Conto minha experiência de um bonito amor vivido.
Como quase todas as moças do interior, eu também deixei minha casa paterna para trabalhar em São Paulo.
Lá chegando, trabalhei muito, muito sofri, fiz amizades, aprendi que para viver você tem que ter coragem. O tempo foi passando até que um dia ia para o trabalho e vi na porta de um bar um homem. Nos olhamos e nossos anjos da guarda se abraçaram. Aí começava minha vida. Acredito que a dele também, apesar de ter três filhos aos seus cuidados, que depois foram meus também.
Ele, ainda criança, perdeu seus pais, ficando com seu tio. Revoltado e só, torna-se um alcoólatra, aos catorze anos.
Nos unimos por amor, e foi com dedicação e ajudada por este amor, que aos poucos consegui fazê-lo entender os tropeços da vida.
Fui mulher, mãe, psicóloga, e quando ele chegava em casa, bêbado, e dizia: "Estou bêbado, minha filha", eu respondia: "Graças a Deus você chegou, estamos juntos. Isto é o que importa".
Assim nosso amor tornou-se vida, nos tornamos uma só pessoa, nossa casa se enchia de amor, de luz e calor humano quando ele chegava do trabalho. Respirando confiança e amor, foi deixando a bebida na pressa de chegar em casa.
Assim vivemos um amor de verdade, nos ajudando, perdoando, sabendo calar, e pedindo desculpas na hora certa.
Hoje não o tenho comigo, mas os bons momentos ficaram como luz, os maus como aprendizado.
Agradeço este amor que é a minha razão de vida.
Obrigada pelos ramalhetes e flores que simbolizaram nosso amor pela frase:
"Deixo a bebida por um amor".
Adelaide Luza