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Tenente Cabanas

Tenente Cabanas (1º à esquerda), na revolução de 24.
Quase 60 anos depois, a atriz de TV, cinema e teatro, Olga Navarro (Veneza-Itália, 1905-São Paulo,1996), tinha um brilho nos olhos, quando falava no Tenente Cabanas, que namorara na juventude. João Cabanas, o Tenente Cabanas, tinha 29 anos quando irrompeu a revolução de 1924. Aderindo aos revoltosos, ele, no início do levante, a 5 de julho de 1924, foi incumbido de ocupar a estação da Luz, impedindo o tráfego de trens e controlando o serviço telegráfico. Em outra ação, no dia 8, uma terça-feira, ele tomou a delegacia do rua do Triunfo, caminhando sobre os telhados dos prédios vizinhos para atingir o alvo defendido pelos inimigos.
Enérgico, Cabanas, segundo consta, chegou a fuzilar alguns dos seus soldados que saquearam lojas e residências. Entretanto, como a situação do abastecimento gerou o mercado negro de produtos alimentícios na cidade, ele não hesitou em mandar arrombar os portões do Mercado Municipal, após a negativa do gerente do estabelecimento em abri-lo, para distribuir gêneros gratuitos à multidão que se formara em frente.
Ao cessar a rebelião em São Paulo, Cabanas comandou a “Coluna da Morte”, grupo formado para tentar prolongar a luta no interior. O episódio, ainda em 1924, inspiraria o filme “Trem da Morte”(ou ainda, ”Coluna da Morte” e “Metralha no Sertão Paulista”), dirigido por José Del Picchia, com Olga Navarro no elenco.
Exilando-se logo depois, Cabanas voltou ao país para participar da revolução de 30. Em 1934, combateu nas ruas os integralistas. No anos seguintes,esteve entre os fundadores da Aliança Nacional Libertadora, e foi preso após o fechamento da organização. Eleito suplente de deputado federal pelo Partido Trabalhista-PTB, no Rio de Janeiro, ocupou o cargo nos anos de 1953 e 1954. Morreu em 1974.
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