Com rebuços


Desenho de Clóvis Graciano

Durou tanto tempo a moda que talvez nem de moda se possa chamá-la. Por quase duzentos anos andaram as paulistanas pelas ruas "rebuçadas" (ocultas) em dois "côvados de baeta", de acordo com testemunhos da época. Podia ser discrição, mas com isso não concorda o escritor português Júlio Dantas, pois de Portugal é que fôra trazida a moda. Para Júlio Dantas, o rebuçamento era "arma terrível de sedução".

"De cara descoberta até o peito"

Com rebuço (parte de uma capa), com chapéus desabados na cabeça, com baetas (tecidos felpudos de lã) "assim como se cortavam nas lojas", as mulheres "rebuçavam-se". Infringiam uma lei que vinha desde 1649 e obrigava as mulheres a andarem com "a cara descoberta até o peito".

Pela segurança dos maridos

Fazendo exceção às parteiras, liberadas para o "rebuço", a lei de 1649, entre outras coisas, visava à "segurança dos maridos", informa Júlio Dantas. A preocupação do uso do rebuço como arma de sedução aparece nas várias medidas para coibi-lo. "Mulheres que o usam para esconder a beleza que não têm" expressa um dos comunicados. Ainda em 1810, persistia o costume. O governador da ocasião, perguntado se a proibição atingia o uso das mantilhas, respondeu que as mulheres podiam andar como quisessem, menos "rebuçadas com as caras cobertas e desconhecidas.

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