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Beco da querela

O velho portão do Beco do Pinto. Ao lado, casarão da Marquesa de Santos.
Ficava o beco entre a cruz e a espada. Em 1826, autoridades paulistanas tiveram que vistoriar o Beco do Pinto, a pedido dos donos dos prédios 1 e 3 daquela pequena via. O dono do 1 era um padre e o 3, nada menos que o atual Solar da Marquesa, no Pátio do Colégio, pertencia a um brigadeiro.
Ambos viviam às turra por causa do tal beco. E pagavam o pato, os cidadãos comuns da época, pois, dada a querela, o beco, importante via de acesso à Várzea do Carmo (hoje, parque D.Pedro II), vivia fechado.
O padre atravanca o beco com seu lixo, acusava o brigadeiro Joaquim Pinto de Moraes Leme, que se envolvera em 1822, num levante armado contra ordens de D. Pedro I, a chamada Bernarda de Francisco Inácio. Quem suja é o brigadeiro, retorquia o reverendo João José Vieira, figura influente do clero da época.
Vinha dos primórdios de São Paulo o Beco do Pinto e não se sabe a razão de ter ganho esse nome. A pequena passagem, de 19 palmos de largura, ficaria também conhecido como Beco do Colégio, pois no casarão do padre José Vieira Ramalho veio a instalar-se, mais tarde, o Ateneu Paulistano, um colégio de meninos fundado a 1º de março de 1855, pelo sr. Júlio Mariano Galvão de Moura Lacerda.
O prédio do brigadeiro teve um destino mais glorioso ainda. Vendido à Marquesa de Santos e herdado pelo seu filho mais velho, Felício Pinto de Mendonça e Castro foi, após a morte deste em 1867, adquirido em leilão pela Mitra. Serviu de Palácio Episcopal e de escritório da Companhia de Gás, antes de sediar a atua repartição municipal.
Mesmo livre dos seus briguentos moradores, o Beco do Pinto não fugiu até o fim do seu destino de fecha e abre. Quando, a 13 de março de 1896, a antiga e histórica Igreja do Colégio desabou, muito do que restou foi depositado no Beco do Pinto. (o Beco do Pinto atualmente está restaurado e, nele, toda as sextas-feiras das 9h00 às 17h00 realiza-se uma feira de artesanato)
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