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Todos vendem tudo
Que tal comprar vinho numa loja de ferragens. Ou perfume na sapataria. Bem isso acontece até hoje nas cidades menores e acontecia na pequena São Paulo de antigamente. No começo do século XIX, um viajante europeu anotou que os armários dos boticários paulistas continham "sabe Deus o que" porque deles podia se comprar ferraduras com a mesma facilidade com um ferreiro vendia vomitórios.
Sem esquecer
Nem precisava sair da loja de ferragens para comprar perfume na sapataria. A própria loja de ferragens tinha perfume e vinho, sem esquecer
das ferragens, claro.
Aprendizado
Tudo se aprende, porém. No começo do século XX, as coisas estavam bem melhores e São Paulo já tinha sua perfumaria famosa, a Casa Fachada, que começara na rua de S.Bento e veio terminar seus longos dias perto da igreja de Santo Antonio, praça do Patriarca.
Estrangeiros
Nesse ínterim, vieram os comerciantes estrangeiros que puseram certa ordem no coreto. Nem tanto assim, pois muitas casas continuavam a misturar os gêneros e nas ruas se misturavam as lojas elegantes com aquelas de carne verde.
Famosos
Depois de 1869, o comércio de modas quase foi monopolizado pelas francesas, estabelecidas nas ruas do Imperatriz (XV de Novembro, foto), São Bento e do Ouvidor (José Bonifácio).
Franceses se tornaram famosos também como cabeleireiros e perfumistas. Um deles, Pedro Teyssier retirou-se para França em 1871. Tinha um empregado chamado Inácio Pinto que herdou o negócio. Inácio mudou seu nome para Inácio Pinto Teyssier.
Fox
Em questão de racionalização dos itens a loja do inglês Henrique Fox não era lá essas coisas. Sua loja de couros fazia também negócios com fitas, toucados e enfeites para senhora. Comerciante famoso, Fox também lidava com relógios. Sob esse aspecto, ninguém mais britânico. Entre 1842 e 1891, ano de sua morte, ele zelou pelo relógio da Sé que construíra. O relógio da Sé nunca atrasou naquele longo período.

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