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Sítio Casa Verde
Durante muitos anos e até as primeiras décadas do século passado, a Farmácia Baruel foi famosa em São Paulo. Fundada pelo boticário e vereador Francisco Baruel, a farmácia ficava na rua Direita, esquina com a praça da Sé.. Pelos meados do século XIX, Francisco Baruel também era uma personalidade querida entre os estudantes de Direito do largo de São Francisco, por causa das festas que dava em sua chácara, formada por todo o terreno onde se desenvolveu o atual bairro da Casa Verde.
De há muito, aquelas terras mantinham ligações com a Faculdade de Direito. Seu proprietário anterior, José Arouche de Toledo Rendon, foi o primeiro diretor da Academia. Nessa época, o lugar já se chamava de Sítio Casa Verde.
Por causa daquele nome, muita gente se envolveu em frustradas buscas pelos desvãos da história, atrás das provas sobre a existência de uma casa pintada de verde que justificasse sua origem. Um dia alguém jurou ter encontrado as provas e difundiu a sua versão, imediatamente, aceita por muitos. A casa verde não se localizaria no sítio e sim na cidade, exatamente, à travessa do Colégio (hoje rua Anchieta, depois de ser rua do Palácio),e era a residência de José Arouche de Toledo Rendon, quando ele dirigia a Faculdade de Direito do lgo. São Francisco. Com Rendon ,moravam suas irmãs, graciosas moças cujos sonoros nomes eram repetidos com muito respeito, admiração e suspiros pelos estudantes: Ana, Pulquéria, Caitana, Maria Gertrudes, Gertrudes Genebra, Joaquina e Rudesina. Quando em grupo — e elas sempre andavam em grupo — os estudantes a chamavam das "moças da casa verde". Daí, o sítio da família passar a ser chamado de "sitio das moças da casa verde" e finalmente Sítio Casa Verde.
A história, porém, não resistiu ao confronto das datas. As moças realmente existiram, mas a mais nova delas, Rudensina, tinha 12 anos aos realizar-se o censo de São Paulo, em 1775. Como a Faculdade de Direito foi fundada em 1827, nem mesmo o mais extremado cavalheirismo faria um estudante chamá-las coletivamente de "moças", mesmo que fosse numa especial deferência à caçula, por ser ela a irmã do diretor da sua escola. Também no trecho de uma carta enviada, em 1794, ao irmão em Paris, Rendon escreve "neste mesmo navio vai um caixote de café da Casa Verde", o que comprovava ser o nome do sítio muito anterior à criação da Faculdade Descartada a versão, cogitou-se da hipótese de que a tal casa verde localizara-se no próprio sítio. Entretanto, a carta de Rendon não serviu apenas para desmentir uma história romântica; assinalou também o pioneirismo do Sítio da Casa Verde na exportação do café, produto que viria ser o orgulho do Brasil, mas cujo plantio, na época, ainda engatinhava entre nós.
Depois de Rendon, a propriedade passou por outros donos para finalmente, em 1882, vir parar às mãos de João Maxwell Rudge. Os herdeiros de Rudge resolveram lotea-la para um bairro a que pretendiam dar o nome de Vila Tietê. O fantasma da Casa Verde, porém, falou mais alto.
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