tive ocasião de conversar com alguns de amigos de 60 ou mais anos atrás, para que me informassem se o referido Hotel de França já existia quando aqui esteve o Visconde de Taunay, e infelizmente não encontrei até hoje quem me informasse se em 1865 já funcionava este hotel.
Recorri ao meu velho e bom amigo Affonso Taunay e mostrei-lhe o trecho referido no livro do aparecido historiador Silva Bruno. Disse-me A.Taunay ''vou ler o diário de meu pai e te darei qualquer esclarecimento sobre esse caso''.
Não eram passados muitos dias, quando recebi de A.Taunay a carta que ele me autorizou a publicar:

" Pedro Luís, amigo velho-
Ainda sob a impressão de sua tão agradável visita escrevo-lhe mandando a nota prometida. Meu pai, em 1865, hospedou-se no Hotel da Europa como relata no Relatório Geral da Comissão de Engenheiros junto às forças em expedição para a Província de Mato Grosso da qual era ele Secretario.
A esta afirmação corroboram as seguintes referências:
" Si sete e meia passamos por São Bernardo seriam umas nove horas da noite quando desembarcamos à porta do Hotel da Europa à rua do Rosário onde estamos hospedados" (carta escrita por meu Pai a meu avô a 9 de abril de 1865). Conta ainda que o hotel dirigido por um francês, Mr. Planet, antigo zuavo é excelente.
Nas memórias foi meu pai vítima de um lapso de memória. Se ele conta que se aboletou no Hotel de França. Entretanto neste mesmo livro, logo adiante portanto escreveu meu Pai: " Entramos porém em S. Paulo gozando o bom tratamento culinário do Hotel da Europa que até hoje tem boa e não usurpada reputação de tratar bem os hóspedes".
Há ainda um desenho de meu pai vista da Torre da Igreja de S. Bento onde se lê de S. Bento em S. Paulo, tirado de uma das janelas do Hotel da Europa.
Assim para mim não pode haver dúvida e troca devendo-se levar a uma distração ou lapso de memória momentânea de quem estava a escrever corrente cálamo.
Um abraço do velho amigo
A. Taunay. 5/ 1/1957".
Incontestável o Hotel de França era o mais procurado e mais freqüentado principalmente pelos políticos e por grande número de viajantes do interior do estado, pois, Guilherme Lebeis era muito comunicativo e sabia conquistar a sua clientela.
Aí assisti, trepado em cima de uma porta do salão, o banquete realizado e oferecido a Prudente de Moraes, quando, deixando a Presidência da República, regressou a São Paulo. A sala do banquete foi pequena para comportar os convidados a assistentes, sendo grande o aperto! Acompanhado esse benemérito Presidente, veio do rio todo o seu ministério. Lembro-me dos importantes discursos que foram pronunciados. Falou em primeiro lugar o grande tribuno baiano J. J. Seabra, ministro da Justiça, em seguida o General Cantuária, ministro da Guerra, e finalmente, José do Patrocínio, fogoso orador popular e grande propagandista da República. Todos os oradores foram ouvidos pela grande assistência e constantemente eram interrompidos por aclamações entusiastas do público. Por último levantou-se Prudente, e respondeu aos oradores, sendo sempre interrompido com gerais aplausos dos numerosos ouvintes, terminando esse banquete no maior ruidoso entusiasmo.
Praça do Patriarca - O Prefeito Barão Duprat (1911- 1913) desapropriou prédios entre a rua São Bento e São José, dando frente para a igreja de Santo Antonio; mas não desapropriou todos. Durante a Prefeitura Washington Luís, 1914-1919, que foi de economia para consolidação financeira do município, nenhuma desapropriação aí se fez. O Prefeito Firmiano Pinto, 1920-1922, desapropriou os prédios restantes, demoliu todos e formou a Praça do Patriarca.
Com abertura dessa praça, feita por esse operoso Prefeito, ficou grandemente modificada a fisionomia dos quatros cantos, desafogando extraordinariamente o trânsito de veículos e de pedestres; fazendo também sobressair bastante a "Casa Barão de Iguape". Tornando-se um edifício vistoso e imponente.
Depois de ter mencionado os três grandes solares que existiam na rua de São Bento e para que os leitores fiquem sabendo quem eram esses três grandes paulistas que tanto contribuíram para a grandeza da nossa província de então, transcrevo uma pequena biografia dos seus proprietários.
Antônio da Silva Prado- Nasceu na cidade de São Paulo a 13 de junho de 1788, filho legítimo do Capitão Antônio da Silva Prado e de D. Anna Vicencia Rodrigues Jordão. Em 1805, contando apenas 17 anos de idade, lançou-se à carreira comercial, dirigindo-se primeiro a Goiás e depois à Baía, de onde regressou a São Paulo em 1816, na posse de capitais que lhe garantiam abastança.
Dedicando-se à causa pública, foi em 1819 promovido ao posto de capitão de ordenanças e em setembro de 1825 ao exercício desses dois cargos houve-se com tal critério e dedicação, que nesse mesmo ano foi agraciado com grau de cavaleiro da ordem de Cristo. Em 1822 tomou parte ativa no movimento libertador do país; em 1828, sua estreita amizade aos Andradas o fez inscrever-se pelo governo provisório, em uma lista de proscrição com outros distintos paulistas. Chegando ao Rio de Janeiro, D. Pedro I, depois de uma breve conferência, anulou essa pretensão do governo provisório.
Em 1841 foi agraciado com o título de comendador da Ordem de Cristo, prestando relevantes serviços à causa legal, e em 1842, por ocasião do movimento revolucionário desta província, serviços que consistiram em avultados auxílios às forças em operações, sofrendo também na mesma ocasião graves prejuízos com entrada em sua fazenda de Pirajuçara das forças rebeldes. O Governo Imperial o recompensou com o título de Barão de Iguape em outubro de 1848 e com as honras de grandeza a 2 de dezembro de 1851.
Anteriormente havia eleito membro do conselho geral da província no biênio de 1841 e 1842 pela assembléia provincial e eleitor da paróquia da Sé em várias legislaturas. Em 1856 instalou como diretor- presidente a caixa filial do banco do Brasil em São Paulo, cargo que exerceu até a sua morte. O "Correio Paulistano" publicou em 1956 com o título de - prosperidade bancária - relatando fatos de CEM ANOS atrás - A Caixa Filial do Banco do Brasil em São Paulo, instalada provou em poucos meses o acerto da iniciativa, acusando aumentos de atividades e ampliando o círculo de suas transações, tanto que, por edital assinado por José Antonio Thomaz Romeiro, guarda - livros do estabelecimento, se fazia público que, por ordem de diretoria, a taxa dos descontos seria elevada a 10% ao ano.
Durante muitos anos foi síndico do recolhimento de Santa Teresa, cargo que serviu com toda a vantagem para aquele estabelecimento.
Finalmente, durante 29 anos, foi provedor da Santa Casa de Misericórdia, e neste cargo prestou relevantes serviços, tais como adiantamento de importantes quantias para as obras e despesas do hospital e decoração da igreja respectiva, mandando vir da Europa as irmãs de caridade que ainda hoje tem a administração e serviço das enfermarias.
Em seu testamento legou a quantia de Rs. 20:000$000 para aumento do patrimônio do mesmo hospital, e alguns outros legados pios e filantrópicos. Esse distinto paulista faleceu a 17 de abril de 1875, e de seu casamento com D. Maria Candida de Moura Vaz, deixou os seguintes filhos:
1- Virissimo Antonio da Silva Prado, casado com sua prima irmã D. Maria da Silva Prado.
2- Veridiana Valleria da Silva Prado, casada com seu tio o Dr. Martinho da Silva Prado.
Com referência à - Caixa Filial do Banco do Brasil - cujo presidente era o Barão de Iguape, os diretores eram: Barão de Itapetininga, Senador Francisco Antonio de Souza Queiroz, Barão de Tietê, Thomaz Luiz Alvares, Jayme da Silva Telles e Dr. Martinho da Silva Prado ( Azevedo Marques - Apontamentos da Província de São Paulo).
Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão- Não foi possível determinar com segurança o dia do seu nascimento, mas em um velho livro dez batismo da paróquia da Sé de São Paulo ( no livro 5, às fls. 51- v ) encontra-se o assento:
"Manuel- Aos cinco dias de abril de 1781, nesta Sé batizou e pos os Santos Óleos, com despacho de Sua Excelência Reverendíssima a licença do Reverendo Doutor Cura, Firmino Dias Xavier, o Reverendo Frei Felisberto Antonio da Conceição, Monge Beneditino do Mosteiro desta cidade, a Manuel, filho do Alferes Manoel Rodrigues Jordão e de sua mulher D. Anna Eufrosina da Cunha. Foram padrinhos o Capitão Manoel Antonio de Araújo e D. Maria Tereza Mendes, solteira, filha do capitão Francisco Pereira Mendes, todos desta freguesia, do que fiz este assento que assinei. O Coadjutor, Bartolomeu de Carvalho Pinto".
Ativo, trabalhador, pertinaz, dotado de inteligência viva, tino administrativo e invejável energia física e moral, não tardou em destacar-se e suplantar a todos os parentes e membros de sua família, formando enorme fortuna representada pelas fazenas e propriedades agrícolas espalhadas por todo o território paulista. Aos dezesseis anos surge na arena política, prestando serviços públicos no Regimento de Infantaria Miliciana de São Paulo.
Na Cronologia, I, 260 de Jacinto Ribeiro, acha-se transcrita a fé de ofício constante no Livro Mestre do Regimento:
" Manoel Rodrigues Jordão, filho do Alferes Manoel Rodrigues Jordão, natural de São Paulo, com 15 anos de idade, assentou praça de Tenente a 28 de abril de 1796. Nomeado Capitão da 1- Companhia a 18 de janeiro de 1808, agregado ao Regimento por Apostilha do General Horta, passando a efetivo em posto a 8 de novembro de 1810 e Coronel Agregado por decreto de 20 de Agosto de 1812 e efetivo por decreto de 29 de junho de 1913, foi por ordem do Coronel recrutar as praças da Companhia de Caçadores e acompanhou o mesmo Coronel a várias vilas, quando foi nomeado Emissário da Contribuição Voluntária que S. A. Real pediu aos povos desta Capitania".
Exerceu o cargo de Tesoureiro da Junta da Fazenda, Membro do Governo Provisório eleito pelo povo e pela tropa em 1821, Conselheiro do Governo, eleitor paroquial, fez parte da Venerável Ordem Terceira de São Francisco. Possuía o Brigadeiro enorme casarão de estilo colonial, situado na rua da Boa Vista, bem em frente a atual rua 3 de Dezembro.
Com a idade de 39 anos casou-se com D. Gertrudes Galvão de Oliveira e Lacerda, filha do Brigadeiro José Pedro Galvão de Moura e Lacerda e de Gertrudes de Oliveira Montes.
No Ipiranga possuía uma grande chácara onde explorava importantes olaria, conservando-se ao lado extensas pastagens para sustento e repouso da tropa destinada ao transporte dos produtos da olaria e da lavoura.
Quem olha para o monumento do Ipiranga, verá à direita o córrego do Ipiranga, à esquerda o Tamanduateí, que se unem pouco abaixo; toda a várzea da estação do Ipíranga até o monumento fazia parte integrante da chácara.
Na revista do Instituto Histórico de São Paulo, vol. 5, pág. 15, o Dr. Antônio de Toledo Piza conta, que o Brigadeiro residia em 1822 na rua Direita n. 21, tinha 42 anos de idade e era casado com uma filha do Coronel José Pedro Galvão, tinha um casal de filhos, em tenra idade e um ilegítimo de 17 anos, estudante na ocasião; sustentava em sua casa uma cunhada solteira e um sobrinho moço, também estudante, e possuía 18 escravos doméstico e a jornal. Era amigo particuar de Martim Francisco e solitário com suas idéias políticas; partilhava por isso algum tanto do ódio que os absolutistas votavam aos irmãos Andradas, e foi uma das vítimas de "A Bernarda".
Faleceu o Brigadeiro a 27 de fevereiro de 1827. D. Gertrudes sobreviveu cerca de 21 anos e a 1 de fevereiro de 1848, faleceu 15 dias depois do pai.
Restam:
1- D. Anna Eufrosina, casasda com o Dr. Raphael de Araújo Ribeiro.
2- Manoel Rodrigues Jordão, casado.
3- Amador Rodrigues Jordão, depois Barão de São João do Rio Claro, casado.
4- Silverio Rodrigues Jordão, casado.
Teve mais de um filho natural que foi o Dr. Antonio de Almeida Jordão, falecido em estado de solteiro ( apontamentos de Azevedo Marques- Província de São Paulo).

Nota- os dados referentes ao Brigadeiro Jordão, foram extraídos do importante e útil livro " A família Jordão", título 7, págsn 509/ 521, do historiador patrício Dr. Frederico de Barros Brotero.
Francisco Antonio de Souza Queiroz- Souza Queiroz ( Barão com Grandeza). Nasceu a 8 de dezembro de 1806, na cidade de São Paulo. Faleceu em São Paulo em 4 de junlho de 1891. Filho do Brigadeiro Luiz Antonio de Souza Macedo e Queiroz, fidalgo português, e de sua mulher D. Genebra de Barros Leite. Era irmão da Marquesa de Valença e do Barão de Limeira. Casou com D. Antonia Euphosina de Campos Vergueiro, em 1833, filha do Conselheiro Senador Nicolao Pereira de Campos Vergueiro, e de sua mulher D. Maria Angélica de Vasconcellos.


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