Anúncio de inauguração do Cine Rosário, no téreo do prédio Martinelli, rua São Bento esquina com avenida São João

Rosário -Luxo e requinte

Grande luxo e requinte, em matéria de casa cinematográfica, São Paulo conheceria ao abrir-se o Rosário, no dia 2 de setembro de 1929. Pequeno, se comparado a um gigantesco cinema inagurado anteriormente, o Odeon, essa casa surgida no térreo do famoso prédio Martinelli marcaria época por sua concepção da decoração.

Entradas

Tinha entradas pelas ruas São Bento, Líbero Badaró e avenida São João, ficando na São Bento a sala de espera principal. Esta era ampla, com enormes colunas de mármore, as paredes forradas de espelhos, o teto de estuque trabalhado em ouro, do qual desciam pendentes elétricos importados da Europa. No centro, uma estatueta do escultor Tedeschi, premiado na exposição de Milão em 1925.

À Luiz XV

Largas e imponentes escadas levavam para outras duas salas: a de frisas e camarotes e a dos respectivos balcões. Nelas, o espectador encontrava mobília à Luiz XV e coleções completas de jornais e revistas nacionais e estrangeiras.

Fim

Inaugurado com O Pagão, filme sonoro estrelado pelo latin-lover Ramon Novarro, o Rosário soube resistir galhardamente até o seu fim, no começo da década de 50, sem cair na categoria dos cinemas de segunda linha. Juntamente com o Alhambra e o Paratodos, aberto em 1931, ele marcou a curta carreira do comendador Martinelli, construtor do prédio, como exibidor cinematográfico, através da sua empresa, Companhia Cinematográfica Paulista.

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