Rua Lavapés, final dos anos 10 do século XX. Fachada da Padaria e Confeitaria Siciliana, de C. Calia & Cia

Rua Lavapés

Legalmente, a rua Lavapés existe desde 1855. Sua história vem de muito mais tempo, porém, pois já servia há a décadas como um dos trechos da velha de estrada de Santos.
Não obstante, quiseram fechá-la, nove anos após a sua oficialização. No dia 30 de junho de 1864, os vereadores da época tomaram conhecimento de um documento do Provedor da Irmandade da Santa Casa "remetendo cópia da informação prestada por um dos membros daquela irmandade a respeito da pretensão de Antonio Joaquim Tavares Rodovalho, sobre arruamentos de terrenos e ruas pertencentes àquela instituição". Era a ameaça ao fechamento da rua. Assinava o ofício o Barão de Iguape, provedor da Santa Casa, então sediada próximo, na Chácara dos Ingleses (hoje praça Almeida Jr.) e proprietária de terrenos adjacentes.
Apesar da querela envolver gente graúda da época, a Câmara Municipal não se intimidou. Doze dias depois, uma comissão especialmente formada respondia que "a rua Lavapés existe desde 1855, e à Câmara Municipal incumbe evitar o fechamento de ruas decretadas e já abertas como essa". Acrescentava "...não querendo agora a Santa Casa chegar a um acordo acerca da conservação dessa rua, cumpre agora à Câmara Municipal manter os seus direitos legais ou judiciais..."
A Lavapés era a porta de entrada da cidade. Próximo, dentro do atual bairro da Aclimação, um pouso de tropeiros, pertencente à família Cardim, Um ribeirão atravessava o ponto inicial da rua e ali os viajantes paravam para uma ablução que os deixasse mais apresentáveis aos moradores das ruas centrais — daí teria advindo o nome Lavapés dado ao pequeno rio e posteriormente transferido à rua.


VOLTA - SÃO PAULO ANTIGO

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