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Ruas famosas
Na rua Sargento Mor Roque Soares, em1721, havia duas casinhas onde, suspeitavam
as autoridades paulistanas da época, explorava-se o lenocínio. Em razão disso,
ordenava-se a desocupação das referidas casas para que ali se instalasse um
açougue.
Essa é a primeira vez que aparece o nome de uma rua paulistana ligada à
prostituição. No futuro, outras ficarão famosas pelo mesmo motivo.
Rua da Palha
A rua Sete de Abril então rua da Palha, no início de sua vida, foi apenas um
caminho aberto pelo raro pessoal que ia do Largo dos Curros (Praça da
República) até o
Largo da Memória (foto de 1860), no Anhangabaú. Com a abertura dos cursos
jurídicos, a rua da Palha ganhou vida nova. Estudantes criaram nela suas
repúblicas, em casas baixas, com telhados largos "para esconder cabritos em
dias de chuva", segundo escreveu um cronista.
Alguns mais, a rua da Palha acolhe também um novo tipo de população, como
estudantes, igualmente alegre, pelo menos por obrigação profissional. Lá por
1887, a futura rua Sete de Abril regurgita das "horizontais", no horrível
eufemismo que teve
sua época.
Rua das Casinhas
A rua das Casinhas, (hoje rua do Tesouro), durante
muito tempo, desde o início do século XIX, servia de ponto oficial para
vendedores de frutas, legumes, leite, ovos e verduras. O movimento era grande,
corria muito dinheiro. Logo, o ponto atraía os ladrões e as "decaídas".
Com a construção de um mercadinho em 1890, no lugar onde hoje está o Correio
Central, os vendedores mudaram-se para lá e a alegria acabou.
Pontos chics e nem tanto
Em torno de 1885, algumas pequenas ruas que desapareceriam para formar a atual
Praça da Sé centralizavam a prostituição em S.Paulo.
Eram as ruas da Esperança (desapareceu com o nome de Capitão Salomão), que ia
até a hoje Praça João Mendes, rua do Quartel (de que resta um pedaço chamado 11
de Agosto), Beco do Trem (depois rua Anita Garibaldi) e Beco do Mosquito (mais
tarde, Felipe de Oliveira) (foto de 1910). Estendia-se pela rua Senador Feijó,
ainda existente.
Na rua da Esperança e, sobretudo, no Beco dos Mosquitos, havia conflitos quase
diários por causa de mulheres. Este último era reduto das chamadas "polacas",
sinônimo pejorativo para prostitutas.
Havia, porém, uma prostituição mais elegante que começava a localizar-se no
início da avenida (naquele tempo, rua) São João e no Largo do Paiçandu,
alimentado inclusive por coristas de companhias artísticas que começavam a
visitar S.Paulo.
Viva a liberdade
Durante algum tempo, a rua Nova de São José (Líbero Badaró, na foto esquina com São Bento) ficou conhecida
pela sua má fama. A cidade declamava uns versinhos: "
Boa Vista é rua morta/A Formosa é de espantar/ a Direita é rua torta/Da Nova é
melhor calar...
"
As mulheres foram chegando de mansinho e acabaram demarcando toda a rua como
seu território. E sem que ninguém promovesse guerra, de lá saíram também em
bando.
Xavier de Toledo
Ironia. Da rua cujo nome homenageava um dos governadores que mais se bateram
pela moral e bons costumes, as aves desgarradas fizeram seu ninho. Pararam um
bom tempo e, como acontecera em outras ruas, um dia arribaram. |