Riacho CambuciA partir do antigo Caminho do Carro (rua Domingos de Morais), o riacho Cambuci vinha desembocar no rio Tamanduateí, acompanhado em todo o seu trajeto, pela Chácara da Glória à direita, e pelo Sítio do Tapanhoim, à esquerda, Na altura da atual rua Luís Gama, o riacho cortava a Estrada de Santos, sob cujo leito assentaram-se as ruas Lavapés e Independência. Naquele ponto, havia uma ponte que serviu de travessia a D.Pedro I após o grito da Independência, na volta de sua viagem a Santos.Com a inauguração de uma nova estrada, porém ,a primitiva via, mutilada em suas funções, passou a ser apenas a Estrada do Ipiranga. E, provavelmente, sem os maiores cuidados de outrora, a velha ponte viveu seus últimos longos dias a clamar por reparos, mesmo anos depois da abertura da rua Luís Gama, em 1882. Por esse tempo, a região do Sítio do Tapanhoim já tornara conhecida pelo nome de Cambuci. O grande latifúndio fôra dividido em várias chácaras que, por suas vez, começaram a ser retalhadas para a abertura dos primeiras ruas do bairro. A parte do outro lado da ponte, porém, continuava a ser conhecido como Chácara da Glória e, também, Pastos da Glória. Anos depois, a chácara foi loteada, seguida da incorporação da área do bairro. O nome Cambuci, primeiramente dado ao riacho, designava também um morro na região de São Paulo. Chama-se igualmente Cambuci uma frutinha verde, azeda, hoje já erradicada da zona urbana, mas muito usada antigamente para uma geléia famosa da culinária paulista. Segundo tradição, o Sitio do Tapanhoim produzia muitas frutinhas Cambuci e o nome passou assim ao riacho. Em seu Dicionário Geográfico da Província de São Paulo, discorda daquela tradição, dando versões diferentes para a origem dos nomes do bairro e do morro. O nome do riacho, segundo ele, viria de uma corruptela da palavra indígena Gu-ã-mbec-y "alusiva a correr livremente, sem embaraço algum, entre margens altas". Sem a presença histórica na cidade de alguns dos seus congêneres bem maiores, o riacho Cambuci não deixou de ser citado, com alguma freqüência, nos antigos documentos. Em 1834,cogitou-se do aproveitamento de suas águas para o abastecimento dos chafarizes que matavam a sede dos paulistanos. Por falta de verba, o projeto não vingou.
|