A Casa da Bíblia, casa que hoje está na rua Senador Feijó, nasceu na Dom José de Barros


Na esquina da Dom José de Barros com Barão de Itapetininga, a padaria do Sr. Ribas (assinalada) iniciou em 1900 uma tradição de venda de doces que até hoje perdura

Sobradão da Dom José de Barros com 7 de Abril em 1924.

Rua D. José de Barros

Ainda estava bem viva na mente dos brasileiros a Guerra do Paraguai, quando, em 1876, na região de São Paulo chamada de Campo do Chá, começou a ser aberta a atual rua D.José de Barros. Por essa razão, seu primeiro nome foi Onze de Junho, referência ao dia que, no ano de 1865, ocorreu a decisiva Batalha do Riachuelo, com a destruição da Esquadra paraguaia pela Marinha brasileira.
A Onze de Junho estava projetada desde 1863 e, na verdade, já havia uma trilha, pomposamente chamada de rua do Zunega, cumprindo o seu mesmo percurso. Como a atual D. José de Barros, a rua do Zunega ia da rua 7 de Abril (então rua da Palha), até o largo Paiçandu, onde havia o chamado Tanque do Zunega.
Era proprietário de todo o Campo de Chá, que abrangia a área entre as atuais Praça do Patriarca e Praça da República, José Joaquim da Silva, o Barão de Itapetininga. Com a morte do barão, usou-se sua herança para a abertura das ruas 24 de Maio, Barão de Itapetininga, Conselheiro Crispiniano e Dom José de Barros, nome dado à antiga Onze de Junho, em 1909.
Mais ou menos na época da abertura da Onze de Junho, duas modalidades de esportes começavam a galvanizar São Paulo: a patinação e o frontão, o último, nome popular da pelota basca. Na nova rua, mais tarde, dois centros dedicados àqueles esportes tornaram-se famosos em São Paulo.
Considerava-se o início da Onze de Junho, não na rua Sete de Abril, como acontece hoje com a Dom José de Barros, mas no largo do Paiçandu. Seus números pares e ímpares apresentavam-se, portanto, ao inverso dos nossos dias.
No número 8 antigo, correspondente aproximadamente ao 237 atual, abria-se um portão para um jardim arborizado, com a saída também pela rua 24 de Maio. Ali, nos finais do século XIV, funcionou o célebre Frontão Paulista.
Do outro lado, na esquina da Onze de Junho com a São João, tinha-se acesso ao rinque de patinação do sr.Oscar Nascimento. O espaço do rinque tinha entrada e saída para as duas ruas.
Posteriormente, um grupo de construções tomou o lugar do rinque, obstruindo a passagem. Nos meados dos anos 50, o sr. Domingos Fernando Alonso, proprietário daquelas construções, demoliu-as para no seu lugar restabelecer a passagem entre as duas ruas por intermédio da atual Galeria Olido. Aconteceu a mesma coisa no velho número 8. O prédio do Teatro Apolo, construído no local, fechou a antiga passagem. Demolido, no final da década de 50, o prédio do teatro deu lugar ao edifício atual, com a sua galeria.
Bem frente ao prédio do Teatro Apolo, exatamente no número 9 antigo (hoje, mais ou menos, nº 278) da Dom José de Barros, ocupando uma propriedade da sra.Maria Isabel Silva, instalou-se o clube Pinheiros (então Germânia). Depois, o teatro foi desativado e naquela parte do seu prédio defronte ao Pinheiros, inaugurou-se, em 1943, o Cine Ópera, fazendo daquele trechinho um polo de encontro de boêmios.
Um pouco mais acima, onde a D.José de Barros faz esquina com a Barão de Itapetininga, o sr. Tarciso Ribas, no alvorecer do século XX, instalou sua padaria e confeitaria. Estava lançado o ponto doce da Dom José de Barros. No mesmo lugar, o sr. Mário Gardano, criador do Chocolate Gardano, abriu uma loja de longa duração para a venda dos seus produtos. A Nestlé comprou a Gardano em 1960, mas a esquina atravessou os tempos sempre ostentando uma loja de chocolates.
Da loja Gardano, atravessando-se a Barão de Itapetininga ia-se dar com o edifício número 62 da Dom José de Barros. Era na década de 50, residência do arquiteto e artista plástico Flávio de Carvalho. Em 1956, Flávio de Carvalho saiu dali para o que atualmente chamaríamos de uma performance. Vestido de saia curta e blusa de mangas curtas, folgadas, no traje denominado por ele de new look tropical, masculino, Flávio andou pelas ruas do centro, sempre seguido por uma pequena multidão.Terminou a performance com a entrada no luxuoso Cine Marrocos, conhecido pelo seu rigor em exigir gravata e paletó dos seus freqüentadores.
Poucos anos depois, o grande prédio 62 da Dom José de Barros, que dobrava a esquina da Barão de Itapetininga, propriedade de d.Guilhermina M. Lima Pires, foi demolido para o surgimento de uma nova galeria na ex-Onze de Junho.

Veja também:
O mestre dos factóides


VOLTA - SÃO PAULO ANTIGO